Angelina Garcia O sábado chegava devagar. Terminei de limpar a casa, sentindo no ar o cheiro de limpeza; a roupa, pendurada no varal do quintal, ainda exalava o perfume do sabão. O almoço já estava pronto. De pé, na janela, olhei minhas plantinhas no pequeno jardim que dava para a rua. Saboreei o café recém coado, ignorando o fato de que a hora do almoço estava próxima. Eu esperava Júlia para almoçar. Mas, ao acordar, percebi que ela já tinha saído para a aula prática. Raul, meu filho caçula, tampouco poderia me fazer companhia: vivia preso naquele quarto. Ter cheiro de casa limpa, café passado e roupa lavada, enquanto admirava minhas pequenas suculentas, trazia um sentimento de vida tranquila. Naquele momento, não me vi precisando de mais nada. As preocupações do trabalho estavam dis

