Saulo Prado A sala estava em silêncio. O tipo de silêncio que só acontece quando as palavras de um julgamento já pesaram sobre todos os envolvidos, mas ninguém sabe ao certo o que acontecerá em seguida. Eu estava sentado, observando a juiza, aguardando a sua resposta, mas sentia que ali, naquele momento, as palavras ainda tinham o poder de mudar o curso de tudo. Olhei para o outro lado da sala, onde o advogado de José Matos estava. Ele ainda estava nervoso, sabia que o que eu propusera — uma aposentadoria vitalícia para o cliente, além da cobertura médica pelos custos da empresa — não era o tipo de decisão comum. Aquilo ia além de simplesmente ganhar ou perder o caso. Era uma tentativa de reparação, uma tentativa de oferecer algo mais do que o simples cumprimento da lei, embora com uma

