Angelina Garcia Tinha sido… tinha sido diferente. E, ao mesmo tempo, não me sentia diferente o bastante para suportar a culpa. A sensação de ter transado com outro homem, dentro da minha casa, de ter permitido aquilo acontecer... a vergonha me devorava por dentro. O que eu havia me tornado? Desrespeitei o meu lar, minha família... a mim mesma. Passei o domingo inquieta. Não sabia se chorava, se gritava ou se implorava perdão a Deus. Mas, quando Ana Júlia me olhou, perguntando com inocência o que eu tinha, percebi que não podia dizer nada. Eu não podia carregar a minha filha para dentro desse abismo comigo. A culpa me queimava viva. Eu permiti outro homem me tocar... e pior: gostei. Tive prazer. Engoli o choro rápido demais. — Mãe, você tá com dor? — ela insistiu. Neguei, sem coragem

