CAPÍTULO 30 A poeira e o cheiro de mato molhado dominavam a pista de *cross-country* nos limites do Saint-Valéry. Essa era a prova rainha da gincana: um circuito de velocidade e obstáculos onde os capitães das equipes precisavam guiar quadriciclos de alta potência por um terreno acidentado. Eu estava posicionada na linha de partida, ajustando as luvas de proteção. O motor do meu quadriciclo roncava alto entre as minhas pernas, mas a minha mente não estava na pista. Estava nos olhares. Do outro lado, na largada da *Equipe de Prata*, Theo Cavalcanti me encarava por trás da viseira do capacete com um sorriso cínico. Nas arquibancadas de madeira, Victória e seu séquito de garotas — Valentina e Camila — assistiam com uma expectativa doentia. Havia algo errado no ar. A calmaria delas

