A CONHECIDA RESSACA

627 Words
Simon Acordei com o corpo e a cabeça doendo, apesar de fazer um bom tempo, ainda reconheço a sensação terrível que a ressaca proporciona. Estava jogado no tapete, uma foto de Jane estava ao meu lado. Não lembro de nada depois de voltar para casa, baseado no que eu vejo, bebi o restante da garrafa que eu trouxe, provavelmente chorei mais enquanto estava agarrado à foto da minha esposa morta e depois adormeci no tapete perto do sofá. Não é grande coisa, mas foi o que eu fiz e agora que estou sóbrio parece um pouco vergonhoso. Bem, ninguém além de mim sabe o quão lamentável eu estava ontem, exceto pelo cara que eu soquei no bar. Instintivamente, minha mão vai para a camisa rasgada. Eu deveria ter trocado de roupa antes de sair, mas eu não estava pensando quando fiz isso, eu só queria sair de casa o mais rápido possível. Me arrependo disso agora. Tirei a camisa e a observei chateado, pois as minhas ações levaram a isso. Me desculpe, Jane. Eu estraguei a camisa que você mais gostava. Suspiro e levanto tentando segurar a náusea forte. A cabeça latejava tão forte que parecia pulsar em toda a sua extensão. Era uma sensação dolorosa e estranha. Procurei por algum remédio para me ajudar com isso, mas antes esvaziei o conteúdo do meu estômago, o que não era muito, considerando que eu não jantei ontem e tudo o que eu ingeri foi bebida. Hoje é domingo e eu posso descansar melhor, já que não há nenhum trabalho a ser feito. Estava prestes a jogar a camisa rasgada no lixo, mas por algum motivo, deixei-a em cima da bancada em vez de jogar direto na lixeira. Hoje eu não estava sendo racional. Deitei no sofá depois de tomar um bom banho e liguei para Allen, eu queria saber como Maeve estava. Não era preocupação, era apenas eu, checando se estava tudo certo. – O que? – atende. – Você sabe que precisa parar de atender o celular assim, não é? – respondo revirando os olhos. – Eu sei. E eu também sei que você está revirando os olhos agora. – alfineta com bom humor. Como diabos ele sabe disso é um mistério para mim. – Que seja. Como está a minha princesa? – pergunto. – Eu estou chegando na sua casa nesse exato momento, pode abrir a porta e ver por si mesmo. – oferece. Levantei de um salto, largando o celular no sofá e correndo para abrir a porta. No momento em que Allen apareceu, eu já estava ajudando-o a trazer tudo para dentro. Maeve dormia no carrinho e eu fiquei feliz em ver a minha princesinha. Eu já estava sentindo falta dela e nem vinte e quatro horas haviam se passado. Levei Maeve em silêncio para o berço e coloquei-a cuidadosamente e com todo carinho. Quando eu volto, Allen está olhando ao redor da bagunça e assovia. – Você fez uma festa e tanto, meu amigo. – brinca. – Não foi só isso que você viu aqui. – e comecei a contar sobre o incidente do bar e o que aconteceu depois que eu voltei para casa. Em alguns momentos ele riu, em outros apenas me observou com compaixão. Por fim, descobri que me sentia um pouco melhor depois de toda a festa da autopiedade e o agradeci por me proporcionar esse momento, que nem eu sabia que precisava. Sinto que posso tentar seguir em frente agora, ou tentar da melhor maneira possível viver a minha vida sem Jane, e fazer isso tudo enquanto tento ser o melhor pai do mundo para Maeve. Não vai ser um trabalho fácil. Mas por ela eu faço qualquer coisa, não importa o que seja. Tudo pela minha princesa.
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