ANTONELA NARRANDO Dois dias. Já fazia dois dias que eu estava naquela casa. Dois dias em que a vida parecia ter mudado de ritmo, como se tivesse parado no tempo e, ao mesmo tempo, corrido numa velocidade estranha. O silêncio que me envolvia ainda era um choque depois de tanto tempo de gritos, ameaças, barulho de tiros ao longe. Agora, eu só escutava o barulho do vento passando pelas frestas da janela e, às vezes, o som dos passos do Mateu pelo corredor. Minha respiração ainda doía. Cada vez que o ar enchia meus pulmões, uma fisgada me lembrava da costela que provavelmente estava trincada. Às vezes eu precisava apoiar o braço contra o corpo para poder rir sem me sentir rasgada por dentro. O olho, que no primeiro dia estava praticamente fechado, agora conseguia se abrir um pouco mais. A

