Serena terminou de preparar a cesta com cuidado, colocando bolos, frutas e sucos, garantindo que tudo estivesse perfeito. Assim que saiu de casa, o sol quente a fez semicerrar os olhos, mas logo ela o viu. Alessandro estava encostado no carro, com os braços cruzados, observando-a de maneira penetrante enquanto ela caminhava em sua direção.
Serena sentiu o estômago revirar sob o peso daquele olhar. Quando chegou perto, forçou um sorriso para esconder o nervosismo.
— Pronto. Preparei algumas coisas. — Sua voz saiu suave, mas trêmula.
Ele a fitou em silêncio por um instante, seus olhos escuros avaliando-a. Sem dizer nada,
Alessandro pegou a cesta de suas mãos e colocou no porta-malas do carro.
— Nós vamos de carro? — Serena perguntou, franzindo a testa.
Alessandro deu um meio sorriso, com um toque de ironia.
— Hoje sim. É melhor. Assim não precisamos voltar rápido.
Ele caminhou até a porta do motorista e entrou no carro, mas percebeu que Serena permanecia estática do lado de fora. Baixou o vidro e a olhou com uma mistura de impaciência e curiosidade.
— Não vem?
Serena deu um passo para trás, hesitante.
— É que... meu avô sempre dizia para eu nunca entrar no carro de um rapaz.
Ele soltou um suspiro, seus olhos estreitando em uma expressão de irritação contida.
— Provavelmente ele quis dizer homens desconhecidos, Serena. Ou você ainda não me conhece?
Ela hesitou, mordendo o lábio.
— É... s-sim.
Com um suspiro resignado, abriu a porta do passageiro e entrou. Assim que fechou a porta, Alessandro se virou para ela, sua proximidade tão repentina que Serena prendeu a respiração. O perfume dele era forte e masculino, invadindo os sentidos dela, deixando-a ainda mais nervosa. Alessandro estendeu o braço lentamente e puxou o cinto de segurança, prendendo-o ao redor dela.
O movimento propositalmente lento o deixou a poucos centímetros do rosto dela. Seus olhos escuros analisaram cada detalhe do rosto de Serena antes de deslizar para a boca. Ele ficou ali por um segundo a mais do que o necessário, sua voz grave soando em seus próprios pensamentos: "Vai ser divertido e delicioso..."
Quando finalmente se afastou, Serena ainda sentia o calor de sua proximidade e o perfume que parecia ficar impregnado nela. Alessandro deu partida, seus movimentos firmes e confiantes, enquanto ela tentava ignorar o som acelerado de seu coração.
No caminho, Serena se viu observando o perfil dele, as feições marcadas e o olhar concentrado na estrada. "Como pode alguém ser tão bonito?" Mas afastou o pensamento com uma leve sacudida de cabeça, sentindo-se tola.
Ao chegarem à cachoeira, Serena imediatamente correu para a água, um sorriso escapando enquanto tocava a superfície cristalina.
Alessandro a observava de longe, seus olhos fixos nos gestos delicados dela. Sem dizer nada, Serena pegou uma toalha, estendeu no chão e organizou o piquenique.
Quando tudo estava pronto, ela sentou-se e olhou para Alessandro.
— Vamos comer?
Ele se aproximou e sentou-se ao lado dela, tão perto que as pernas quase se tocavam.
Durante o piquenique, conversaram sobre assuntos leves, mas Serena não conseguia evitar a timidez.
— Alessandro... o que acha de nosso próximo passeio ser a cavalo? — perguntou, sua voz quase um sussurro.
Ele a encarou com um meio sorriso, mas antes de responder, notou um pouco de glacê nos lábios dela. Sem avisar, Alessandro inclinou-se, passando o polegar pela boca de Serena em um gesto lento e intencional.
— Podemos, sim — murmurou, seus olhos brilhando com um desejo evidente.
Serena congelou. O toque dele parecia incendiar sua pele, e ela levou a mão aos lábios, tentando disfarçar o embaraço.
— O-obrigada...
— Por quê? — ele perguntou, sua voz carregada de provocação. — Por limpar sua boca ou pela ideia do passeio?
— É... pelos dois... — Serena abaixou a cabeça, envergonhada.
Alessandro segurou o queixo dela com firmeza, forçando-a a encará-lo novamente. Sua voz rouca e penetrante encheu o ar.
— Na verdade, eu quero limpar de outra maneira.
Ele mergulhou o dedo no glacê e, dessa vez, passou nos lábios dela. Serena sentiu o coração martelar no peito, incapaz de protestar.
Alessandro inclinou-se mais, passando a língua pelos lábios dela antes de tentar beijá-la. Serena, com um movimento hesitante, colocou a mão no peito dele, sua voz saindo em um sussurro desesperado:
— Alessandro... eu...
— Shh... — Ele colocou o dedo sobre os lábios dela e tomou sua boca em um beijo lento e envolvente. Serena, que nunca havia beijado antes, deixou-se guiar, aprendendo com os movimentos dele.
O beijo tornou-se mais intenso, e Alessandro a deitou suavemente sobre a toalha, meio corpo por cima dela. Seus lábios exploraram o pescoço de Serena enquanto suas mãos começaram a deslizar pela perna dela, subindo lentamente.
— Alessandro, para... — Serena murmurou, ofegante, interrompendo o momento. — Acho que está na hora de voltarmos.
Ele ergueu o rosto, claramente frustrado, mas manteve o tom irônico.
— Sério? Já?
— Eu preciso voltar... — ela respondeu, desviando o olhar.
Ele suspirou profundamente, balançando a cabeça com um sorriso amargo.
— p***a, que desculpa... —
Alessandro se levantou, irritado, e começou a recolher as coisas.
Serena sentiu uma lágrima escorrer, mas a limpou rapidamente, sem querer que ele percebesse. O caminho de volta foi silencioso, tenso.
Alessandro dirigia com a mandíbula cerrada, enquanto Serena segurava a cesta com força, lutando contra o nó na garganta.
Ao chegarem ao barraco onde Serena morava, Alessandro a olhou com surpresa e um toque de desconforto.
— É aqui que você mora?
— Sim... obrigada por me trazer. — Ela desceu rapidamente, tentando ignorar o olhar de julgamento.
Alessandro deu partida sem sequer descer do carro, deixando Serena ali, com os olhos cheios de lágrimas.
Enquanto ele dirigia de volta, pensava em como ela havia resistido a ele — algo que não estava acostumado. Já Serena ficou parada diante de sua casa, sentindo que talvez tivesse feito tudo errado e perdido algo que nunca teve.