A manhã chegou, mas o coração de Serena estava um turbilhão. Ela tomou um banho demorado, tentando organizar os pensamentos que a assaltavam. Após se vestir, respirou fundo, inspirando e expirando como forma de acalmar o nervosismo que tomava conta de seu corpo.
O caminho até a fazenda parecia mais longo que o normal. Para distrair-se, parou para cheirar algumas flores e acariciar os animais que pastavam. Eles sempre tinham o poder de trazer uma leve tranquilidade ao seu coração inquieto.
Chegando à fazenda, foi direto à cozinha, como sempre fazia.
— Bom dia, menina! — saudou Alzira com um sorriso acolhedor. — Fiz um café delicioso para você.
— Bom dia! — Serena respondeu, sentando-se à mesa e inspirando o aroma do café quente. — O cheiro está maravilhoso, Dona Alzira. Obrigada!
Mas o momento de paz foi interrompido quando um dos empregados apareceu à porta.
— Serena, os patrões estão te esperando na sala principal.
O sorriso de Serena desfez imediatamente, e seu coração deu um salto. Olhou para Alzira em busca de algum conforto e, ao receber um aceno encorajador, levantou-se hesitante e caminhou até a sala.
A atmosfera na sala principal era pesada, quase sufocante. Eleonora segurava uma xícara de chá, tentando disfarçar sua ansiedade; Inácio permanecia de pé, com uma postura firme, enquanto Alessandro estava sentado, olhando para um ponto indefinido, sua expressão impassível, mas seus olhos traziam uma inquietação.
Serena entrou com passos curtos, seus olhos rapidamente pousando em Alessandro antes de desviar o olhar, sentindo o rosto queimar.
— Bom dia! Me chamaram? Desejam algo? — perguntou, esforçando-se para soar calma, mas sua voz tremia levemente.
— Sim, Serena, sente-se, por favor. — A voz de Inácio era grave e firme, mas não desprovida de uma certa gentileza.
Ela obedeceu, sentando-se na ponta do sofá, sem encostar as costas, visivelmente desconfortável. Alessandro lançou-lhe um olhar intenso, quase esperando que ela negasse tudo e encerrasse o assunto ali mesmo.
— Serena, ficamos sabendo do envolvimento entre você e meu filho — começou Inácio, direto, sua expressão carregada de seriedade.
O coração de Serena acelerou, e ela m*l conseguia encontrar palavras enquanto olhava de Inácio para Alessandro, tentando entender o que estava acontecendo.
— Ele a forçou, Serena? — A pergunta do patrão cortou o silêncio.
Ela arregalou os olhos, surpresa, e engoliu em seco. — Não, senhor Inácio... e-ele não me forçou a nada — disse com dificuldade, sua voz m*l saindo.
Alessandro soltou um suspiro e, com desdém, declarou: — Pronto, esclarecido. Tudo o que aconteceu entre nós, Serena sabia. E, o principal: ela quis.
As palavras dele atingiram Serena como um golpe, seu coração apertando-se diante da indiferença.
— Mas, então, nos conte como isso aconteceu — insistiu Inácio.
Com os olhos marejados e a voz trêmula, Serena explicou:
— Eu estava ciente... Eu... eu me apaixonei por ele... e ele pediu que eu provasse o que sentia... Então...
— Não precisa dizer mais nada, minha querida. —
Eleonora interveio, percebendo o sofrimento da jovem. — Vá beber água e se acalme. Depois volte.
Serena saiu rapidamente, tentando controlar o choro, enquanto Alessandro desviava o olhar, incomodado.
— De qualquer forma — disse Inácio, sua voz carregada de raiva contida —, você se aproveitou dos sentimentos dela, da ingenuidade. É inaceitável!
— Ah, me poupe, pai! Estamos em outro século. Isso não é motivo para casamento — retrucou Alessandro, irritado.
Inácio levantou a mão, silenciando o filho. Serena retornou, andando com delicadeza, e Alessandro não conseguia evitar acompanhar cada movimento dela com o olhar.
— Serena, sente-se, por favor.
— O tom de Inácio era mais calmo agora, mas ainda solene.
Ela obedeceu, sentando-se novamente, a insegurança estampada no rosto.
— Serena, você quer se casar com Alessandro?
A pergunta a pegou completamente de surpresa. Ela deu um pequeno salto e arregalou os olhos, levando a mão à boca.
— Ma-mas... — gaguejou, olhando para Alessandro, buscando alguma resposta no rosto dele. — Você... quer se casar?
— Pois é — murmurou Alessandro com sarcasmo. — Aqui pulamos até a parte do namoro.
Inácio ignorou o comentário e repetiu: — Me diga, Serena, você quer se casar com Alessandro?
Serena sentiu algo aquecer seu coração, como uma pequena fagulha de esperança. Pensou consigo mesma que, mesmo com tudo, talvez isso significasse que Alessandro se importava.
— Sim, eu aceito — respondeu baixinho, seu olhar buscando o de Alessandro.
Alessandro levantou-se abruptamente, irritado, e saiu da sala sem dizer nada. Inácio assentiu e também saiu, deixando Serena e Eleonora sozinhas.
Eleonora aproximou-se da jovem, tocando-lhe o rosto com ternura. — Serena, você é tão boa, tão inocente.
Alessandro não sabe a sorte que tem... Mas quero que saiba que não será fácil. Ele é complicado. Pense bem. E, se precisar de mim, estarei aqui.
Serena assentiu, ainda confusa e tentando processar tudo o que havia acontecido.
Mais tarde, enquanto caminhava pela fazenda, encontrou Luiz Fernando.
— Serena, como você está? — perguntou ele, a preocupação evidente em seus olhos.
— Bem, Luiz Fernando. Acredita que vou me casar com Alessandro? — disse, sorrindo timidamente.
— O quê? Casar?! Como assim?
— Sim! — respondeu Serena, quase animada. — Achei que ele não gostasse de mim...
— Não pode ser, Serena. Não faça isso. Eu cuidarei de você...
— Luiz Fernando... obrigada, mas... eu gosto do Alessandro.
Antes que ele pudesse insistir, Alzira chamou Serena, e ela se despediu, deixando Luiz Fernando frustrado e apreensivo.
Ao contar a Alzira sobre a decisão, a expressão da mulher era de preocupação, mas, em sua simplicidade, suspirou e disse: — Então o jovem Alessandro irá te honrar, menina.
O destino de Serena estava traçado, mas ela ainda não fazia ideia do quanto sua escolha mudaria sua vida.