Capítulo 19 - O Começo de Um Mundo Estranho

891 Words
A estrada parecia interminável, e Serena se contorcia no banco, apertando as mãos contra o colo. Já fazia tempo que segurava a vontade de ir ao banheiro. Seu rosto demonstrava desconforto, mas ela hesitava em falar. O silêncio no carro era tão opressor quanto Alessandro, que dirigia com o semblante fechado. Finalmente, ela arriscou, sua voz baixa e quase um sussurro: — Alessandro... eu precisava ir ao banheiro. Ele não a olhou, mas respondeu secamente: — Estamos perto de um posto. Serena assentiu em silêncio. Quando chegaram, Alessandro saiu do carro sem esperar por ela e caminhou em direção à lanchonete. Serena desceu apressada, sem saber se deveria segui-lo ou ir diretamente ao banheiro. Seus olhos buscaram orientação, e ao notar a placa indicando o banheiro, caminhou rapidamente para lá. Enquanto ela estava lá dentro, Alessandro pediu uma garrafa de água no balcão e saiu para abastecer o carro. Serena, ao sair do banheiro, parou por um momento diante da vitrine da lanchonete. Havia bolos, salgados e outras delícias que pareciam apetitosas, mas seu estômago estava embrulhado demais para comer. Ela deu um último olhar aos alimentos antes de procurar Alessandro com os olhos. Ele já estava no carro, esperando. Com passos rápidos, Serena foi até o veículo. Alessandro estava com a expressão impaciente, batendo os dedos no volante. Assim que ela entrou e fechou a porta, ele acelerou. O trajeto continuou em silêncio, mas Serena começou a se sentir ainda mais enjoada. Mexia-se desconfortavelmente no banco, tentando conter a sensação de náusea, mas sabia que não conseguiria por muito tempo. — Alessandro... — chamou novamente, com a voz trêmula. Ele revirou os olhos, claramente irritado: — O que foi dessa vez? — Eu... eu não estou me sentindo bem. Acho que vou vomitar. Alessandro soltou um suspiro pesado, estacionando bruscamente no acostamento. Encostou a cabeça no banco e fechou os olhos por um momento, como se estivesse reunindo paciência. Serena desceu apressada, e antes que pudesse se afastar, começou a vomitar. Ajoelhada, segurava os próprios cabelos, sentindo as lágrimas escorrerem de vergonha e m*l-estar. Alessandro, ainda no carro, observava pelo retrovisor, balançando a cabeça com um misto de irritação e descaso. Quando terminou, Serena voltou devagar, visivelmente abatida. Antes de fechar a porta, apontou para a garrafinha de água que ele havia comprado: — E-eu posso...? Ele assentiu sem olhar para ela. Serena pegou a garrafa, saiu novamente para lavar a boca e beber um pouco de água. Quando retornou ao carro, Alessandro já estava com o motor ligado. O silêncio se instalou novamente enquanto ele retomava a estrada. A noite caiu, e as luzes da cidade começaram a surgir no horizonte. Serena, que havia adormecido encostada na janela, despertou lentamente. Seus olhos se arregalaram ao ver os prédios altos e as luzes que iluminavam o céu. Ela se inclinou para a janela, encantada. — Meu Deus... Olha o tamanho desse prédio! — murmurou, mais para si mesma. — Só vi algo assim em revistas... Olha essas luzes... Alessandro a olhou de relance, mas não disse nada. Ao entrarem em um prédio imponente, com uma fachada luxuosa e moderna, Serena não pôde conter o suspiro de admiração. Quando ele estacionou no subsolo, ela desceu com sua pequena bolsa, olhando ao redor com curiosidade e nervosismo. — Vamos! — Alessandro ordenou, caminhando em direção ao elevador. Ela hesitou ao ver o elevador luxuoso, mas ao notar que ele segurava a porta com impaciência, entrou rapidamente, apertando sua bolsa contra o peito. Alessandro lançou-lhe um olhar rápido, percebendo sua tensão, mas permaneceu em silêncio. O elevador os levou diretamente ao apartamento. Quando as portas se abriram, Serena ficou boquiaberta. A sala era ampla, com paredes de vidro que ofereciam uma vista deslumbrante da cidade iluminada. Ela deu alguns passos à frente, fascinada. — É muito alto... — murmurou, olhando para baixo. — Mas é lindo. Uma empregada apareceu na sala e cumprimentou Alessandro com formalidade. — Espero que tenha tido uma boa viagem, senhor. — Em seguida, virou-se para Serena, sorrindo educadamente. — A senhora deve ser Serena. A dona Eleonora nos informou sobre a sua chegada. Meu nome é Dirce. Serena sorriu timidamente e respondeu: — Sim, sou eu. É um prazer conhecê-la, Dirce. — Deseja algo antes de eu ir, senhora? — perguntou a empregada, prestativa. — Ah... Poderia me mostrar o quarto? — pediu Serena, hesitante. — Claro, me acompanhe. Serena seguiu Dirce pelos corredores, maravilhada com o luxo do apartamento. Tudo era impecável, moderno e sofisticado, tão diferente da fazenda onde havia crescido. Quando chegaram ao quarto, Serena ficou impressionada com o espaço e as paredes de vidro que ofereciam outra vista deslumbrante da cidade. — Deseja mais alguma coisa? — perguntou Dirce. — Não, obrigada. — Serena respondeu com um pequeno sorriso. — Boa noite, senhora. Estarei de volta pela manhã. Após a despedida, Serena caminhou até a janela, observando as luzes da cidade. Apesar da beleza ao seu redor, seu coração estava apertado. As palavras de Alessandro ainda ecoavam em sua mente, e ela sentia o peso da rejeição. Respirou fundo, tentando conter as lágrimas, e pensou: Talvez, se eu tentar... talvez eu consiga mudar o que ele sente por mim. Ele é meu marido agora. É minha obrigação honrá-lo. Com esse pensamento, Serena fechou os olhos, determinada a tentar, mesmo que sua dor fosse imensa.
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