Capítulo 5 - Primeiras Intensões

959 Words
No dia seguinte, Serena estava ansiosa. Sabia que hoje teria a responsabilidade de apresentar a fazenda a Alessandro. Serena: — Dona Alzira, o senhor Alessandro pediu que eu mostrasse a fazenda a ele. Quem diria, né? Ele é o dono dessas terras, e ainda não conhece ao redor. Dona Alzira olhou para Serena com surpresa, franzindo o cenho: — O quê? O senhor Alessandro chamou você para acompanhá-lo pela fazenda? Serena, inocente, assentiu com um sorriso. — Sim, ele pediu. Dona Alzira parecia inquieta, os olhos estreitados e um suspiro preocupado escapando. — Menina, só... tome cuidado. Serena arqueou as sobrancelhas, intrigada. — Cuidado? Mas por quê? Dona Alzira a observou seriamente. — O jovem Alessandro... ele não é daqui. Ele pertence a outro mundo. Proteja seu coração, menina. Serena ficou pensativa. Havia algo naquelas palavras que a deixava intrigada. Ela m*l entendia o que sentia ao redor dele, mas sabia que era algo novo e difícil de definir. Preferiu não comentar com Dona Alzira, mas suas palavras ficaram na mente. Mais tarde, Alessandro a esperava na varanda, distraído, mexendo no celular. Ele ergueu o olhar ao ouvi-la se aproximar. Serena: — Boa tarde, senhor Alessandro. Se quiser, já podemos ir. Alessandro levantou-se devagar, fitando-a com um leve sorriso de canto. — Nada de "senhor". Me chame apenas de Alessandro. Serena sorriu timidamente, meio sem jeito. — Claro, se... quero dizer, Alessandro. Ele a observou por um momento, um brilho enigmático nos olhos. Caminharam lado a lado, e, enquanto atravessavam o terreno, ele olhou para os pés descalços dela. Alessandro: — Por que anda descalça? Seus pés não machucam? Serena riu suavemente. — Não, estou acostumada. Na verdade, quando uso calçado, me sinto desconfortável; meus pés até começam a doer. Ele deu de ombros com uma expressão indiferente. — Para onde vai me levar hoje? Precisamos de cavalo ou de carro? Serena balançou a cabeça com um sorriso, com as mãos juntas à frente do corpo. — Não, acho mais interessante irmos andando. Assim você conhece o lugar com mais calma. Mas... você sabe andar a cavalo? — perguntou, com um olhar curioso. Alessandro deixou escapar um sorriso irônico. — Só porque não gosto daqui, não significa que não aprendi. Sei montar desde muito novo. Serena parecia encantada. — Que bom! Eu sei, mais ou menos, mas não me sinto segura. Luiz Fernando sempre diz que preciso praticar mais. O nome chamou a atenção de Alessandro, e ele franziu o cenho. — Luiz Fernando é seu namorado? Ela corou ligeiramente, rindo. — Não! Ele é meu amigo. Ele a observou de forma intensa, como se tentasse entender. — Que tipo de amigo? Sem perceber o tom insinuante, Serena respondeu naturalmente. — Um bom amigo. Alessandro estreitou os olhos, e um sorriso quase imperceptível apareceu. — Isso pode ser... interessante. Serena não percebeu o que ele quis dizer, e logo chegaram a uma clareira, onde uma linda cachoeira se revelava à frente. Serena correu até a borda, ajoelhando-se para tocar a água, os olhos brilhando de entusiasmo. Serena: — O que achou, Alessandro? Não é linda? O barulho, o ar... — Ela fechou os olhos e inspirou profundamente, como se quisesse guardar o momento. Ele a observou em silêncio, seus pensamentos agora correndo para lugares mais sombrios, as lembranças de um mundo mais ousado. Seu olhar desceu vagarosamente pelo corpo dela. Serena abriu os olhos e, vendo-o parado, sorriu com alegria. — Ei, venha sentir! A água está deliciosa! Alessandro se aproximou e, sem desviar os olhos dela, colocou as mãos na água, sentindo o frescor. Serena continuou, entusiasmada. Serena: — Eu amo esse lugar. Às vezes, venho aqui para pensar, fazer um piquenique... Alessandro: — Podemos fazer um juntos. Serena piscou, surpresa. — C-claro, podemos sim. Ele assentiu, um sorriso misterioso nos lábios. — Amanhã. Serena assentiu, o coração batendo rápido. Não sabia por que a presença dele causava tantas reações dentro de si. Depois de mais algum tempo conversando, Alessandro se sentou ao lado dela, próximo o suficiente para que seus braços quase se tocassem. Durante a conversa, ele colocou uma das mãos casualmente na perna dela, enquanto continuava falando. Serena se sobressaltou levemente, seu olhar descendo até a mão dele, surpresa e confusa. Nenhum homem jamais a tocara assim. A sensação era intensa, mas ela não sentiu medo ou repulsa. Em vez disso, seu coração acelerou, uma corrente de excitação e desconforto correndo por seu corpo. Alessandro parecia alheio ao efeito que causava, mas seu olhar permanecia enigmático. Quando finalmente Alessandro se levantou, tirando-a daquele estado confuso, ele estendeu a mão para ajudá-la a levantar. — Vamos? Tenho uma reunião com meu pai. Serena: — Claro. Vamos, sim. Ela ajeitou o vestido enquanto voltavam, e logo viram Inácio observando-os da varanda, com uma expressão séria. Serena o cumprimentou com um sorriso e se retirou, deixando pai e filho a sós. Alessandro se sentou ao lado do pai, que o observava com um olhar avaliador. Inácio: — Desde quando se interessa em andar pela fazenda? Alessandro deu de ombros, um ar indiferente. — Se estou preso aqui, pelo menos vou conhecer o lugar. Achei que o senhor ficaria feliz. Inácio o observou em silêncio antes de falar. — Espero que esse interesse seja apenas pela fazenda. Serena é diferente das mulheres com as quais você está acostumado. Sua mãe e eu temos grande apreço por ela. Não a machuque. Alessandro respirou fundo, contendo um sorriso cínico. — Não se preocupe, pai. Ela não me interessa. Inácio apenas o fitou por mais um instante, murmurando: — Espero que não. Agora, vamos para o escritório. Enquanto entravam, Alessandro lançou um último olhar para o caminho por onde Serena havia saído. Um sorriso sutil e quase malicioso surgiu em seus lábios.
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