O clima estava carregado, como se até o ar esperasse algo acontecer.
Serena estava deitada de costas, os olhos fechados, tentando repousar. O cansaço físico era evidente, mas sua mente insistia em manter-se desperta.
Alessandro, calado e pensativo, aproximou-se lentamente, deitando-se ao seu lado. Puxou o edredom e os cobriu, envolvendo-a em seus braços pela primeira vez de forma suave, quase protetora. O gesto inesperado fez Serena abrir os olhos de repente, o coração acelerado, o olhar confuso.
— O que você está fazendo...? — murmurou, surpresa, a voz baixa e hesitante.
Ele não respondeu. Apenas a puxou ainda mais contra o corpo dele, colando o peito em suas costas. A respiração quente dele bateu contra a nuca dela, fazendo sua pele arrepiar. Serena quis resistir àquele contato, queria lembrar de tudo que havia acontecido, da raiva, da decepção… Mas era como se o corpo não ouvisse seus pensamentos. Sentir-se envolvida por ele daquele jeito era bom demais. Ela simplesmente não conseguia entender como sua vontade de odiá-lo desaparecia toda vez que ele a tocava.
Seu coração batia descompassado. Ainda havia mágoa, mas também havia algo inexplicável. Algo que a fazia se render. Aos poucos, ela fechou os olhos, vencida pelo cansaço e pela confusão de emoções. Alessandro também permaneceu quieto, o rosto próximo ao cabelo dela, aspirando aquele cheiro que tanto o atraía. Era como um vício. Você está ficando louco, pensou, enquanto o braço envolvia a cintura dela de forma possessiva e, finalmente, se entregou ao sono.
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Enquanto isso, em outro ponto da mansão, Inácio andava de um lado para o outro no escritório. Luiz Fernando já havia sido examinado pelo médico da família, apesar de insistir que estava bem. Quando o médico e Luiz Fernando se retiraram, Inácio virou-se para a esposa com o semblante carregado.
— Alessandro extrapolou — disse Inácio ao fechar a porta, virando-se para Eleonora. — Ele não tem limites.
Eleonora cruzou os braços, o olhar distante, como se voltasse no tempo.
— Sim, só que enxergamos isso tarde demais. Você lembra quando ele era criança? Egoísta, impulsivo… sempre querendo tudo do jeito dele. Eu pensei que ele fosse mudar. Mas aqui estamos.
Inácio suspirou, passando a mão pelos cabelos grisalhos.
— Ele se apaixonou por Serena. Disso eu não tenho mais dúvidas. Só que ele mesmo ainda não percebeu. Mas está cego pela raiva de ter sido obrigado a se casar.
O que ele fez com o Luiz Fernando foi por ciúmes. Por posse. Nosso filho precisa aprender a amar sem destruir...
— E o pior é que, mesmo gostando dela, ele não enxerga.
Foi quando Dona Alzira entrou às pressas, com o rosto preocupado.
— Com licença… estou preocupada com a menina. O senhor Alessandro estava tão nervoso… fiquei com medo que tivesse feito algo...
— Fique tranquila, Alzira. — Eleonora respondeu com calma. — Já pedi para um dos empregados verificar. Está tudo silencioso. Eles dormiram, aparentemente bem. — Deixe-os descansar.
Dona Alzira assentiu, mas seus olhos ainda revelavam inquietação.
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A noite havia caído por completo. A brisa leve entrava pela fresta da porta da sacada, balançando suavemente as cortinas de linho. O ambiente tinha um cheiro morno de corpo e lençol. Serena se mexeu devagar, percebendo que sua cabeça estava apoiada sobre o peito de Alessandro. Ele estava acordado, porém imóvel, os olhos voltados ao teto, pensativo, a expressão dura e indecifrável. O calor do corpo dela ainda o afetava. Cada respiração dela contra sua pele era uma tortura lenta.
— Nossa… dormimos demais… — disse ela, a voz baixa, ao erguer levemente a cabeça e olhar em direção à luz lá fora. — Já é noite...
Alessandro não respondeu. Apenas virou-se de lado e, sem aviso, se posicionou sobre ela, apoiando parte do corpo entre suas pernas. Serena afundou no travesseiro, surpresa. Seu olhar o encontrou, e ela viu algo diferente em seus olhos… algo profundo, sombrio, intenso e carregado de desejo. A respiração de ambos começou a se alterar.
Ele inclinou-se e os lábios roçaram os dela com suavidade, num beijo lento, mas quente. Serena correspondeu instintivamente, os dedos agarrando os lençóis. O beijo foi ficando mais urgente, o calor entre eles se intensificando. O corpo dele já estava preparado. Seu m****o pulsava, rígido, encostando entre as coxas dela. Serena correspondeu, sem saber onde começava a raiva e onde terminava o desejo.
Ainda sob o edredom, Alessandro se encaixou com precisão entre as pernas dela, entrou nela devagar, num movimento firme e ao mesmo tempo carinhoso, a penetrou por completo. Serena arqueou o corpo, fechando os olhos e soltando um gemido abafado. Ele a olhou com um misto de fome e adoração.
O silêncio do quarto era cortado apenas pelas respirações ofegantes e pelos gemidos roucos que escapavam entre beijos. Ele se movia devagar, cada estocada profunda e medida, com domínio e desejo, como se quisesse memorizar cada sensação. Serena sentia o corpo vibrar, como se cada investida a levasse a um novo limite de prazer.
Os olhos de Alessandro estavam cravados nos dela, com um brilho quente e intenso. Ele a tomava com delicadeza feroz como se estivesse redescobrindo o prazer. Não havia pressa, só intensidade. Diferente das vezes anteriores, ali não havia pressa, nem fúria. Havia desejo cru, mas também entrega, conexão, necessidade.
— Alessandro… — gemeu ela, quase sem voz, agarrando-o pelas costas.
Serena chegou primeiro, com um gemido doce e trêmulo, apertando-o contra si. Alessandro veio logo depois, enterrando o rosto na curva do pescoço dela, derramando-se dentro dela com um gemido rouco e abafado.
Ficaram assim por alguns minutos, ainda colados, respirando pesadamente, os corações descompassados. Então Alessandro se afastou devagar, rolando para o lado, sem dizer nada. Olhou para o teto, perdido, enquanto tentava entender por que aquela sensação parecia diferente de tudo o que já sentira.
Sem saber lidar com aquilo, levantou-se sem dizer nada e foi para o banheiro, deixando Serena envolta no edredom, com o corpo ainda quente, o coração ainda em chamas...
Ela olhava para o teto, o corpo satisfeito e a alma em conflito. Os pensamentos girando como redemoinhos. Sentia-se frágil, vulnerável… e culpada. Pensou em Luiz Fernando e seu coração apertou. Depois de tudo... Depois do que Alessandro fez com ele... e eu ainda assim...
Fechou os olhos e virou o rosto para o travesseiro , tentando sufocar a lágrima que ameaçava escorrer. Estava perdida, entre o que sentia e o que deveria sentir.
E, naquela noite, entre o prazer e o peso da consciência, Serena percebeu que não existia mais caminho fácil para o que sentia.