O silêncio da madrugada no CTI do posto de saúde do Turano era cortado apenas pelo ritmo agora natural da respiração de Ayla e o zumbido baixo dos monitores. A luz do corredor entrava por uma fresta da porta, desenhando uma linha pálida sobre o lençol branco. Tico não saíra do lado dela. A poltrona de curvim estava colada na grade da maca, tão próxima que ele podia sentir o calor irradiando do corpo da menina. Ele não dormia. O que Tico fazia eram pequenos mergulhos de minutos no esquecimento, fechando os olhos apenas para o mundo físico, enquanto sua mente continuava em vigília. Na maior parte do tempo, ele falava. Em voz muito baixa, quase um sussurro que se perdia no ar condicionado, ele contava para Ayla sobre as luzes do morro, sobre como o céu ficava bonito visto da laje da casa del

