ABUTRE - CONTROLADO

840 Words

O dia amanheceu na Maré com o cheiro de fumaça da Viela 12 ainda impregnado nas roupas dos moradores e o som de concreto sendo removido por tratores. Mas o verdadeiro estrondo não vinha das ruínas, e sim da sede. Abutre estava fora de si. Ele já havia quebrado dois rádios contra a parede e o rastro de destruição na sala de reuniões mostrava que a noite tinha sido longa. — Como eles entraram? Como ninguém viu os caras plantando o bicho na 12? — Abutre berrava, a voz falhando de tanto gritar. — Eu pago vocês pra quê? Pra ficarem dormindo em cima do fuzil enquanto o Sete faz churrasco na nossa porta? Os vapores da linha de frente permaneciam calados, de cabeça baixa. Ninguém queria ser o próximo a levar um tiro por dar a notícia errada. O clima mudou quando o som de vários carros de luxo bl

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