CATARINA - MEDO

1005 Words

A luz da manhã já castigava as ladeiras do Turano quando Tico finalmente deixou o posto de saúde. O corpo pesava como se estivesse carregando placas de chumbo, e a mente era um turbilhão de imagens borradas de sangue e esmalte. Ele aproveitou que Catarina havia assumido o posto ao lado da maca e subiu para sua casa, uma construção de alto padrão que ficava estrategicamente posicionada abaixo da mansão de Sete, com vista privilegiada para as entradas do morro. Ao entrar no silêncio de sua sala, o contraste foi violento. O luxo de sua mobília parecia um insulto diante da miséria física em que aquela garota se encontrava. Ayla. O nome que Catarina gritara no hospital agora ecoava na cabeça de Tico como o toque de um sino de igreja. Ayla. Tinha um som leve, delicado demais para a brutalidade

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD