A luz pálida do amanhecer começou a filtrar pelas persianas de metal da UTI, trazendo consigo o som distante do despertar do Turano — o primeiro ronco de uma moto subindo a ladeira e o canto dos pássaros que pareciam ignorar a guerra lá embaixo. Tico sentiu o corpo protestar ao se mexer na poltrona. Suas costas estavam travadas, mas o primeiro reflexo, antes mesmo de abrir os olhos completamente, foi apertar os dedos que ainda envolviam a mão de Ayla. Ele estava ali, com a mesma camiseta cheirosa, o rosto com uma barba rala de quem não via um espelho há dias, mas com o olhar fixo no monitor. O gráfico da respiração dela estava constante, um desenho rítmico de vida que ele aprendeu a venerar durante a madrugada. Por volta das oito da manhã, a porta correu e o médico intensivista entrou

