O ronco da moto de Tico ao estacionar em frente ao hospital não foi o som de uma chegada comum; foi o grito de um animal que acabara de ver o rastro do caçador. Ele entrou no posto de saúde com os ténis pesados, o sangue de porco das flores do Abutre ainda manchando o solado, deixando marcas escuras no piso branco que ele tanto tentava manter limpo para ela. Suas mãos tremiam, não de medo, mas de uma adrenalina corrosiva que implorava para descarregar o pente do fuzil na direção da Maré. Quando ele empurrou a porta do Quarto 04, tentou respirar fundo, forçando os ombros a relaxarem e o maxilar a destravar. Ele não queria que ela sentisse o cheiro do ódio que ele trazia lá de baixo. Mas Ayla não era uma garota comum. Ela era uma sobrevivente, e sobreviventes têm sentidos aguçados para o pe

