Aos 19 anos, Ayla possuía uma beleza que parecia florescer no concreto. De pele parda, tomada pelo sol do Rio, e cabelos cacheados que ela costumava prender em um coque alto e firme para trabalhar, ela era o retrato da resistência juvenil. Seus olhos eram grandes e expressivos, de um castanho tão claro que pareciam mel quando a luz do fim de tarde batia na janela de sua pequena casa na Maré. Ela não usava joias caras ou roupas de marca; sua única vaidade eram as próprias unhas, sempre pintadas com cores vibrantes ou desenhos minuciosos que serviam de vitrine para o seu talento. Ayla morava sozinha desde que os pais, exaustos de viverem entre o fogo cruzado e a opressão do crime, decidiram retornar para o interior do Rio. Eles imploraram para que a filha única os acompanhasse, mas Ayla tin

