O sol de meio-dia castigava o asfalto do Complexo da Maré, mas o calor não era nada comparado ao incêndio que consumia os nervos de Abutre. Ele não pulsava mais com a batida do funk ou com o ritmo dos negócios; agora, seu coração batia no compasso metálico e seco do carregamento de fuzis. Ele caminhava pelo pátio principal como um animal ferido, uma fera que via sua autoridade escorrer pelos dedos como sangue. A fuga de Catarina não tinha levado apenas a sua "mulher"; tinha levado sua sanidade e o seu senso de guerra. Para ele, pessoas eram propriedades, e perder uma peça tão valiosa para o maior rival era uma humilhação que ele não pretendia carregar por mais de vinte e quatro horas. — REÚNE TODO MUNDO! — o grito de Abutre rasgou o ar, fazendo os vapores que estavam na contenção e nas b

