A noite era uma faca de dois gumes no Turano: o silêncio lá fora era o presságio de uma tempestade que o asfalto ainda não entendia. Tico deixou a boca com os ouvidos zumbindo e os pulmões impregnados com o cheiro ácido de enxofre e concreto pulverizado. Antes de voltar ao hospital, ele precisava se limpar. Ele não queria que Ayla sentisse o odor da destruição que ele acabara de causar, mesmo que fosse por ela. Ele subiu a ladeira, mas não foi pela rua principal. Ele cortou caminho pela entrada da trilha leste, o exato ponto onde a contenção a encontrara. Tico parou a moto e caminhou alguns metros pelo terreno íngreme. A lama ainda estava marcada, e a vegetação rasteira estava amassada. Ele observou a inclinação da subida, as raízes expostas que pareciam garras saindo da terra e o desní

