Me arrumei de um modo simples dessa vez, sem anágua por baixo do vestido e uma sapatilha, creio que meu sonho tenha me inspirado. Penteei os cabelos e os deixei presos em um coque não muito elaborado, Ana não estava ali para me ajudar, provavelmente estava ocupada com outros afazeres. Ao sair do quarto havia um bilhete em minha porta.
"Vá ao estábulo.
Ass: Sua querida amiga"
Fui em direção aonde tinham me escrito naquele bilhete, sem nem ideia do que poderia ser. Mas minha curiosidade sempre fora um fato óbvio sobre mim.
Chegando no mesmo me deparei com o príncipe Felipe... Felipe e Ana! Eles estavam aos beijos no estábulo. E imediatamente ela me olhou, pude perceber que havia sido ela quem tinha deixado o bilhete em meus aposentos. O motivo de imediato não me foi nem um pouco claro. Senti um bolo se formar em minha garganta e constatei que nada era tão r**m que não pudesse piorar. Malditos!
- Elisa, eu posso explicar - Felipe disse enquanto ajeitava sua calça que estava na metade da perna.
Dei de ombros e meus olhos se encheram de lágrimas. E naquele momento, eu senti ódio, ódio por jamais ter sido tocada por um homem e o meu futuro marido estava se agarrando com uma de minhas damas, a minha preferida, embaixo de meus próprios olhos sem se importar nem um pouco com o fato de que eu poderia vê-los juntos. - Malfeito seja! Maldisse baixinho.
- Não encoste em mim, não fale comigo. - Bradei. - Eu te repudio e nunca seremos um casal, nunca teremos nada em comum além de um reino. Quando encostar em mim, será contra a minha vontade e você nunca terá o meu respeito. O acordo era que nos resguardássemos um para o outro, não se lembra? Era uma ordem clara de meu pai. E o que você faz? Sei que não temos envolvimento amoroso nenhum, mas me respeite, como eu te respeito. Com quantas mais você se deitou nesse lugar horrível? Você é um belo futuro rei irresponsável. Nossa relação será extremamente restrita. Somente pelo meu país.
Enquanto as lágrimas rolavam por meu rosto, ergui o meu vestido para que eu pudesse andar mais depressa e assim me afastar dele o mais rápido possível.
- Eu tentei falar com você Elisa, eu tentei te convencer ontem que as coisas podiam ser diferentes, mas você não me deu a oportunidade.
- E então você se agarra com uma de minhas lady's no estábulo? - Balbuciei. - Saiba que eu não aceitarei amante em hipótese alguma.
- Eu não terei amante, Elisa. - Ele abaixou a cabeça e pude vê que seus olhos estavam quase explodindo. - Me dê uma chance para te mostrar que posso sim ser uma pessoa boa, mas talvez eu precise um pouco de sua ajuda. Meu pai queria marcar nosso casamento logo, para daqui uma lua, como prova de que quero que as coisas sejam diferentes, o convencerei a nos dar um tempo, para que nos conheçamos melhor, tudo bem? Você vai ver, que eu não sou tão m*l quanto pensa.
Eu apenas assenti enquanto uma lágrima rolou em meu rosto. Logo senti o calor de seu corpo se aproximar, e me puxando para perto me trouxe para um abraço. Eu o empurrei com fúria, não queria as mãos sujas de um libertino sobre mim.
- Não chegue tão perto, não é adequado. - Bufei. - Se nos virem aqui, não terei sequer vinte quatro horas e me tornarei esposa do homem mais abominável que já conheci.
- Você é muito certinha Lisa. - Lisa??? Quem ele acha que é para me chamar assim? Eu o encarei com um olhar de poucos amigos.
Ajeitei meu vestido no corpo quando vi um sorriso surgir em seus lábios.
- Com licença príncipe. Espero que não me atormente pelo resto do dia. Seu rosto no momento é o que menos quero ver.
- Felipe!
Dei de ombros, sem nem dar atenção ao que ele havia dito.
Ainda que me tivesse doído vê-lo nos braços de outra, e que essa outra fosse minha amiga não havia muito o que pudesse ser feito. Nosso compromisso fora firmado a tantos anos atrás e eu sabia, nunca poderia fugir disso. Eu era apenas uma garota, uma garota que devia seguir as ordens do pai.