Subi ao meu quarto e quase todas minhas coisas estavam em um canto arrumada com muito cuidado, Darci ainda estava terminando de juntar alguns de meus itens.
- Já está quase tudo pronto Elisa - Ela sorriu gentilmente, mas em seu olhar vi que ela podia entender perfeitamente minha dor, retribui o olhar com ternura. Assim como sempre fora, Darci era quem naquela casa mais se importava com meu bem-estar.
- Minha doce e pequena Elisa.- Ela sussurrou quase inaudível.
Me aproximei com cautela e a abracei, Darci havia sido como uma mãe para mim em todos esses anos, minha mãe era apenas controlada por meu pai, ela não tem vontades próprias desde que me lembro. E fatos me levam a crer, que nunca teve e tampouco um dia terá.
- Vou sentir muito sua falta Darci. Irei lhe escrever, eu prometo, lhe manterei informada quanto a tudo que acontecer naquele castelo. - Tirei um fio de cabelo que caiu em seu olho e acariciei seu rosto com carinho.
- Lisa, você será feliz, pode confiar no que estou te dizendo. - Ela disse por fim me arrancando um sorriso forçado apenas para tranquiliza-la.
- Eu não tenho tanta certeza disso Darci, estou certa de que nunca saberei o que é me casar por amar alguém, meu casamento foi arranjado antes mesmo que eu pudesse opinar sobre. Afinal, quantos anos eu tinha quando decidiram por nós? Seis ? - Abri um pequeno sorriso e uma lágrima escorreu pelo meu rosto involuntariamente.
Suas mãos já enrugadas pela idade se aproximaram da minha pele com cuidado e a limparam.
- Eu entendo sua dor, querida. Mas me prometa que tentará ver o lado bom das coisas? - Ela perguntou esperançosa. Eu queria dizer que não, que não havia nenhum lado bom e que eu seria infeliz por toda minha vida. Mas vi esperança em seus olhos e não podia simplesmente dissipa-las sem sentir uma imensa dor em meu coração. Então menti.
— Tentarei. - Disse entredentes.
Ela enxugou as lágrimas e se reergueu repentinamente.
— Tudo pronto. Vamos? Seu pai não gosta de esperar.
Ajeitei meu cabelo e meu vestido no corpo, então eu e Darci descemos em direção ao jardim do palácio aonde as carruagens me esperavam e também minha família. Nossas mãos entrelaçadas era a única coisa capaz de me confortar e me fortalecer naquele momento.
Darci era a única pessoa capaz de me fazer sentir um pouco menos pior diante da situação.
Abracei então um por um, e reverenciei meu pai que me puxou para um abraço. A contragosto, o retribui o gesto.
— Seja feliz, querida. E mande notícias da França. - Ele disse com o queixo erguido, como se tudo aquilo fosse algo normal. E de certa forma, era. Casamentos arranjados entre princesas e futuros reis aconteciam com grande frequência.
Apenas fui capaz de assentir e dei de ombros rapidamente. Quanto antes pudesse ficar sozinha, melhor seria.
- Adeus .- Eu disse enquanto acenava para minha família adentrando na carruagem, não sabia quando tornaria a vê-los. Ou se de fato, um dia os veria novamente.
E para falar a verdade, não sabia se queria tornar a vê-los depois de tal episódio.
A minha única certeza era que, eu precisaria rever Darci custe o que custar.
O caminho foi longo, mas logo chegamos a um navio que me levaria ao meu destino, e que me deixaria sozinha em um lugar desconhecido com pessoas desconhecidas. A única coisa que pude levar de casa comigo foi Ana, minha companheira em todos os momentos e também não me abandonou nesse. Optei por ter comigo mais quatro de minhas lady's: Rosa, Dayane, Diana e Maria. Ao subirmos os degraus para embarcarmos no navio, apertei forte a mão de Ana e ela sorriu para mim como resposta.
Eu estava me sentindo totalmente perdida, e não havia nada que eu pudesse fazer para mudar aquela situação, então tentei focar no que faria quando fosse rainha, nas pessoas que poderia ajudar, no bem que poderia fazer diante de tanto poder.
Ainda era cedo para fazer planos, mas se entraria em algo tão distorcido do que um dia havia sonhado para mim, que então tirasse algum proveito disso.
O atual Rei Frederic, ainda era um homem jovem e forte para ao meu alívio o que me daria um curto intervalo de tempo para me acostumar com novas tarefas que viriam com o decorrer do tempo. Por mais que eu acreditasse firmemente que ser rainha não era algo que pudesse ser ensinado, eu poderia tentar aprender com a rainha atual enquanto não chegava minha vez de assumir o trono junto ao meu futuro marido. Bufei em pensar nessas palavras.