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1331 Words
Lívia Perdida em meus pensamentos sobre aquele homem mas acima de tudo, feliz por estar com meu pai, acabei dormindo. No dia seguinte acordei, escovei os dentes, tomei banho e desci para encontrar meu pai, ele já estava lá embaixo sentado a mesa. — Bom dia. — abriu um largo sorriso ao me ver — Vem filha, junte-se a mim. Fui até ele, o cumprimentei e me sentei para tomarmos café da manhã juntos. — Pai, eu estou tão feliz de estar aqui... — declarei suspirando. — Que bom minha querida. Eu também estou muito feliz por ter você comigo, minha princesa. — ele respondeu sorrindo, meu pai era o melhor homem do mundo. Ergui a mão até a sua e apertei levemente. — Eu preciso ir até a cidade para pegar algumas coisas na escola, meu histórico e algumas provas. Ouvi dizer que para iniciar na faculdade, deve ter o histórico escolar. O senhor pode me levar? — Oh, hoje eu tenho muito serviço aqui na fazenda. Mas eu posso mandar algum dos empregados levar você lá. — Ah sim, tudo bem. — Você quer fazer faculdade de que? — Veterinária, eu amo animais, apesar de nunca ter podido ter um. Certa vez me atrevi a pegar um gatinho para cuidar e o i****a do Leonel o matou. Fiz uma careta ao lembrar. — Maldito. — meu pai cerrou os punhos. — Ele é um monstro. Decidi mudar de assunto, falar sobre aquele homem poderia acabar com o dia de qualquer um e eu não queria estragar meu primeiro dia completo na fazenda. — Esse bolo está tão bom. Quem fez? — perguntei me servindo de um segundo pedaço do bolo de milho, mesmo sabendo que era a Maria que cozinhava. — A Maria, ela tem mãos de fada. — percebo um brilho nos olhos do meu pai — Quando terminar, vá pegar o que tem pra pegar enquanto eu chamo alguém para levar você na cidade. — Tudo bem. — assenti e terminei meu café da manhã. Subi correndo, sempre tive essa mania de andar correndo pela casa e muitas vezes apanhava por isso. Peguei minhas coisas, mas não encontrava um bendito papel com o comprovante da solicitação do histórico. — Lívia! — ouvi meu pai chamar. — Já vou pai! — exclamei — Desculpa, eu não estava encontrando um papel importante dentro da mala. — justifiquei enquanto descia a escada correndo. Quase tropecei no último degrau da escada quando cheguei lá embaixo e dei de cara com o moço arrogante. — Filha, esse é o Demétrio. Ele irá levá-la até a cidade para mim. Demétrio essa é a minha filha Lívia. — Oi. — Demétrio falou friamente. — Oi. — respondi da mesma forma — Vamos? Tchau pai, até logo. Me despedi do meu pai e fui em direção a caminhonete que estava parada em frente as escadas da casa, logo supus que seria a do Demétrio, e por incrível que pareça ele abriu a porta do carro para mim. Apesar de ser arrogante pelo menos era um pouco cavalheiro. Quando ele deu partida e o silêncio ficou muito incômodo para mim, tentei puxar assunto. — Você trabalha com meu pai há muito tempo? — Sim. — respondeu seco. — Você mora naquelas casinhas bonitinhas que eu avistei da varanda? — tentei me aprofundar. — Gostaria que ficássemos em silêncio e que parasse de ser curiosa. — disse sem tirar os olhos da estrada. Então fiquei quieta e não perguntei mais nada. Chegando na cidade, ele dirigiu corretamente até a escola. Entrei na instituição e peguei o que tinha de pegar e voltei para o carro. — Pronto. Podemos ir. — falei baixo, sem olhar para ele. No caminho de volta para a fazenda, eu permaneci em silêncio e foi quando um barulho estranho soou na parte inferior da caminhonete. — p***a. — Demétrio xingou, parou o carro e desceu. — O que aconteceu? — indaguei. — O pneu furou. — fiquei surpresa por ele me responder. Desci do carro trás dele e observei quando ele começou a pegar algumas coisas e um estepe para trocar o pneu. — Você quer ajuda? — perguntei, mesmo sabendo que não sabia nada sobre trocar um pneu. — Achei que não iria perguntar. Vai me dando o que eu pedir. — Ok. Ajudei ele a trocar o pneu e quando terminamos, ele estava sujo de graxa, assim como minhas mãos. De repente ele tirou sua camisa irritado por ter se sujado revelando assim seu corpo bronzeado, dando-me a visão de seus músculos bem definidos que me deixaram boquiaberta. Ele era a perfeição no quesito beleza. Olhar aquilo fez meu corpo esquentar, de imediato fiquei envergonhada por ter sentido isso. Mordi o lábio involuntariamente e no momento em que ele olhou para mim eu disfarcei meu olhar virando o rosto, ele vestiu outra camisa, eu entrei no carro e continuamos o caminho de volta. Quando estávamos passando por uma ponte, ele parou bruscamente, fazendo meu corpo dar um impulso para frente que se não fosse o cinto de segurança, eu estaria com o nariz quebrado. — Você ouviu isso? — perguntou. — Não. Eu estava distraída. O que foi?  Demétrio desceu do carro correndo como um louco e eu fui atrás preocupada e confusa. — O que você ouviu? — gritei indo atrás dele. Ele desceu rápido em um barranco e lá tinha um carro quase pegado fogo com uma pessoa dentro gritando cansado por socorro. Meu coração começou martelar o peito e o pavor tomou conta de mim. — Oh, meu Deus! — Vá até a caminhonete e ligue para a emergência! Meu celular está no porta luvas. — gritou enquanto tentava tirar o homem de dentro do carro. Fiz como ele disse, corri até o carro e peguei o celular, disquei o número da emergência e dei as cordenadas de onde estávamos, para minha sorte a ponte era uma referência e uma placa mais a frente também, caso contrário eu não saberia indicar o local. Voltei para o barranco e o vi lutando para tirar o homem, o fogo começava a ficar mais forte na parte traseira do automóvel caído. Para piorar ou melhorar, começou a chover, e depois de alguns minutos, Demétrio conseguiu tirar o homem que já estava desacordado. — Temos que nos afastar, o carro pode explodir. — ele falou, puxando o homem com o cuidado que podia para mais longe do carro em chamas. E quando estávamos distante, o barulho de uma explosão encheu nossos ouvidos. Meu estômago revirou, iria explodir com o homem dentro se Demétrio não tivesse o tirado de lá, era um senhor de idade. A emergência chegou rápido, como se já estivessem passando pelas redondezas, aplicaram os primeiros socorros e o levaram para o hospital. — Espero que ele fique bem. — eu disse e olhei para ele. Estávamos encharcados. — Eu também. — respondeu tenso, olhando para o nada. — Vamos embora, já está tarde e seu pai já deve estar preocupado. — Ok. Demétrio deu partida outra vez e eu fechei a janela quando o vento ficou muito forte e eu comecei a tremer de frio, sempre fui sensível ao frio, qualquer vento meu queixo já começava a bater e minha boca ficava roxa. Ele percebeu que eu estava com frio e pegou uma camisa dele no banco de trás e jogou no meu colo, em silêncio. Eu entendi o recado e vesti a camisa também em silêncio, mesmo ele sendo rude, foi um gesto doce. Quando finalmente chegamos a fazenda, ele abriu a porta do carro pra mim e eu desci. — Demétrio... — o chamei — Obrigada. Ele apenas assentiu com a cabeça e virou as costas. Entrei em casa, meu pai não estava em nenhum lugar, então fui para o meu quarto, sentei-me na cama, tirei a camisa do Demétrio e senti o cheiro dele. Mesmo ele sendo tão rude, eu não conseguia parar de pensar nele.
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