Aluga-se Uma Verdade

2415 Words
O que dizer de um homem que jurou a vida inteira que jamais sucumbiria àquilo que seus desejos profanos queriam e que agora encontrava-se sem roupas dividindo a mesma cama com um homem igualmente nu? Aquela ideia louca lhe surgira em um momento claro de desejo, que só era reprimido diante do medo extremo que ainda sentia. À Jeongguk nada restava, senão acatar ao que seu dono queria.    Yoongi estava sofrendo, sua dor estava estampada em sua testa e escrita em letras garrafais, mas de sua boca a maior mentira já dita por ele escapou “eu aguento”, o que foi dito em total ciência de que não aguentaria. Aliás, já nem aguentava, a ideia de ver o menino Jeon indo embora já partia seu coração. Negou ser paixão, e negaria quanto mais fosse preciso. Seria baixo demais se apaixonar por um garoto de programa. Não queria enxergar Jeongguk daquela maneira. — Por que você faz isso? — a pergunta escapou no meio de um sussurro, estava curioso e acabou pensando alto. O Jeon ouviu, e sabia exatamente do que o Min estava falando, também se mantinha em curiosidade sobre a vida particular de seu peculiar cliente. Queria saber quem era Min Yoongi, tanto quanto Min Yoongi queria saber quem era Jeon Jeongguk. — Eu é que faço essa pergunta. — o indagou na busca de virar o jogo, de certa forma a sua vida pessoal era algo complicado, algo que não queria que fosse divulgado a ninguém. Ninguém entenderia — Por que me contratou? Trincou seus dentes para ter certeza de que a verdade não escaparia. E o que mais poderia dizer além de um “porque sou covarde demais para me relacionar com alguém que não seja obrigado a fazer minhas vontades”? Não, isso seria humilhante, e já era humilhante demais só o fato de ter que mentir. Mentir era admitir a si que a verdade o diminuiria. — Quanto eu preciso pagar pra saber do seu passado? — um sorrisinho divertido surgiu nos lábios do Min enquanto sua boca se aproximava da do Jeon. Seu cotovelo apoiava-se no colchão para erguer sua cabeça, enquanto o outro braço estendia-se sobre o peito nu do mais novo, deslizando os dedos sobre aquela tatuagem tão chamativa — Você quer um carro? Ou talvez uma casa? Eu posso te dar os dois se preferir. O sorriso poderia indicar uma brincadeira, mas ambos estavam bem cientes de que Yoongi seria capaz de gastar ainda mais se fosse preciso, tudo para sanar aquela curiosidade que tanto martelava em sua cabeça. Se fosse outro ali, tiraria proveito disso. Mas se fosse outro ali, aquela oferta não estaria sendo feito. Era pelo Jeon, tudo por aquele menino tão cheio de mistérios. — Você sabe o que eu quero. — a mão que segurava a cintura do mais velho deslizou um pouco mais, indo na direção de suas nádegas cobertas apenas pelo tecido fino do lençol. Quando em meio à sua loucura, o Min pedira para que os dois se deitassem nus sobre a cama, mas isso não significava que havia deixado o Jeon o ver completamente sem roupas, e também havia fechado os olhos quando o mais novo tirou sua última peça de roupa. Só se despiu completamente quando ficou por baixo do lençol. — Já conversamos sobre isso. — suas mãos gelaram de nervoso e rapidamente expulsou a mão do Jeon de onde estava querendo tocar, o mais novo acabou por voltar sua mão para a cintura do mesmo novamente. E de que adiantaria discutir? Não era acostumado a passar tanto tempo com alguém daquela forma, seu corpo sentia falta do contato humano mais íntimo, seu corpo ardia em abstinência. Era fato, aquela pureza exalada de Yoongi o excitava, o nervosismo e as desculpas esfarrapadas para fugir o deixavam cada vez mais louco e com mais vontade. O queria, mas algo dentro de si ainda gritava para não fazer isso. Tirar a virgindade da alma do Min resultaria em um grande estrago, que poderia não ter mais volta. A paixão crescente de Yoongi era clara, Jeongguk sabia disso enxergava isso, e estava em suas mãos a escolha de piorar ainda mais ou forçar uma parada brusca. Yoongi ainda era apenas seu cliente? — Também já o avisei que não lhe diria nada sobre a minha vida. — Apenas fiz uma oferta. — Eu também. Por dois segundos Yoongi pareceu pensar e chegar a uma conclusão. A mão que estava sobre o peito do Jeon foi para os olhos do mesmo, os fechando e mantendo a mão ali. Se esforçou mais um pouco para passar uma das pernas sobre o rapaz, sentando-se assim sobre seu abdômen, ainda conseguiu ajeitar o lençol sobre si tapando as partes mais importantes de seu corpo. Tirou a mão de sobre os olhos do rapaz. Jeongguk não havia entendido, ou pelo menos não queria entender da maneira errada. Espalmou suas mãos sobre o peito do Jeon, encarava apenas seus olhos, o que era recíproco. — Não se trata de sexo, nunca se tratou. — Yoongi falou com firmeza enquanto suas mãos deslizavam em direção ao pescoço do rapaz. Jeongguk ergueu seu corpo o fazendo escorregar em direção ao seu m****o, o segurava pela cintura enquanto o mais velho mantinha as mãos em volta de seu pescoço. Aproximou mais seus corpos, ouviu um leve suspiro escapar dos lábios do Min. — Uma verdade por outra. — foi o que obteve por resposta. Puxou o mais novo em direção ao seu rosto até conseguir juntar seus lábios aos dele. O beijo foi lento, e diferente dos outros, que eram bons, porém mecânicos, esse vinha carregado de um sentimento, ao qual o Min não saberia dizer qual, porém sabia que existia. Sendo isso ou não uma neurose de sua cabeça. Segurou o rosto do Jeon com ambas as mãos, e à medida que o ósculo vinha chegando ao fim, as batidas em seu coração aumentavam mais. A distância veio a existir entre suas bocas, as respirações perdidas numa só, agora a briga se fazia por oxigênio. As mãos do Min retornaram para a nuca do rapaz, o Jeon não havia largado sua cintura. — Você está duro. — ainda sentia vergonha ao falar isso, ainda mais estando a sentir o pulsar do mais novo abaixo de si. Era o mais longe que já havia ido, o mais íntimo que chegara na companhia de um homem, porém as sensações que percorriam por seu corpo eram bem mais do que qualquer prazer que já havia sentido em toda a sua vida. Era quente, e ao mesmo tempo seu estômago congelava pelo nervosismo. Estar com o menino Jeon era se perder em milhares de sensações microscópicas. Era estar no meio do Big Bang. — O culpado está diante dos meus olhos. Yoongi sorriu de lado, queria que aquele sorriso tivesse sido mais verdadeiro, porém a insegurança era clara. Puxou mais do lençol para o espaço entre seus corpos e se arrastou para trás, até que não estivesse mais sobre o m****o do Jeon, e agora estava sentado sobre suas coxas. O lençol vermelho os cobria na intenção de diminuir a vergonha que o Min sentia. Suas mãos frias tremiam quando se esconderam no mar vermelho daqueles panos, desceu mais um pouco buscando por algo. O Jeon suspirou involuntariamente no momento em que sentiu uma das mãos do menor tocar a base de seu pênis. Sua cabeça acabou indo para trás no movimento lento de subir e descer feito pelo mais velho. Yoongi só tinha experiencia em fazer isso em si mesmo, o que já era suficiente para ser bom. — O quanto suportou por mim, Jeon? O mais novo mordeu o lábio inferior com força, reprimia em sua cabeça o desejo de jogar seu corpo sobre o do menor e matar de vez aquela vontade. Por que as coisas tinham que ser assim? Yoongi estava brincando com fogo, e espalhando querosene em redor de si. Bastava apenas uma faísca para tudo ir pelos ares. Yoongi continuou subindo e descendo sua mão, sentia seu m****o também endurecer diante daquela situação, e não demorou muito até juntar coragem o suficiente para juntar ambas as ereções e masturbá-los juntos com ambas as mãos. Aumentava o ritmo de seus motivos hora ou outra, queria ouvir o mais novo gemer, mas o gemido demorava a vir. Ouvia seus suspiros, o tempo passava. Encontrou a velocidade certa que agradava a ambos, desceu uma das mãos para os testículos do mesmo, o que parecia agrada-lo. Até então mantinha a coragem de fazer aquilo, mas sua coragem foi morrendo no momento em que o Jeon passou a encara-lo nos olhos, aquela mesma expressão de prazer descarada, enquanto o Min tentava a todo custo esconder a sua. Uma das mãos do Jeon desceu para dentro dos lençóis, e Yoongi não conseguiu conter a expressão de surpresa ao sentir-se sento masturbado pelo mesmo. Queria gemer naquele momento, mordeu seus lábios tentando evitar. Continuou os movimentos com o m****o do mais novo enquanto o rapaz lhe fazia o mesmo, porém de uma maneira que o fazia querer gritar. Era tão diferente do toque dela, com ele não precisava fechar os olhos e imaginar outra situação, com ele... Com ele podia manter seus olhos bem abertos, admirar seu rosto.   — Não se contenha, Yoongi. Se conter? Estava à ponto de explodir. Os minutos se passavam. Gemeu, gemeu mais alto do que esperava quando sentiu seu limite chegar, o líquido quente escorreu pela mão do Jeon. Seu rosto estava vermelho, tanto pela vergonha, quanto pelo calor. Parou de mover suas mãos no momento em que viu o mais novo lamber os dedos provando seu sémen. Quase desmaiou naquele exato momento. — Tão doce quanto você, Yoongi. Ficou calado, e não saberia o que dizer de qualquer maneira. O que se fala quando alguém diz isso? “Obrigado”? Por alguns segundos se perguntou internamente o que fazer, até o mais novo deitar seu corpo por sobre o colchão. Não mentiria, ficou com medo. Mas ele não fez nada. — Feche os olhos se quiser. O Min apenas os fechou, sem dúvida nenhuma estava ficando apavorado, mas sua confiança no Jeon era surpreendente maior. Por alguns minutos tudo o que ouvia era o som dos movimentos do mais novo e suas arfadas, até finalmente sentir as gotas quentes do sémen do mesmo cair em sua barriga. As pernas do Jeon tremeram, e seu corpo caiu sobre o do menor. Silêncio. Por alguns minutos tudo ali era apenas o som da respiração pesada de ambos, um silêncio que podia ser cortado com faca. — Você tirou o lençol. — Yoongi falou depois de minutos pensando no que dizer. — Isso faz diferença agora? — Não. Sentiu Yoongi o empurrando para levantar, seu peso facilmente o sufocaria caso dormissem daquela maneira. Jeongguk os limpou com o lençol, e mesmo envergonhado Yoongi ficou de pé e sem roupas diante do mais novo enquanto ele o limpava. — Vamos tomar um banho. Yoongi o segurou pelo pulso enquanto o puxava junto para o banheiro. Ligou todas as torneiras para a banheira encher mais rápido. Era constrangedor ficar nu diante do Jeon depois de terem feito aquilo, queria se esconder, mas não havia onde. Não demorou muito até a banheira encher completamente, fechou as torneiras e esperou Jeongguk entrar nela, o mais novo encostou as costas em uma das bordas, a água transparente permitia ver tudo. E envolto de uma grande coragem que insistia em se agarrar, o Min se encaixou sentando sobre os quadris do Jeon, que não estranhou e apenas o abraçou pela cintura. — Faço isso pelo meu irmão. — a informação veio sem ser chamada, surpreendendo o mais velho, que ainda ficou em silêncio esperando o Jeon continuar — Quero dar a ele aquilo que eu não pude ter. — Mas por que seguir por esse caminho? Era uma boa pergunta, Jeongguk poderia conseguir dinheiro por outros meios mais dignos, poderia arrumar um trabalho decente e cuidar de seu irmão. Aquela vida, aquela vida não era pra ele. — Porque era mais rápido. — a resposta veio como obviedade — Em seis meses eu já tinha todo o dinheiro que precisava, meu valor de mercado subiu muito rápido, elas me queriam, e os homens pagavam ainda mais caro para me ter, eu tinha tudo, finalmente tinha a vida luxuosa que tanto desejava. Mas deveria saber que tudo na vida tem um preço. — Que preço você pagou, Jeongguk? Silêncio. Yoongi abraçou o Jeon pelo pescoço, sendo retribuído com um aperto ainda mais forte em sua cintura. Tocou num ponto que era desconfortável, estava descascando uma ferida que Jeongguk lutava para sarar. Sentiu-se m*l, não deveria ter insistido naquilo, deveria ter respeitado o silêncio e a vontade do mais novo. Jeongguk não era obrigado a compartilhar isso consigo. — Minha família tem nojo de mim. —Jeongguk estava sendo frio, mas de certa forma Yoongi sabia o quanto ele estava sofrendo por dentro — Não posso mais ver o meu irmão, eles não querem saber do dinheiro sujo da minha prostituição, querem que eu morra. Já deveria ter imaginado. Que família aceitaria um filho vivendo daquela forma? Era desonroso. Mas fingir que o filho não existe e desejar a sua morte era passar dos limites, era c***l. Todavia, julgar os pais de Jeongguk era julgar os seus próprios, pois possuía plena convicção de que aconteceria o mesmo consigo caso se submetesse a esse tipo de vida. Seus pais não foram capazes de aceitar nem sequer um filho homossexual, nunca aceitariam um filho que se vendia. — Desde então a minha vida se resume em ser o brinquedo de alguém, conhecer alguém diferente todas as semanas, viajar, conhecer novos lugares, ganhar presentes caros e ainda estar sob a segurança de um contrato. Eles não podem me ferir e nem me obrigar a nada que eu não queira fazer, e se quiserem algo que está fora do contrato precisam pagar caro por isso. — Mas você é feliz assim, Jeongguk? Silêncio novamente. Jeongguk encarou Yoongi por longos segundos, o Min ainda esperava uma resposta, em seus olhos conseguia enxergar algo parecido com esperança. Era absurdo, o que era aquele sentimento em Yoongi? Por que ele parecia se importar tanto? Estava errado, isso era errado, Yoongi estava quebrando seu contrato e ultrapassando limites jamais antes ultrapassados. — Quanto vai me pagar por essa informação, Yoongi?
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