- Ta bem amor - olhou pra mim - pode ficar sim Lua, aqui também é a sua casa e você pode ficar o tempo que você quiser, a mulher do seu pai ta fazendo alguma coisa contigo? - eu neguei, o Lohan me olhou com a cara de "conta pra ela" e eu neguei pra ele tbm.
- Vamo Lohan, colocar minha bolsa no teu quarto, se importa de eu dormir contigo? - falei passando pela Alessandra e jogando a bolsa em cima dele.
- Me importo - falou segurando minha bolsa e eu dei um tapa nele - mas como você adora ficar grudado comigo eu deixo.
Falou rindo e nós subimos as escadas correndo.
Ficamos no quarto fazendo de tudo um pouco, conversamos, assistimos filme, cochilamos, as meninas me avisaram que hoje não teria aula, então eu fiquei mais tranquila, pq eu tava aqui pensando no que eu ia andar e gastar pra chegar lá.
Perturbei o Lohan pra fazer pipoca pra gente e ele cheio de graça falando pra eu ir fazer, falou que eu não era mais visita então eu poderia circular a vontade pela casa.
O chato me explicou onde estava a pipoca e então eu fui fazer, sai do quarto e atravessei o corredor rápido, desci as escadas e por mim passei pela sala e entrei na cozinha.
Me agachei pra abrir o armário e ouvi um pigarro, olhei pra trás e era a Alessandra, ela deu um sorriso e eu estiquei meu braço e peguei a pipoca, logo fechei o armário e levantei.
- Lohan te mandou fazer pipoca né - ela falou rindo e eu assenti - garoto folgado.
Tirei o saco de pipoca da embalagem, abri o microondas e ajeitei o saco lá dentro.
Liguei o microondas e me virei pra Alessandra.
- Ale..- ela me olhou rápido - é.. Então eu queria te fazer uma pergunta.
- Pode perguntar, o que houve? - falou e se escorou na pia.
- Então, meu pai me deu um cel no meu aniversário e eu quero dar o meu antigo pro Lucas, posso? - ela deu um sorriso.
- Mas é claro que pode, Luana, ele vai amar - ela falou, o microondas apitou e eu fui tirar a pipoca, peguei o sal colocando um pouco no saco, sacudi e provei, tava ótimo.
Fui andando pra fora da cozinha e ela me chamou.
- Lua - eu parei ainda de costas - desculpa Luana - eu virei pra ela e ela se aproximou de mim.
- Eu sei que você não me aceita por conta do que aconteceu lá atrás, eu peço desculpas de coração, mas eu decidi fazer isso pro seu bem, ninguém melhor que a minha mãe pra cuidar do meu bem mais precioso - ela falava olhando nos meus olhos - você pode achar que eu sou a pior mãe do mundo, mas eu não podia deixar você perto do Bruno e...
- Você ficou com os meninos, abriu mão de mim mas ficou com eles e porque só abriu mão de mim? - falei a olhando e os olhos dela fora lacrimejando.
- Não, eu não abri mão de você, eu só queria te proteger.
- Não Alessandra, você abriu mão de mim sim, preferiu ficar com um cara que não te ajuda em nada, só está com você pra ficar nas costas do tio índio - falei pra ela e ela negou.
- Não é isso Luana, você não entende. O Bruno não tem ninguém alem do Lucas, a família dele o abandonou quando... - ela parou de falar e ficou me olhando.
- Quando virou um viciado? - falei por falar e ela assentiu.
- Abriu mão de mim pra ficar com um viciado? - eu soltei um riso sarcástico - vou ficar aqui por muito tempo não, logo meu pai ta de volta e eu irei voltar pra casa, mas mesmo assim eu agradeço a você por me deixar ficar aqui.
Falei e sai andando, fui pro quarto e o Léo estava lá na cama dele sentado, sentei do lado dele e ele deu um beijo na minha testa.
- Passei rapido mas vi você e a mãe na cozinha, se resolveram? - eu neguei.
- Conversei com ela a respeito do celular que eu quero dar ao Lucas - falei pegando um pouco da pipoca, Lohan pegou o saco da minha mão - e ela deixou.
O mês passou e eu finalmente voltei pra casa, cheguei a noite depois da faculdade e meu pai ja estava lá, quando entrei em casa ele e a Fernanda estavam estranhos, com toda certeza eles discutiram.
Fechei a porta e meu pai veio na minha direção, nos abraçamos e ele deu um beijo no topo da cabeça.
- Como você ta filha? Foi legal lá com a sua mãe? - perguntou se afastando um pouco e pegou minha bolsa.
- Foi normal, e a sua viagem? - perguntei enquanto a gente caminhava, entramos no meu quarto e ele fechou a porta.
- E aqui com a Fernanda como foi? - ele perguntou e eu fiquei o encarando - pode contar Lua.
- Sinceramente pai, tem sido difícil, mas eu não quero atrapalhar seu relacionamento - falei soltando o ar.
- Atrapalhar? Luana, você é minha filha, eu tenho que te priorizar independente do que aconteça - ele falou sentando na cama e eu sentei do lado dele.
- Eu sei, mas você gosta dela, entende? - ele assentiu - e eu não quero atrapalhar isso.
- Você não vai atrapalhar, eu gosto dela sim, mas você é minha filha e você vem sempre em primeiro lugar.
- Pai, é desgastante eu faço tudo dentro de casa quando a Vilma não está aqui, eu to sentindo que moro de favor aqui e eu ouvi a conversa de vocês no dia do meu aniversário - eu falei e ele ficou me olhando - se o senhor quiser que eu saia, eu saio sem problemas, fico lá na casa da minha vó, ano que vem eu ja estou maior de idade.
- Se você quiser eu fico lá, mas você me ajuda até eu conseguir um emprego - falei e ele balançou a cabeça.
- Para de besteira Lua, eu faço gosto de você estár aqui comigo - ele falou pra mim.
- Sim, mas eu to atrapalhando o teu relacionamento, eu sei que ela não gosta de mim e não quero que vocês fiquei brigando por minha causa.
Ficamos conversando sobre isso um tempão, ele falou que ia conversar com ela, pois o único jeito da gente viver em harmonia é uma ajudando a outra, pq ja que ela ta trabalhando de casa por enquanto, ela pode parar alguns minutos pra fazer alguma coisa.
Meu pai passou duas semanas em casa, e nesse tempo ele e a Fernanda faziam tudo juntos, eu até ajudava, mas o café da manhã, almoço e janta eram eles juntinhos.
Nessas duas semanas eu não fui pro complexo, por mais que eu fique lá com os meus irmãos, a casa não é minha, já que eu fico incomodada sempre que vou lá então eu mesma tenho que me retirar.
Esses dias eu fiquei ativa nas redes sociais, fiquei procurando um estágio jovem aprediz no notbook que o tio índio me deu de aniversário pra eu não ter que depender do meu pai sempre, ainda mais agora né.
Os meses foram passando mais rápido que bala, a semana das provas da faculdade chegou e eu tô vivendo a base de energético, a ponto de ter um piripaque e ir de arrasta, só to sabendo estudar, revisar e estudar, quando tô indo pra faculdade é uma latinha de red bull na mão enquanto leio os resumos.
Último dia de prova eu saindo da sala praticamente dormindo, eu andando igual a um zumbi, senti pegarem no meu ombro e olhei rápido.
- Meu Deus Luana, que cara de morta é essa? - Mel falou me parando e logo as meninas alcançaram a gente.
- Garota é muito sono acumulado, nunca estudei tanto igual a esses dias - falei depois de bocejar e s Tati chegou perto de mim e me abraçou.
- Tadinha da minha filha - falou passando a mão no meu cabelo.
- Tatiane, ela vai dormir - a Melissa falou e ri sorri com os olhos fechados. - tem ido na favela Luana? - ela perguntou e eu balancei a cabeça que não ainda abraçada na Tati.
- Ai gente, sextinha saímos cedo, o que acham de fazermos uma social? - Diana perguntou e eu balancei os ombros.
- Pode ser, to com saudades de ta grudadas com vocês, pode ser lá em casa - Tatiane falou - vamos Lua?
- Bem que eu queria, mas eu tô morrendo de sono - falei me afastando dela e cocei os olhos - acho melhor eu ir pra casa.
- Você não ta podendo ir sozinha Luana, vamos com a gente lá pra casa e lá você descansa - Tati falou e eu assenti.
Graças a Deus ela tem carro, só usa mesmo pra vim pra faculdade, porque pra sair nem rola, essa vaca bebe mais que um opala.
Fui abraçada com ela até o estacionamento, ela destravou o carro, abri a porta e fui sentar no banco traseiro, Diana foi comigo e a Melissa foi com ela na frente, eu só encostei a cabeça e os meus olhos pesaram...