đź“– CapĂtulo 23 — Ricardo narrando A mulher da varanda Sempre gostei da madrugada. NĂŁo porque fosse um homem tranquilo. Muito pelo contrário. Era justamente porque a madrugada fazia a comunidade diminuir o ritmo. Os rádios paravam de chiar. As motos diminuĂam. As conversas ficavam mais baixas. E, por algumas horas… Eu conseguia respirar. Subi para a cobertura pouco depois que deixei a roda de samba. Larguei a chave do carro sobre a bancada da cozinha. Tirei o relĂłgio. Abri dois botões da camisa. O silĂŞncio da casa me recebeu como fazia todas as noites. Grande. Frio. Vazio. Caminhei atĂ© o bar. Abri a garrafa de whisky. Servi apenas um dedo no copo. Ultimamente eu vinha tentando diminuir. Nem sempre conseguia. Peguei o maço de cigarros. O isqueiro. E fui para a varand

