CH 4

1537 Words
Nora sorriu para os pais ao entrar no restaurante. Eles já estavam lá, esperando por ela. Ela levantou a mão e acenou para eles, depois os abraçou bem forte. Estava realmente muito feliz em vê-los, pessoas que a amavam e nunca a tratariam m*l. Sentia falta dos dias em que vivia em uma Alcateia cercada por amigos e pessoas em quem podia confiar. Também sentiu, pela primeira vez em semanas, que Rosa, sua loba, havia voltado à tona em sua mente. Isso aconteceu pouco depois de saírem do território da Alcateia, e agora sua loba estava presente em sua mente, feliz por ver os pais também. Rosa ficou ali, os observando durante todo o tempo em que almoçavam. Estava claro para Nora que Rosa também sentia saudade dos pais e queria vê-los e passar tempo com eles. Então, não apenas almoçariam, mas ela pediria sobremesa e café. Talvez também fizessem um longo passeio, passassem mais tempo fora da Alcateia e se sentissem normais, ela supôs. Estar fora de vista significava, para ela, estar fora da mente, e essa era sua atitude naquele momento. Ela falou quase sem parar sobre seu curso e como estava indo bem, que achava que iria tirar nota máxima em uma das disciplinas neste semestre. Não havia nada que ela gostasse mais do que conversar com seus pais amorosos sobre o quão bem estava se saindo na universidade. Eles também estavam orgulhosos dela e de seu desempenho. Ela os incentivou a contar sobre a vida na Alcateia de origem, e soube que as coisas estavam indo bem para ambos os pais. Então, durante aquele passeio tranquilo por um grande parque, foi lembrada de que sua irmãzinha Nita faria 16 anos na próxima semana e que ela deveria voltar para casa para estar presente na emergência da loba de Nita na próxima lua cheia. Nora sorriu e assentiu. — Claro que estarei lá; não perderia por nada neste mundo. Ela já sabe algo sobre sua loba? — perguntou. Ela conseguira falar com Rosa três semanas antes de recebê-la. — Não, mas sabemos que ela terá sua loba, assim como você teve. — respondeu sua mãe, sorrindo. — Agora, Nora, você trará Jace com você? — perguntou seu pai enquanto se aproximavam do carro, mas antes de entrarem. Ela conseguiu manter a conversa longe daquele homem durante todo o almoço e o passeio, mas lá estava a pergunta que ela não queria enfrentar. — Não, desculpem, ele estará em um baile de acasalamento em uma das Alcateias aliadas — respondeu ela. E ele realmente estaria, o que era bom para ela; teria três dias sem precisar se preocupar com acordar e encontrá-lo a tocando. Ela conseguiu evitá-lo algumas vezes dizendo que precisava estudar e ficou na biblioteca da Alcateia, onde até dormiu algumas vezes, só para não ir para a cama na suíte do Alfa. Recebeu um olhar irritado dele em cada ocasião, mas desviava os olhos e murmurava um pedido de desculpas: — Me desculpe, adormeci enquanto estudava. — Inclinava a cabeça para ele como faria um bom m****o da Alcateia, embora soubesse que uma Luna nunca precisava fazer isso para seu Companheiro Alfa. Ele não lhe disse para não fazer isso, provavelmente queria que ela fosse submissa e se curvasse a ele o tempo todo, mostrando que ele tinha controle sobre ela, o que era exatamente o que ela queria que ele pensasse. Assim, ele achava que estava conseguindo tudo o que queria: sua Companheira e sua Luna também. Só que ele não tinha mais o coração dela; este estava ficando frio e se enchendo de amargura em relação a ele. A desculpa de não ir para a cama com ele porque adormeceu enquanto estudava era sua salvação duas ou três noites por semana. Algumas vezes, ela mentiu descaradamente para ele, dizendo que estava saindo com algumas garotas para uma noite de cinema no teatro da Alcateia, para não esperá-la. Ele apenas desconectava o vínculo mental com ela cada vez que ela fazia isso, embora ela sentisse a irritação dele através do vínculo antes de ser cortado. Ele não podia engravidá-la se ela não estivesse na cama dele, e ela achava que era exatamente isso que o irritava. Considerando que era tudo o que ele queria dela. Nora também sabia que não precisava se preocupar com ele tentando sentir o que ela estava sentindo através do laço do vínculo de companheiros, porque ele não se importava nem um pouco em saber o que ela sentia. Ela ainda tinha que aturar ele tocando Gloria, e isso a lembrava, todas as vezes, que ele não se importava com ela. Agora era algo diário, às vezes mais de uma vez; ele realmente era um Companheiro desprezível. Ela só esperava que ele tivesse o bom senso de não fazer nada com aquela loba hoje. Enquanto estava com seus pais, ela não conseguia evitar o sibilo de dor no primeiro momento em que ele tocava Gloria. Nunca sabia quando isso ia acontecer e não conseguia controlar sua reação. Podia suportar alguns segundos depois, mas sabia que seus pais entenderiam exatamente o que era se a ouvissem sibilando de dor sem motivo aparente. O Gama dele parou e a encarou uma vez, apenas duas semanas atrás, quando ela soltou um gemido de dor ao caminhar pelo corredor em direção à biblioteca. Ele vinha pelo corredor com um livro na mão, os olhos na página que o interessava, quando ouviu e ergueu a cabeça de repente. Ela sentiu aquelas dores de traição queimarem seu lábio inferior e se perguntou se Jace havia beijado Gloria ou passado o polegar pela boca dela. Fora breve, felizmente, mas ela acabou mordendo o próprio lábio e tirando sangue. Olhou para Matt, seu suposto Gama, mas que na verdade era de Gloria, e a atenção súbita e total dele estava sobre ela. Ela murmurou: — Mordi meu maldito lábio. — O que era verdade, ela podia sentir o gosto do sangue, e então se afastou rapidamente dele, antes que ele percebesse algo mais. Não precisava dele tentando confortá-la quando sabia o que seu próprio Alfa estava fazendo com ela. Não queria nada com nenhum deles e não queria aquele Gama tentando consolá-la quando, na verdade, também não se importava com ela. Nora viu seu pai franzir a testa diante de sua resposta. Ele esperava que ela dissesse sim, porque que Luna viajava sozinha para sua Alcateia natal sem seu Companheiro Alfa? Era praticamente inédito no mundo deles. Alfas eram criaturas possessivas e protetoras, e proteger sua Luna era sua maior prioridade. Ela se perguntou distraidamente o que aconteceria se a Alcateia fosse atacada e ela não estivesse na casa da Alcateia. Será que Gloria simplesmente a trancaria do lado de fora? Provavelmente sim, pensou após apenas um minuto. Se ela não existisse, Jace seria todo de Gloria, e era isso que ela queria. — Ele está muito ocupado — disse ela com um meio sorriso. — Ele tem 130 anos e tudo dentro da Alcateia dele é planejado com meses de antecedência, então, às vezes, não há como evitar. Eu entendo isso — ela afirmou, conseguindo dar um sorriso genuíno para ambos, mãe e pai. — Vou dizer a ele onde estou indo, e se ele tiver preocupações, tenho certeza de que ele garantirá uma escolta completa. Mas sei que ele não vai me impedir de ver minha irmã se transformar pela primeira vez. É algo importante em todas as famílias, ver seus irmãos se transformarem e se conectarem com seus lobos. Seu pai a encarou por um momento e então assentiu lentamente. — Tudo bem, você nos contaria se algo estivesse errado, certo? — perguntou ele. Ela sorriu e girou o corpo. — Eu pareço estar doente para você? — ela perguntou, sorrindo, embora tivesse perdido alguns quilos, o que poderia ser atribuído a um novo e vigoroso vínculo de companheiros, toda a atividade no quarto. Na verdade, ela havia emagrecido um pouco, e sua figura, que era mais cheia quando conheceu Jace, agora era mais lupina, esguia, firme e formidável, embora não pelos motivos que todos pensavam. Ambos os pais assentiram; ela não estava definhando, independentemente do fato de seu Companheiro não a amar. Não, ela estava se mantendo firme obstinadamente, não desmoronaria enquanto estivesse naquela Alcateia. Não, ela esperaria até que tudo acabasse, e partiria onde ele nunca poderia ver que a machucara. Ela seria forte até o amargo fim e mostraria a ele, mesmo depois de partir, que teria sido uma Luna formidável, mas ele não se importou em amá-la e valorizá-la. Ela faria com que ele sofresse a perda dela em seus próprios termos. Então, faria algo com sua vida, seria uma mulher forte e inabalável, e mostraria a ele o que ele perdeu. Ele teria arrependimentos quando a visse anos depois de tudo acabar. Ela abraçou os pais para se despedir e voltou para o carro, se sentou ali e se perguntou se deveria passar toda a tarde e parte da noite fora da Alcateia. Ali fora, ela tinha Rosa com ela, e isso era uma sensação muito boa. Não sentia sua loba havia semanas. Estar longe daquele lugar era bom para sua loba. — Rosa? — perguntou ela.
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