Nora saiu do seu escritório na manhã seguinte e encontrou duas ômegas na sala de estar da suíte. Ambas a encararam, olhando para o lugar de onde ela vinha. Ela só podia supor que esperavam vê-la sair do quarto principal, provavelmente pensando, como todos na Alcateia, que ela se curvaria e cederia ao seu Alfa.
Ela não havia sentido a presença de ninguém na suíte além de Jace. Normalmente, não havia ômegas na suíte antes das nove, quando Jace começava oficialmente o trabalho do dia, então ela não sabia que elas estavam ali. Não estava tentando sentir a presença de mais ninguém.
Nora parou ao vê-las, e embora tivesse acordado há 30 minutos, não saiu do escritório até sentir que Jace havia deixado a suíte completamente. Ele tinha treino matinal e estava a caminho de lá. Ela podia sentir isso através do vínculo deles, então aquele era o momento mais seguro para tomar banho e se trocar sem que ele tentasse algo com ela.
Ele sabia muito bem que podia seduzi-la usando o vínculo de companheiros. Mesmo sem Rosa, ela ainda sentia as faíscas do vínculo na pele. Ele podia acordá-la tão suavemente que ela não percebia que estava excitada e o desejando até ser tarde demais, e o seu corpo já estava se movendo com o dele.
Ele sabia exatamente o que fazia para conseguir o que queria dela, podia seduzi-la no escritório ou pegar o seu corpo adormecido e levá-la para o quarto principal. Como seu companheiro, o cheiro dele a mantinha dormindo e envolvida por ele. Ele usava isso a seu favor. Embora, se tivesse feito isso naquela manhã, ela provavelmente teria tentado espancá-lo.
— Posso ajudar vocês? — perguntou às duas garotas.
— O Alfa nos pediu para preparar um café da manhã especial e disse que devíamos servi-la — respondeu uma delas, dando um passo para trás e apontando para a porta que levava à cozinha e à área de jantar da suíte.
— Não, obrigada — disse Nora simplesmente e passou por elas, indo para o quarto principal para tomar banho e se trocar para o dia. Enquanto estava no chuveiro, sentiu ele puxar o vínculo e percebeu que ele estava voltando.
— De jeito nenhum — disse a si mesma, saindo do chuveiro, se secando rapidamente e vestindo um jeans e uma camiseta. Saiu do quarto e entrou na sala de estar no momento em que ele empurrou a porta da suíte. Ele piscou ao vê-la totalmente vestida, e ela sabia que as ômegas tinham dito a ele onde ela estava, provavelmente porque ele perguntou.
Ele estava tentando seduzi-la, ela sabia. Ele deu um passo em sua direção enquanto ela torcia o cabelo ainda molhado em um coque frouxo. — Bom dia, Nora — ele sorriu, caminhando em sua direção. Todo charme naquela manhã, ela podia ver, assim como as ômegas que ainda estavam na sala, provavelmente testemunhas dele sendo todo amoroso com ela. Ela tomou o caminho oposto pela sala, se afastando dele ativamente.
Jace parou de andar e franziu a testa para ela. — Não seja assim, estou aqui para tomar café da manhã com você.
— Não estou com fome — respondeu ela na hora. — Pode ir comer com sua unidade, como sempre faz — ela disse, e viu os olhos dele se voltarem para as ômegas. Quem ele achava que estava enganando? Todos sabiam que ele comia após o treino no refeitório da casa da Alcateia. Ela tomava café da manhã ali em cima. Todos pensavam que ela estava dormindo na Suíte Alfa. Foi o que ela ouviu ele dizer uma vez, como explicação para ela não tomar café com ele.
— Vocês podem ir — disse Jace às ômegas, e ela o viu dispensá-las com um gesto, embora seus olhos nunca deixassem os dela. Assim que a porta se fechou, ele disse: — Você está tentando fazer a Alcateia pensar que há algo errado entre nós?
— Não — respondeu ela simplesmente, e não estava. Ela não precisava. Todos o viam com Gloria o tempo todo. Ele já estava fazendo um bom trabalho nisso sozinho. Não precisava da ajuda dela.
— Então o que você está fazendo? — perguntou ele, olhando diretamente para ela. Ela havia parado porque havia um sofá entre eles, e ele não parecia estar tentando agarrá-la. Parecia querer respostas, já que ela saiu do chuveiro antes que ele chegasse.
— Você nem está seca direito. — disse ele, com os olhos a percorrendo, e ela realmente não estava; seu cabelo ainda pingava água.
— Talvez, Jace, eu ainda esteja brava com você e não quis que você entrasse no chuveiro comigo. Percebi que você estava vindo para isso, para me seduzir e fazer eu te perdoar, e decidi sair por conta própria — respondeu ela.
A boca dele se curvou em um sorriso. — Você não consegue dizer não, nosso vínculo é muito forte — afirmou ele, e ela ouviu. Ele sabia que era forte e estava orgulhoso disso, feliz pelo fato de que ela podia ser facilmente seduzida por ele.
— Concordo que é. Mas não estou no clima, e não vou deixar você tentar. Vá fazer o que quer que seja que você, como Alfa, deve fazer dentro da sua Alcateia — disse ela.
— Ah, não. Você me confrontou ontem na frente de toda a Alcateia, e eu vou mostrar a eles que estou arrependido. Minha atenção hoje inteira será para você. Aonde você for, eu vou. — Ele sorriu diretamente para ela. — Café da manhã, almoço e jantar, já organizei tudo.
— Para quê? Não há nenhuma ocasião especial hoje — retrucou ela.
— Para compensar meu erro — afirmou Jace. — Agora, você pode concordar com isso ou eu posso te seguir por aí, e a Alcateia vai ver que é você quem está me ignorando, agindo como criança, quando estou tentando mostrar que me importo.
Ela pensou sobre isso enquanto o encarava, se perguntando se era uma boa ideia. Ele provavelmente tentaria tocá-la para provar à Alcateia que estava tudo bem entre eles. Que o vínculo de companheiros estava intacto, que ela é que estava sendo difícil. Ela viu um sorriso lento se formar no rosto dele. Odiava que ele fosse alto e bonito, ainda mais quando sorria. Às vezes, ela realmente esquecia como ele ficava quando sorria para ela assim.
Embora uma parte dela se perguntasse se ele realmente conseguiria fazer isso, especialmente com Gloria na Alcateia. Isso irritaria a mulher que ele realmente amava, vê-lo com ela o dia todo. Só esse pensamento já a fazia querer aceitar. Ela adoraria ver a expressão irritada e furiosa no rosto de Gloria ao ter que ver Jace ao seu lado, agindo todo amoroso com ela.
— Não me importo se acharem que estou sendo infantil — disse ela, dando de ombros. — Só um adolescente pensaria que estou sendo infantil. Nenhum par acasalado pensaria isso — retrucou ela —, porque todos mimam seus companheiros nos aniversários. Então… — ela deu um meio sorriso — você vai parecer que está na casinha de cachorro, e eles vão entender que é onde você deve estar.
O sorriso dele desapareceu na hora. — Você está tão decidida a me humilhar? — disparou ele, e ali estava ele, o Jace que ninguém via além dela. — Por um erro.
Um erro, ela pensou com ironia. Pelo que se lembrava, houve pelo menos cinco só no dia anterior: esqueceu seu aniversário, gritou com ela na frente de todos sem motivo, a fez sentir duas vezes as dores da traição, e ainda teve a audácia de lhe dar uma das rosas de Gloria como pedido de desculpas. Cinco erros em um único dia, e no seu aniversário, ainda por cima.
— Não estou te humilhando, você está insistindo em me seguir por aí quando não estou interessada em falar sobre isso agora, porque ainda estou chateada. Isso é você cumprindo seus próprios desejos e necessidades. Você quer fazer isso, e por quê? Para me fazer parecer infantil para a Alcateia — ela o confrontou com suas próprias palavras.
— Então, não é um pedido de desculpas, você não está nem um pouco arrependido, Jace. Isso não é sobre isso. É só você tentando me fazer parecer a vilã. Você mesmo acabou de dizer isso na minha cara. Acha que sou tão burra que não perceberia?
— O que você quer de mim, então? — disse ele. — Não posso consertar se você não me deixar.
— Concordo — ela assentiu. — Mas sabe de uma coisa? Por que eu deveria? Quando você entrou aqui ontem à noite e me deu uma rosa de segunda mão do escritório da Gloria como pedido de desculpas. Devo aceitar isso? Alguma loba nesta Alcateia aceitaria a flor de outra mulher como pedido de desculpas do seu companheiro?
— Estava tudo fechado, caramba. Onde diabos eu ia conseguir flores para você àquela hora da noite? — retrucou ele, irritado.
— Hmm, não tem um jardim da Alcateia no centro da cidade? Você poderia ter ido lá e colhido um buquê de flores se realmente quisesse. Você escolheu não fazer isso, só isso — disse ela, e viu a raiva dele aumentar.
— Você está impossível agora — murmurou ele, e então ela o viu respirar fundo e se acalmar. — Eu não estava pensando direito, Nora, e como poderia, quando vi suas lágrimas e percebi que estraguei tudo completamente? Eu te machuquei e não sabia o que fazer. Então, sim, vi as rosas no escritório da Gloria e peguei uma para te dar. Não é a intenção que conta? — Ele suspirou.