CH 10

1671 Words
Ela pensou sobre isso enquanto o encarava; a intenção que conta e, considerando as dores da traição que sentiu antes disso, não, não contava. Só adicionava insulto ao que ele já havia feito, passando tempo com Gloria. Era provável que essa fosse a intenção dele também. Pelo que ela sabia, podia até ter sido Gloria quem disse para ele lhe dar uma das rosas, sabendo que Nora entenderia que eram as flores da Luna. Aquela mulher adorava ostentar a sua posição sobre Nora. "Eu sou a Luna, e você é apenas a companheira dele até ele conseguir o que quer." — Não estou interessada em você me seguindo por aí para me fazer parecer uma criança mimada e egoísta aos olhos da Alcateia, só porque você, como Alfa, acha que é isso que eu preciso, porque esqueceu o meu aniversário e eu tive a audácia de apontar isso — disse ela, balançando a cabeça. — Mas vá em frente e faça o que quiser, essa atitude que você está recebendo é culpa sua. A sua ideia de que eu preciso ser punida pelo seu erro não te torna nem um pouco querido por mim. Só mostra o quanto você quer que a Alcateia pense pouco de mim — afirmou ela, sem emoção. Ela o ouviu rosnar de frustração com a sua recusa em aceitar a culpa pelo erro dele, e então ele simplesmente saiu da suíte batendo a porta. Ela suspirou e balançou a cabeça. Para um Alfa, ele certamente não conseguia manter a calma, e isso não era algo que eles deveriam saber fazer? Manter a calma diante de um inimigo. Ela caminhou até a porta da cozinha e da sala de jantar e a abriu. Havia uma mesa posta, com pratos cobertos de comida. Ela se perguntou se ele ao menos sabia o que ela gostava de comer no café da manhã. Verificou a comida e a deixou lá. As ômegas que ele havia organizado para servi-la poderiam voltar para limpar e levar tudo embora. Ela desceu para o refeitório da casa da Alcateia e podia sentir que ele estava voltando para o campo de treinamento. Ele havia terminado com ela. Tanto para ele a seguir por aí até que ela o perdoasse. As suas palavras foram todas fingidas, provavelmente ditas apenas pensando que ela veria como um pedido de desculpas, sorriria e diria que não era necessário, que o perdoava, porque a intenção é que conta. Enquanto pegava algo para comer na mesa de bufê, Nora percebeu que as ômegas apenas levaram comida do refeitório para a suíte. Ele havia organizado tudo, não é? Ela balançou a cabeça. Sim, apenas se deu ao trabalho de mandar comida do refeitório para a suíte, só isso. Não havia nada de genuíno em nada do que ele fazia. Ela viu Gloria entrar no refeitório e sorrir para ela. — Tudo resolvido, Nora? — perguntou com um sorriso feliz na voz. — Sim, do jeito que eu queria. — respondeu Nora simplesmente, mordendo a sua torrada e sorrindo de volta. Ela não estava nem um pouco chateada com o que aconteceu naquela manhã. Colocara aquele homem no seu lugar com facilidade e ainda conseguira irritá-lo. Isso provavelmente lhe daria alguns dias de paz e tranquilidade. Talvez, ele a deixasse em paz de uma vez. Ela viu o sorriso de Gloria desaparecer e quase riu. Se levantou, pegou seu café da manhã e passou por Gloria, que pegava seu café da manhã. — Prevejo que será um dia maravilhoso para mim… não tanto para você. — disparou pelo elo mental, totalmente divertida, e saiu passeando. Os dois mereciam um ao outro, mas também mereciam sentir sua ira, e ela estava vindo. Quanto mais faziam com ela, mais ela os odiava, e com o ódio vinham pensamentos de vingança e como executá-la. Ela caminhou calmamente pela Alcateia sozinha, tomando seu café e pensando em como poderia não apenas se vingar, mas extrair uma vingança apropriada daquele companheiro. Ele precisava aprender uma lição sobre maneiras e respeito. Se sentou e observou as crianças da Alcateia saírem de suas casas rumo à escola, e um pensamento lhe ocorreu. Se Gloria e Jace eram tão apaixonados, por que, em todo o tempo em que ela foi a Luna da Alcateia, eles não se marcaram e acasalaram? Eles poderiam ter tido vários filhotes até agora. Era estranho. Ele poderia tê-la tomado como companheira escolhida e tido um filhote com ela, ou vários. Por que ele não marcou e acasalou com Gloria, quando ela sabia que ele a amava? Ela mesma o ouvira dizer isso. Observando as crianças se moverem, agora era uma curiosidade total para ela… talvez, pensou, Gloria não pudesse ter filhotes. Talvez algo tivesse acontecido com ela, uma lesão, ou ela fosse infértil, e, como Alfa, ele não a reivindicaria oficialmente por causa disso. Não haveria herdeiro se ele fizesse isso. Então, eles realmente precisavam que ele encontrasse sua Companheira Presenteada pela Deusa, a marcasse e acasalasse com ela, a trouxesse para cá e fizesse com que ela gerasse um herdeiro para a Alcateia antes de se livrarem dela e se reivindicarem um ao outro. Eles iam se livrar dela, e ele daria esse filhote para Gloria, e ela simplesmente sabia disso. Bem, no que dependesse dela, não haveria herdeiro. Ele não merecia um, e se ela engravidasse, certamente não abriria mão do filho para ser criado por um babaca e uma verdadeira v***a que não sabia o que era respeito pelos outros. De jeito nenhum. Ela voltou para a casa da Alcateia depois das nove, imaginando que seu companheiro já teria ido para a cidade a essa hora. Não estava acompanhando os passos dele, só fazia isso quando estava na suíte ou indo tomar banho. Franziu a testa ao ver o carro dele na frente da casa da Alcateia; ele ainda estava ali. Talvez ela tivesse irritado Gloria o suficiente para que ela estivesse reclamando com ele, querendo saber o que havia acontecido entre ela e Jace. Ela entrou na casa da Alcateia e o encontrou ali, parecendo estar esperando por ela. O treino havia acabado, e ele estava banhado e vestido. Seus olhos a encontraram assim que ela passou pela porta da frente. — Nora — ele a cumprimentou com um sorriso. Ele segurava um buquê de flores, que pareciam colhidas à mão. — Jace — respondeu ela, erguendo uma sobrancelha, e viu ele franzir a testa quase imediatamente quando ela não sorriu para seu esforço ou pelo fato de ele ter feito o que ela sugeriu, colher flores pela Alcateia para lhe dar. Ela também podia ver que Matt não estava muito longe. Então, ele ia tentar usar seu Gama para sondá-la ou convencê-la. Isso era novidade, e só a irritava ainda mais, que ele achasse que essa era a melhor maneira de lidar com ela. Ela olhou diretamente para Matt. Ele era todo Gama; a cabeça estava ligeiramente inclinada para o lado. — Eu não tentaria me sondar, Matt, isso só vai me irritar ainda mais, que ele ache que você é a melhor forma de resolver o problema. Ele não consegue fazer isso sozinho? Não me conhece bem o suficiente para saber o que vai aplacar minha raiva e irritação? — disse ela ao Gama pelo elo mental. — Ele deveria. Estamos acasalados há quanto tempo agora? Fique fora disso, ou eu simplesmente saio da suíte de uma vez, e será sua culpa por ajudá-lo. Ela o viu bufar, se levantar e se afastar, e sorriu para si mesma ao ouvi-lo dizer: — Você está por sua conta, Jace. Se eu te ajudar, só vai piorar. Jace se virou e olhou para seu Gama enquanto ele se afastava, e depois se voltou para ela, mais do que chocado por ela ter conseguido contornar o Gama. Não era difícil, ou pelo menos ela não achava, porque ela não era realmente o trabalho dele; ela não era a Luna da Alcateia. Então, embora fosse a Companheira do Alfa, ele não pensava nela quando pensava em Luna. Gloria era o trabalho dele. Nora era apenas um m****o irritada da Alcateia, e ele entenderia isso claramente. Se ele passasse por ela e tentasse sondá-la por conta própria hoje em dia, tudo o que sentiria seria raiva dela, ou pensamentos sobre seus estudos, o que ela estava estudando. Ela só pensava em Jace se ele estivesse à vista ou se achasse que ele a procuraria para sexo. Ela raramente via o Gama da Alcateia. Portanto, não havia um vínculo real de Luna/Gama formado entre eles. Ela realmente não gostava de nenhum m****o da unidade do Alfa e não tinha nenhum vínculo com eles. Era provável que Matt também não soubesse nada sobre ela, nem sobre seu temperamento, então convencê-la seria mais difícil do que ele pensava, e ela acabara de estabelecer a lei com ele. Ameaçara deixar o Alfa se ele interferisse na briga deles. Ela estava bem certa, pelas palavras que ele mesmo disse, que ele ficaria fora disso. Ela acabara de vencer um Gama em seu próprio jogo. Poderia ser diferente se ele pusesse as mãos nela, mas ela não sabia ao certo, mas com Rosa ausente, ainda achava possível vencê-lo em seu próprio jogo. Nora observou Matt entrar no escritório do Alfa e fechar a porta. A porta bateu. Ele estava irritado porque ela realmente o vencera em seu próprio jogo. Ela sorriu para si mesma, totalmente divertida com o rumo dos acontecimentos, e voltou os olhos para Jace. Não era comum ele a ver sorrir nos últimos meses, e ela o viu piscar ao notar. Ela sabia que seu sorriso iluminava todo o rosto, e que ficava mais do que bonita quando sorria de verdade, e isso alcançava seus olhos. Era exatamente isso que ele estava vendo naquele momento, algo que não via desde o dia em que ela descobrira a verdade sobre ele e Gloria. Mas ela não estava apenas feliz por vencer aquele Gama, estava totalmente divertida por isso também.
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