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549 Words
São 7:30 da manhã, estou sentada na porta de casa esperando Joe chegar pra me buscar, conheci ele no primeiro ano de faculdade, nós dois estamos cursando direito e nenhum de nós tinha isso como primeira opção. O pai de Joe é advogado e quer que o filho também seja e como o irmão mais velho se negou a isso, sobrou pra ele, já meus pais são novos-empresários, aquela velha historia de quem veio de baixo, e alcança o topo, o motivo de eu escolher direito não foi por obrigação, não exatamente, todos do clico de amizade dos meus pais dizem que é bom ter um advogado na família, e depois de escutar tanto isso, decido que serei eu, sempre quis agradalos. Como disse, eles começaram de baixo, então trabalharam muito, o tempo todo, acho que vem daí minha necessidade de fazê-los sentir orgulho de mim. Mas apesar disso, essa escolha não foi de toda ruim pois me trouxe o Joe, éramos calouros e infelizes, foi fácil nos darmos bem, temos muito em comum, mas o que mais me prende a ela é uma conexão surreal, me sinto bem ao lado dele, sinto que posso ser eu mesma o tempo todo em que estou com ele, e o sentimento é reciproco. Mas se tem uma coisa que me estressa é essa falta de pontualidade, é impressionante, ele é simplesmente incapaz de chegar na hora, então eu sempre espero, e ele só chega as 7:45. Um Chevrolet Onix vermelho para bem na minha frente. -Anda logo. Levanta – grita ele abrindo a porta do carona. -Sinceramente, você tem noção que a aula começa as 8:00? E que levamos 20 minutos pra chegar na faculdade? -Tenho, por isso eu falei “andar logo” – Reponde enquanto acelera – E relaxa, é por isso que existe os 15 minutos de tolerância, então ainda estamos no horário. Olho pra ele mal humorada, sinto vontade de brigar, mas sinto que não vale a pena, 5 minutos de atraso não vale um dia inteiro de estranheza entre nos dois, até por que dependo dele pra voltar para casa, posso ter um carro, tenho carteira de motorista e meus pais já me ofereceram um de presente em diversas ocasiões, mas tenho pesadelos só de imaginar em bater em alguém ou algum animalzinho de rua, não suporto a ideia, então prefiro viver de carona ou de táxi, e depois de Joey, quase nunca uso essa segunda opção. - Você está quieta... ficou chateada? -Você sabe que sim! -Que isso, eu juro que foi sem querer – e ele me olha enquanto faz carinha de coitado. -Ok, mas tem como avisar antes? Passei 20 minutos naquela calçada esperando você aparecer! -Eu sei... vacilei..., mas você sabe como é... Ele diz isso e não preciso de mais nenhuma informação, UMA GAROTA! É claro! Ele me deixou esperando por 20 minutos por causa de uma garota! E isso só faz meu ódio aumentar, porque se ela ficar no pé dele, eu quem vou ter que entrar em cena e me passar por namorada para ele finalmente se ver livre para a próxima! Então eu olho para ele, reviro os olhos e ligo o som. -Eu sei, desculpa! Não vou mais fazer isso. O resto do caminho é puro silêncio.
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