"Às vezes, o maior desafio não é conquistar alguém, mas aceitar que nem sempre temos o controle. Victoria me faz questionar meus limites, e é nessa resistência que descubro o quanto desejo o que não posso dominar."
Christopher Davis
Eu ainda sentia o corpo dela colado ao meu, mesmo depois do prazer que tínhamos acabado de compartilhar. A respiração dela era curta, o coração acelerado, e eu sabia que estava mexendo com algo que ia além do físico. Vic não era como as outras. Não se entregava fácil, não se deixava manipular sem resistência. E isso me deixava ainda mais obcecado.
Ela apoiava o rosto no meu peito, como se buscasse um abrigo que não queria admitir. Eu a segurei firme, sustentando seu corpo contra a parede fria do banheiro. A água escorria, misturando-se ao calor que queimava entre nós.
— Você prometeu que não me tocaria de novo — ela sussurrou, quase como se quisesse se convencer de que ainda tinha algum controle.
— Sim, eu prometi, Vic — respondi, segurando seu rosto e forçando-a a me encarar. Seus olhos claros eram intensos, profundos, como se pudessem atravessar minha alma. — Mas eu não consigo ficar longe de você. Só que precisa entender: eu não sou um cara de compromisso. Gosto da minha liberdade, de aproveitar momentos como esse sem cobranças, sem expectativas.
Ela me encarou com firmeza, mesmo ainda trêmula. — Eu não sou esse tipo de garota, Chris.
Aquelas palavras me atingiram como um desafio. Ela não queria ser mais uma. Não queria ser apenas um brinquedo nas mãos de um homem que podia ter qualquer mulher que quisesse. E eu sabia disso. Mas também sabia que, no fundo, ela estava dividida.
— Qual o problema, Vic? Olha o que acontece quando estamos juntos. Nossa química, nossa conexão... por que não aproveitar isso? — busquei sua boca num beijo faminto, incapaz de me saciar mesmo depois de um dos melhores orgasmos da minha vida.
Mas eu queria mais. Não apenas o corpo dela. Eu queria Vic por perto. Queria tê-la ao meu alcance, todos os dias, como minha assistente pessoal. Não era apenas sobre trabalho. Era sobre controle. Sobre manter minha presa próxima, disponível, sem que ela percebesse o quanto eu precisava disso.
Vic, no entanto, não era ingênua. Ela carregava medos e inseguranças que eu ainda não compreendia. Eu não entendia Vic por completo. Havia algo nela que me escapava, uma sombra nos olhos, uma hesitação que não combinava com a intensidade que vivíamos juntos. Eu sentia que havia mais por trás daquela resistência, como se carregasse um peso que não me deixava ver.
Não sabia se era medo de mim, do que eu representava, ou de algo maior, fora do nosso momento. Talvez fosse insegurança, talvez fosse uma história que ela não queria contar. Eu só sabia que, quando me encarava, havia uma verdade escondida ali — uma verdade que eu ainda não conhecia.
E isso me deixava inquieto. Eu queria Vic por perto, queria tê-la comigo, mas também queria entender o que a fazia resistir tanto. O que a prendia? O que a fazia lutar contra algo que, para mim, era tão óbvio?
Essas respostas viriam depois. Por enquanto, tudo que eu tinha eram dúvidas.
Eu a encarei, ainda segurando seu rosto.
— Quero você comigo, Vic. Não só aqui, não só agora. Quero você trabalhando ao meu lado. Seja minha assistente pessoal.
Ela continuou me olhando, surpresa.
— Não posso ser sua assistente.
— Por que não? Quero você perto de mim. Quero que esteja comigo todos os dias.
Ela se afastou um pouco, como se minhas palavras fossem mais perigosas do que qualquer toque.
— Chris... eu não posso. Ficar perto de você como assistente ou amante?
— Como assim, Vic? Claro que te quero como assistente. Mas o sexo entre nós é muito bom. Podemos aproveitar isso, sim. — Insisti, minha voz firme, quase autoritária. — Você é inteligente, dedicada. Eu preciso de alguém como você. E nossa química é inegável.
Mas eu sabia que não era apenas isso. Eu não precisava de uma assistente. Precisava dela. Precisava sentir que estava sob meu alcance, que não poderia escapar.
Vic respirou fundo, tentando se recompor.
— Você não entende. Eu não quero ser um objeto. Não quero ser só mais uma mulher na sua vida. Não sou esse tipo de mulher.
Aquelas palavras me irritaram e fascinaram ao mesmo tempo. Ela tinha coragem de me enfrentar, de dizer não, mesmo sabendo quem eu era. Um homem rico, milionário, boa aparência, que podia ter qualquer mulher que quisesse. Mas eu não queria qualquer mulher. Eu a queria.
— Você não seria só mais uma — menti, ou talvez acreditasse na mentira naquele instante. — Você seria única em algumas horas, momentos nossos.
Ela me olhou com desconfiança, como se pudesse ver além das minhas palavras. E talvez pudesse. Vic tinha uma força silenciosa, uma resistência que me desafiava.
Eu me aproximei mais, prendendo-a novamente contra a parede.
— Não estou pedindo para você ser minha. Estou pedindo para estar comigo. Trabalhar comigo. É diferente.
Ela balançou a cabeça, nervosa.
— Não é diferente, Chris. Você quer me manter por perto. Quer me controlar. Sei que vai tentar isso mais vezes e eu... eu não sei se posso resistir.
E ela estava certa. Mas eu não podia admitir.
— Eu quero você porque sei que juntos somos intensos. Você sente isso. Não adianta negar.
Ela fechou os olhos, como se quisesse fugir da verdade. Mas eu sabia que estava lutando contra si mesma.
Victória parecia carregar inseguranças profundas. Havia algo nela que a tornava diferente, algo que a fazia resistir, mesmo quando o corpo já havia se rendido.
E era isso que me enlouquecia.
Eu a segurei firme, minha voz baixa, quase um sussurro.
— Não quero te transformar em objeto. Quero te dar espaço, quero te dar poder. Trabalhar comigo pode ser a sua chance de mudar tudo. Melhorar sua vida.
Ela abriu os olhos, encarando-me com intensidade.
— Você fala como se fosse me salvar. Mas eu não preciso de um salvador, Chris. Preciso de mim mesma.
Aquelas palavras me atingiram como um soco. Eu não estava acostumado a ouvir resistência. Não estava acostumado a que alguém me dissesse não.
Mas Vic era diferente. E era exatamente por isso que eu a queria.
— Então deixa eu ser parte disso. — insisti. — Não vou te prender. Vou te dar liberdade. Mas quero você comigo.
Ela hesitou, mordendo o lábio, como se estivesse pesando cada palavra. Eu sabia que estava dividida. Sabia que queria resistir, mas também sabia que estava tentada.
E eu aproveitei essa hesitação.
— Pensa, Vic. Trabalhar comigo pode ser o começo de uma nova fase. Você não precisa viver presa ao passado. Eu posso te dar uma nova vida.
Ela me encarou, os olhos marejados. Pela primeira vez, vi a dor escondida atrás da resistência. Vi a mulher que lutava contra seus próprios fantasmas.
— Eu não quero ser só mais uma na sua vida, Chris. — sua voz era firme, mas tremia. — Não quero ser um brinquedo.
— Você não será. — respondi, sem hesitar. — Você será minha parceira.
Ela respirou fundo, como se buscasse forças. E naquele instante, percebi que estava prestes a ceder. Não porque eu a convencia com palavras, mas porque o momento, a intensidade, a química entre nós falava mais alto.
Vic estava dividida entre o medo de ser usada e o desejo de se libertar. E eu, obcecado, sabia que não descansaria até tê-la por perto.