Capítulo Quinze — Enfrentando meus medos...

1587 Words
"Por mais que eu tente manter distância, Victoria Ashford me faz sentir o que jurei nunca mais sentir. Cada momento ao lado dela é intenso, verdadeiro, e me mostra que fugir dos sentimentos não apaga o desejo de ser feliz. No fim, percebo que o maior medo não é me envolver, mas perder quem realmente importa." Christopher Davis Eu não resisti a ela. Quanto mais me aproximo, mais perto quero ficar. Tivemos uma noite perfeita. Victoria é perfeita. Tudo nela me atrai: o cheiro, o gosto, o calor do seu corpo. A sensação de estar dentro dela é algo fora do normal. E olha que já tive muitas mulheres e já fiz de tudo com elas. Mas com a Vic as coisas são mais intensas, mais... perfeitas. Perfeitas até demais. Preparei nosso café da manhã e trouxe para o quarto. Ela ainda dormia. O rosto sereno, os cabelos escuros espalhados sobre os lençóis, formando a imagem de um anjo adormecido. Não queria acordá-la. Não queria que esse momento acabasse. Não sei como me comportar, ser romântico ou acolhedor. Depois do sexo, sempre gosto de ficar sozinho. Não costumo compartilhar nada com as mulheres com quem transo. Eu dou e recebo prazer, e é só. — Se você fosse o Superman, esse olhar já teria me perfurado — ela fala, ainda de olhos fechados, percebendo minha presença. — Bom dia! Faz tempo que acordou? — Bom dia... um pouco — coloco a bandeja com nosso café sobre a cama. — Preparei esse café pra nós. — Humm... o cheiro está bom... — Não tinha muita coisa à disposição, mas acho que deu para improvisar — peguei uma torrada, coloquei geleia de morango e servi a ela. Nunca havia feito isso para ninguém, a não ser para Katherine. Estou com uma sensação de déjà-vu. E me sinto incomodado por estar fazendo isso, ao mesmo tempo que quero cuidar dela. Me sinto hipnotizado por ela. — Eu preciso voltar pra casa, senhor Davis... — Pode me chamar de Chris... — a interrompo. — Eu prefiro manter a formalidade — ela fala olhando para a torrada, como se estivesse constrangida. — Senhor Davis, o que aconteceu ontem não pode mais acontecer. Ela me encara, as faces coradas como quem está envergonhada. — Você não gostou? Ou... não quer mais? — me sinto estranhamente inseguro ao ouvir isso. Droga! Como me entender? Eu a desejo muito, mas não quero apego ou compromisso. — Bom, acho que percebeu que eu gostei bastante. Mas não sou mulher para o senhor. — Por que acha isso? — me vejo curioso por sua opinião sobre mim. — Não quero ser um brinquedo ou passatempo de ninguém, senhor Davis. Não foi bom me sentir usada. Ela mantém o olhar baixo. Vejo uma tristeza em seu semblante e me sinto culpado por tê-la tratado daquela forma. Mas não sei de que jeito a tratar sem evitar me expor. — Eu não te usei, Victoria. Tampouco te vejo como um passatempo. — Então por que me tratou daquele jeito depois da nossa primeira vez e ontem no seu escritório? — ela me encara e eu fico sem saber o que dizer. Me levanto da cama e vou até a varanda do quarto. Fico olhando a vista do lago, ouvindo os cantos dos passarinhos. Penso no que dizer, mas nada me vem à mente. O que quer que eu diga vai magoá-la. — Por que me trouxe até aqui? Não sou esse tipo de garota, senhor Davis. — Ouço ela falar logo atrás de mim. O toque de sua mão pequena e quente em meu ombro me causa um choque. Victoria mexe comigo de maneiras que não sei explicar. Eu me viro e a agarro pela cintura, puxando-a para mais perto. Grudo meu corpo ao dela, tomando sua boca em um beijo faminto e lascivo. Não consigo controlar meu desejo por essa mulher. O beijo se intensifica. Sinto o corpo dela colado ao meu, quente, pulsante. A cada movimento de sua boca contra a minha, meu autocontrole se desfaz. Levanto-a pelos quadris e ela se prende em mim com as pernas, como se não quisesse soltar. Caminho com ela até a cama, nossos corpos se chocando em ritmo urgente. Deito-a sobre os lençóis e percorro sua pele com a boca, saboreando cada centímetro como se fosse proibido. O gosto dela me enlouquece. Victoria geme baixo, arqueando o corpo, e isso só aumenta meu desejo. — Chris... — ela sussurra, tentando manter a formalidade, mas sua voz falha, tomada pelo prazer. Não quero que perceba o quanto me afeta. Não posso deixar transparecer que estou apaixonado. Então intensifico o ritmo, como se fosse apenas desejo, apenas instinto. Tomo seus s***s com a boca, deslizo minhas mãos firmes por suas curvas, e ela se entrega completamente. Entro nela de novo, com força e urgência. O calor nos envolve, o som dos nossos corpos preenchendo o quarto. Ela me olha nos olhos, e por um instante sinto que poderia me perder ali, naquele olhar. Mas desvio, não posso me deixar prender. — Você é viciante... — murmuro contra sua boca, como se fosse apenas uma constatação física, não um sentimento. Ela geme, me puxa mais fundo, e eu a possuo como se quisesse apagar qualquer dúvida que tivesse sobre mim. O prazer explode entre nós, intenso, arrebatador. Quando finalmente nos deixamos cair sobre os lençóis, ofegantes, ela repousa a cabeça em meu peito. Eu a seguro por instinto, mas logo me afasto discretamente, fingindo buscar a bandeja do café. Não posso deixar que perceba o quanto preciso dela. Victoria fecha os olhos, ainda trêmula, e eu a observo em silêncio. Dentro de mim, um conflito lateja: quero mantê-la perto, mas não posso me envolver. Preciso que ela continue a minha disposição, precisando de mim, sem nunca perceber que, na verdade, sou eu quem já está preso. — Isso não respondeu minhas perguntas, senhor Davis... — estou sentado na cama de costas para ela. Sei que não tudo só deixou a situação mais complicada. Continuo sem ter o que responder. — Não tenho respostas para você, Victória. Não costumo dar satisfação dos meus atos a ninguém. — Me viro em sua direção — não vê que temos química? Que o que acontece entre nós é bom? Podemos repetir quantas vezes você quiser. Jogo pra ela a responsabilidade e escolha de continuarmos. Não vou me responsabilizar por qualquer sentimento que ela venha a nutrir por mim. Mas vou adorar tê-la em meus braços mais vezes. — Não precisa me dar satisfaço. E não. Eu não pretendo repetir isso novamente. O senhor tem a mulher que quiser a sua disposição. Não é do meu feitio ter esse tipo de ralação. E leve de volta para a Empire, vou pegar minhas coisas e, se for para ter que lidar com esse tipo de evento, eu prefiro sair do emprego. Preciso muito dele, mas não quero me envolver dessa forma. As palavras dela me atingem como um soco. Sair do emprego. Se afastar de mim. A ideia de não tê-la por perto me causa um desconforto que não sei explicar. Não posso permitir isso. — Você não vai sair da Empire — digo firme, levantando-me da cama. — Preciso de você lá. Ela me encara, surpresa, como se não esperasse essa reação. — Precisa? — pergunta, arqueando a sobrancelha. — O senhor tem dezenas de funcionários. Não vai sentir minha falta. Respiro fundo, tentando controlar o ímpeto de dizer o que realmente sinto. Não posso me expor. Não posso admitir que já estou preso a ela. — Preciso de alguém de confiança. Alguém que saiba lidar comigo, com meus negócios, com minha rotina. Quero que seja minha assistente pessoal. Victoria arregala os olhos, claramente desconcertada. — Assistente pessoal? — repete, como se estivesse testando o peso das palavras. — Sim. — caminho até ela, parando bem próximo. — Vai trabalhar diretamente comigo. Agenda, compromissos, viagens, tudo. Quero você ao meu lado. Ela hesita, mordendo o lábio inferior. Sei que está tentando entender minhas intenções. — E o que aconteceu entre nós? — pergunta, firme, como se buscasse uma garantia. Me aproximo ainda mais, mas mantenho o tom frio, calculado. — Prometo não misturar as coisas. Não vou mais te tocar, se é isso que deseja. — minto para mim mesmo, porque sei que não vou resistir. — Mas quero você por perto. Ela me observa em silêncio, como se tentasse decifrar minhas verdadeiras intenções. Eu seguro seu olhar, sem desviar, mostrando confiança. — Pense bem, Victoria. É uma oportunidade que poucas pessoas teriam. Trabalhar diretamente comigo. Ter acesso ao que ninguém mais tem. — deixo a frase suspensa, sabendo que o poder da minha posição pesa. Ela respira fundo, claramente dividida. — Não sei se é uma boa ideia... — murmura. — É a melhor ideia que você vai ouvir hoje. — sorrio de canto, aquele sorriso que sei que desarma qualquer resistência. — Confie em mim. Por dentro, sei que não é apenas sobre negócios. Quero tê-la ao meu alcance, quero vê-la todos os dias, sentir sua presença. Mesmo que eu prometa não me envolver, sei que cada minuto ao lado dela será uma tortura deliciosa. Victoria desvia o olhar, pensativa. Eu me aproximo e seguro sua mão, firme, mas sem invadir. — Aceite, Victoria. Não quero perder você. Ela me encara novamente, e por um instante vejo a dúvida se transformar em algo mais. Talvez curiosidade, talvez desejo. Talvez a mesma prisão que já me aprisiona.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD