Ao acordar me dou conta da minha realidade, já sinto novamente a vontade de chorar. Porém, tento me manter firme, apesar de ser quase impossível. Vou até o banheiro e me deparo com algumas marcas pelo meu corpo, e não consigo evitar as lágrimas. Me acalmo um pouco e ligo para minha patroa, converso com ela que não estava me sentindo muito bem hoje, ela compreendeu e me deu o dia de hoje de folga, agradeço a ela e desligo o celular. Volto ao meu quarto e tranco a porta, me deito novamente e acabo dormindo.
Ouço algumas batidas na porta do meu quarto, olho pela janela e vejo que já está escurecendo, me levanto da cama e abro a porta. Vejo a minha mãe, Carina e Diego, os três me olham preocupados, me sento na cama.
- Você tá bem, amiga? – Carina pergunta me olhando – O Pedro me levou pra o trabalho, esperei você e cê não chegou, perguntei a patroa e ela disse que você ligou dizendo que não tava se sentindo bem.
- E hoje a gente nem te viu sair de casa – Diego fala preocupado se sentando ao meu lado – Aconteceu alguma coisa, minha preta?
Sinto um bolo na garganta, uma enorme vontade de chorar, os meus olhos começam a se encher de lágrimas e eles me olham ainda mais preocupados. Tento não chorar pra explicar.
- Quando eu tava voltando do baile – tento conter as lágrimas – um cara começou a me seguir – vejo a cara de preocupação da minha mãe – tentei despistar ele, mas não consegui – falo e não consigo me conter, começo a chorar e a minha mãe me abraça.
- Calma, filha. A gente tá aqui com você – ela dizia acariciando o meu cabelo. Eu precisava tanto desse carinho.
- Ele me agarrou, mãe. Ele fez coisas horríveis comigo, eu senti tanto nojo, ainda tô sentindo o meu corpo sujo – digo abraçando ela ainda mais forte. Sinto Carina e Diego me abraçando também. Ter eles aqui agora tá sendo muito importante para mim.
Me afasto do abraço e observo eles, que me olhavam com uma certa pena e tristeza. Diego se ajoelha na minha frente e cola as nossas testas, olho em seus olhos e ele faz o mesmo.
- Eu tô aqui, preta! Desculpa por não ter estado antes, mas isso não vai ficar assim não – ele diz e me dá um beijo na bochecha. – Você já viu esse cara por aqui? – ele pergunta e eu n**o com a cabeça – Depois conversamos melhor sobre isso, beleza?
- Tá bom – digo. Ele se levanta e de repente me carrega no colo, me dando um susto – Que isso, Diego?
Olho para minha mãe e Carina que estavam querendo rir da situação.
- Vou te levar pra comer algo – ele diz me carregando até a sala – quer comer o que?
- Não tô com fome – digo e me deito no sofá.
- Não perguntei se tava com fome – ele diz e dou língua para ele – Escolhe alguma coisa.
- Pizza – digo.
- Já é, vou ir buscar – ele diz e sai.
Após ele sair, vejo a minha mãe me observando, porém, ela não disse nada. Graças a Deus!
- Amanhã é bom você ir no postinho, amiga – Carina fala – Na ginecologista – ela fala e a minha mãe concorda.
- Eu vou – digo para tranquilizar elas, mas se depender de mim eu não saía de casa.
Logo Diego chegou com uma pizza tamanho família, comi três pedaços e me enchi, ficamos conversando, ele sempre fazendo graça, quem sempre ria era a minha mãe, acho que ele tava querendo foi conquistar ela, esse pilantra. Quando foi umas 02h da manhã ele e Carina foram embora, a minha mãe veio dormir comigo no meu quarto, ela ficou me dando cafuné até eu dormir.
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Uma semana se passou do ocorrido, acabei sendo forçada pelos três a ir no postinho, fiz uns exames para caso ter pegado alguma doença, mas tava tudo tranquilo. Ontem o Diego foi para São Paulo e ainda não sabe quando volta, fiquei bem triste, mas entendi. Essa semana toda o Terror tentou falar comigo, mas não dei confiança, não sei se Carina contou algo a Pedro, ou o Diego contou algo a ele, porém no momento eu só quero ignorar esse acontecido.
Graças a minha mãe, a Carina, o Diego e as meninas do trabalho, eu estou voltando aos poucos com o ânimo para viver. As vezes na madrugada me vem as lembranças e eu acabo chorando bastante, acaba sendo inevitável. No momento eu estou na casa de Carina e ela querendo me forçar a ir para praia de Copacabana com ela.
- Amiga, aquele lugar só anda lotado de turista, de bandido querendo roubar turista e de comerciante querendo roubar turista. E a gente estando lá vão querer fazer igual com a gente – digo sincera e ela começa a rir.
- Eu sei, amiga. Mas eu queria tirar umas fotos legais lá – Ela fala tentando me convencer – Vamo, por favor!!
- Tá bom, Carina – falo e ela pula feliz – Chata para c*****o.
Fomos nos arrumar, depois de prontas passamos num supermercado, compramos algumas coisas pra comer lá e pedimos um Uber. Ao chegar lá a Carina insistiu pra gente pegar uma mesa, já que o PD deu dinheiro a ela. Pegamos a mesa em um dos quiosques e aproveitei pra tomar um solzinho, renovar as energias. Falando nisso, logo fomos no mar tomar um banho, ficamos brincando um pouco na água, depois voltamos pra comer, comemos as coisas que levamos e pegamos duas caipirinhas no quiosque. Tirei umas fotos de Carina e ela tirou algumas fotos minha.
- Como que você tá, amiga? De verdade – Ela pergunta me olhando.
Respiro fundo antes de responder.
- Tentando fingir que está tudo normal, no fundo, ainda tô bem abalada, também tô sentindo falta do Diego, acho que tava começando a sentir algo por ele. Talvez seja até melhor ele não estar por aqui. – Digo na mais pura sinceridade, mas me surpreendo por não ter sentido vontade de chorar.
- Saiba que eu estou aqui para o que você precisar – ela diz e me abraça. Logo depois ela liga para PD vir buscar a gente, por sorte ele estava perto e logo chegou, ao entrar no carro, vejo Terror, ele estava sentado no banco do fundo, com isso acabei sentando do lado dele.
- Tá me evitando, né? – ele diz num tom que eu e ele conseguimos ouvir, por conta do som no carro.
- Não tenho nada para conversar com você – digo sincera.
- Quero falar com você sobre a situação que rolou no dia do baile – ele me olha sério – Acho que tô ligado quem foi, mas preciso que você confirme.