Apertei o casaco de Sasuke contra meu corpo tentando evitar o frio, a roupa molhada estava me incomodando.
Os minutos que se passaram dentro daquele carro foram os piores da minha vida, o nervosismo e a aflição aumentava a cada segundo que se passava. A chuva já não estava tão forte e eu conseguia ver os portões da mansão, mas não tinha pessoas por perto.
Liguei para Karin outra vez mas ela não atendeu, o que me deixou mais preocupada ainda.
— Por favor que nada de r**m aconteça.
Mais alguns minutos se passaram e eu consegui ver uma movimentação se aproximando. Eram as garotas.
Elas se aproximaram do carro batendo no vidro e eu fiz sinal de que a porta estava trancada. Karin começou a gritar para alguém que se aproximava e eu vi Suigetsu, Naruto, Sai, Juugo e Sasuke, eles estavam de costas.
Suspirei aliviada, mas não me tranquilizei ao ver as expressões preocupadas das meninas quando a porta se abriu.
— O que aconteceu Sakura? — Ino me analisou por inteiro. — Olha o seu estado.
— Você está toda molhada, por que está no carro do Uchiha?
Tropecei para fora do carro me soltando das mãos de Karin e Ino, rodeei o veículo empurrando os garotos que estavam envolta do Uchiha.
— O que você fez? — perguntei horrorizada.
Sasuke tinha um corte na boca e sangrava, mas ele parecia não se importar com isso. Sua camisa estava com a manga rasgada e sua respiração pesada, parecia que ele tinha entrado em uma grande confusão.
— Ele atacou dois caras que estavam na festa e Juugo ajudou, eu nem sei que merda está acontecendo, esses idiotas não falam nada. — Naruto respondeu zangado.
— Eles quase se matam. — Suigetsu comentou.
— Ainda bem que estávamos perto para separar
— Sakura fala pra gente o que aconteceu. — Ino se aproximou tocando meu ombro. — Karin disse que você a mandou parar Sasuke.
Pisquei os olhos segurando as lágrimas incapaz de dizer nada. A culpa era grande demais.
— Eu sinto muito. — sussurrei para Sasuke com todo meu remorso.
Mas ele só pareceu se irritar mais e se recusava a me olhar.
— Vamos, eu vou te levar pra casa. — Sasuke murmurou passando por todos e entrou em seu carro batendo a porta.
Encarei nossos amigos vendo os olhares confusos e interrogativo, Juugo estava mais distante com a expressão séria e eu lhe lancei um olhar de desculpas antes de seguir de volta para o carro.
— Sakura, você não vai embora sem dizer o que aconteceu. — Karin segurou meu braço fitando-me irritada.
— Eu não quero falar sobre isso agora, está tudo bem, conversamos depois.
— Ficamos preocupadas. — Ino se aproximou chateada.
— Está tudo bem eu já disse, onde está Tenten?
— Deve está cuidando do i****a do Hyuuga, ele acabou levando um soco por falar o que não devia, bem merecido por sinal. — Karin respondeu parecendo satisfeita.
Soltei um suspiro imaginando o estrago que deve ter acontecido naquela festa. Hinata deve está arrasada.
— Nos falamos amanhã.
— Fique bem.
— Vou ficar.
Entrei no carro vendo nossos amigos ficarem para trás a medida que distanciávamos. O silêncio que se instalou no carro me deixou desconfortável mas eu não poderia deixar as coisas continuarem assim.
— Não devia ter feito isso. — murmurei o encarando.
O sangue seco em sua boca estava me incomodando. Sasuke não respondeu, continuou dirigindo em silêncio.
— Algo pior poderia ter acontecido com você. — continuei a falar.
— Você foi abusada e está se preocupando comigo? Qual o seu problema? — a voz indignada de Sasuke ecoo e ele balançou a cabeça apoiando um punho na boca.
Ele não estava bem e eu muito menos.
— Eu não fui abusada, Juugo chegou a tempo e nada aconteceu. — tentei parecer calma e resolver aquela situação tensa.
— E se não tivesse chegado?
— Ele chegou. — afirmei mais alto que o normal.
Não queria pensar na possibilidade de Juugo não aparecer e eu ficar sozinha nas mãos daqueles caras. Era nojento demais.
— Dane-se, que aqueles imbecis vão para o inferno. — a voz alterada do Uchiha me fez vacilar.
— Acho que você devia se acalmar.
— Só fica quieta.
Assenti contrariada, era o melhor a se fazer no momento. Eu não estava afim de discutir com ele, nunca tinha visto Sasuke alterado dessa forma.
O carro parou em frente a sua casa e continuamos em silêncio encarando o para-brisa.
— Fica lá em casa essa noite, acho que você vai querer conversar com minha mãe, ela vai saber o que fazer. — Sasuke finalmente disse algo soltando um suspiro em seguida.
— Eu não quero conversar, não quero que ninguém saiba o que aconteceu, eu estou bem e não preciso que sintam pena de mim. — respondi sem encara-lo.
— Você precisa fazer uma denúncia.
— Não.
— Seu pai precisa saber, ele fará algo.
— Ele vai ficar bravo porque estarei atrapalhando seu trabalho com algo fútil. Isso não vai dar em nada esquece. — sorri irônica.
— Não. — Sasuke foi curto e grosso.
Isso estava me irritando, por que ele não facilitava as coisas para mim? Era o melhor a ser feito.
— Sabe o que eles disseram enquanto me tocavam com aquelas mãos sujas? Que eu sou fácil, que seria divertido brincar comigo. Eu seria a diversão deles se Juugo não tivesse aparecido e eu nunca me senti tão humilhada. Tudo que eu mais quero é esquecer essa noite, e peço por favor que você também o faça. — murmurei fechando os olhos por um momento.
O silêncio voltou e eu agradeci por ele não retrucar.
— Não posso fazer isso.
— Pelo amor de deus Sasuke, você nem consegue olhar na minha cara. — gritei sentindo a amargura em minha boca. — Eu não preciso de mais desprezo das outras pessoas. Já dói o bastante você me tratar dessa forma. — sai do carro apressada não conseguindo segurar as lágrimas por mais tempo.
Corri covardemente para minha casa ignorando seus chamados, desabando quando estava segura atrás da porta trancada.
As luzes estavam apagadas e eu estava sentada no chão com a escuridão a minha volta. Solucei abraçando meus joelhos.
— Sakura, abra a porta. — toques suaves na porta fez algo dentro de mim se alarmar.
Limpei o rosto com força me odiando por ser fraca, precisa me levantar e seguir em frente mas eu me sentia tão cansada.
— Por favor abra a porta. — Sasuke voltou a insistir e algo em sua voz me deu esperanças.
Ele se importava comigo, e também não queria me deixar sozinha. O engraçado é que a uma semana atrás ele não suportava minha presença, nos aproximamos de repente, comecei a trocar mais de duas palavras com ele e até escondia um segredo da sua mãe.
Tudo que eu queria era chamar sua atenção e aceitava as migalhas que ele me dava. Mas agora desejo mais que isso.
Levantei-me na escuridão e segurei a maçaneta com força antes de abrir a porta.
— Eu não consigo ser forte o tempo inteiro. Isso tá me matando por dentro. — sussurrei encarando seus olhos intensos.
— Só precisa parar de fingir. — ele deu de ombros.
— Me desculpa por tudo.
— Para de se desculpar, você é tola? — me olhou com repreensão.
Mordi os lábios encarando meus pés por um momento e o encarei logo depois.
— O que você quer de mim Sasuke?
— Eu não te desprezo. — respondeu parecendo certo no que dizia e eu vi sinceridade em seu olhar.
— Não precisa sentir pena de mim e nem mentir tá? Eu aguento pode falar a verdade. — cruzei os braços vendo sua expressão se tornar zangada.
— Eu acabei de detonar minha mão na cara daqueles merdas, e você ainda acha que eu te desprezo? — disse irritado erguendo os punhos fechados, para que eu pudesse ver o sangue entre seus dedos.
Arregalei os olhos cobrindo a boca, como não percebi todo esse sangue antes?
— Minha nossa, a culpa é minha eu sinto muito.
— Para de se desculpar caramba, ninguém me obrigou a fazer isso.
— Deixa eu ao menos cuidar disso pra você e da sua boca também. — disse apressada e franzi o cenho não fazendo muito sentido. — Eu quis dizer cuidar do machucado em sua boca, não outra coisa. Não sei o que você ta pensando mas...
— Eu tô pensando que você é muito irritante. — Sasuke me cortou.
Abri a boca indignada e chateada. Nem sei por que ainda tento.
— Nossa, eu nem sei porque estou surpresa, essa situação é uma merda eu acho que eu vou... — Sasuke me cortou outra vez bufando.
Só que dessa vez ele veio rápido em minha direção empurrando-me contra a parede ao lado. Prendi a respiração ao senti-lo tão perto, e seu olhar fez minhas pernas bambearem.
Eu poderia cair se suas mãos não pousassem em minha cintura apoiando-me contra a parede, continuamos nos encarando em silêncio e tudo parou.
Eu sabia que o que aconteceria depois e não consegui evitar o choque.
— Você ta me beijando. — afirmei estática sentindo seus lábios colados nos meus.
Eles eram macios e suaves e tinha uma certa exigência.
— Tô.
— O que eu faço? — sussurrei pra mim mesma tentando mover meu corpo travado.
Era surpresa demais para uma noite só, estou me sentindo uma garota tímida que nunca beijou na boca antes e isso era patético.
— Cala a boca e retribui. — o aperto em minha cintura se intensificou.
Assenti conseguindo levar uma mão ao seu ombro e outra a sua nuca. Entreabri os lábios o sentindo aprofundar o beijo mas parei logo em seguida o empurrando.
Sasuke me encarou confuso e eu espero ter deixado claro a raiva em meu olhar.
— Eu não preciso do seu beijo de piedade. — exclamei batendo a porta atrás de mim ao entrar em casa.
Sasuke só me beijou porque estava com pena, e eu prefiro que ele nunca me beije se for para ser assim.
— i****a.