Capítulo 5

965 Words
Rayssa Parada aqui pensando na audácia desse homem em me obrigar a ficar aqui. Pior que nem dava pra fugir dessa bagunça toda. "Ah, mas foge, sei lá." O cara tem mais seguranças que o próprio presidente do Brasil, não dava pra bater de frente e muito menos envolver meu pai nisso. Eu só esperava de coração que ele não descobrisse quem era ele, por que aí, tudo iria mudar. Passei os olhos ao redor daquele quarto, peguei meu celular mandando uma mensagem para meu noivo dizendo que ficaria fora por uma semana por um curso extra que resolvi fazer. Ele não engoliu muito bem essa história, mas não falou nada. E era até melhor assim. Com a porta do quarto fechada, pude ouvir a voz enjoada e irritante daquela menina, aquela voz fina misturada com deboche ao falar. E sei que estava falando alto só pra eu escutar. Pois que ela fique bem tranquila, até por que eu não tinha nenhum interesse no Filipe. Deus é mais! Só queria que essa semana passasse logo pra eu ir embora e nunca mais ter que olhar pra cara daquele duende verde. E se caísse naquele hospital novamente, eu cumpriria com minhas ameaças só por ele tá me fazendo ficar aqui contra minha vontade. Já era noite e meu estômago roncava de fome, mas a preguiça de ir ver se achava algo pra comer, era maior. E só fiquei ali jogada naquela cama, já que não conseguia dormir, então só cochilava de minuto a minuto. Ouvi o barulho da porta abrir e olhei Filipe entrar, que antes estava com o cabelo verde e agora platinado, bem melhor que aquele alface na cabeça. — tá com fome? — perguntou me encarando serinho e eu observei seu corpo sem camisa. —Precisa de um babador aí? — Tu entra se chamar, e se eu tivesse pelada? — perguntei cruzando os braços e olhando pra ele. — O que tu estaria fazendo pelada aqui nesse quarto? — sorriu irônico franzindo a sobrancelha. — Pintou o cabelo... — desviei do assunto pra não render — bem melhor assim! — Pintei por que eu quis, pô. — esfregou uma das mãos pelo abdômen jogando a cabeça pra tras — Não por que tu achou feio a outra cor. — Sim... — me olhou confuso esperando eu falar algo. — tu me perguntou se estou com fome e a resposta é sim. — Toma um banho aí, que eu vou buscar uma roupa pra tu. Tu veste quanto? — Depende do que… — meu corpo era bem contraditório, camisa P e short G — P pra camisa e G pra short. Preciso de calcinha e pra isso é M. — Como vou saber que tipo de calcinha tu gosta? — me olhou sorrindo e eu já imagino o que se passa pela sua cabeça. — Trás qualquer uma, vou usar do mesmo jeito. — na real eu não tinha muita frescura com isso de tamanho de calcinha, usava qualquer uma e tava de boa. — Já é, daqui a pouco eu volto. — deu de costas fechando a porta e eu me levantei entrando no banheiro. Busquei minha bolsa que eu sempre carregava shampoo, condicionador e produtos de higiene pessoais, pelo menos isso. Tomei um banho lavando esse enorme cabelo cacheado e finalizei ele ali dentro do banheiro mesmo. Passei um desodorante e um perfume que achei guardado na bolsa, me enrolei na toalha e voltei sentando na cama esperando ele voltar. Meu celular já pedia carga e procurei por ele sabendo que havia esquecido no hospital, sempre fazia isso, por sorte eu tinha outra em casa, mas aqui não. E já não basta ter que ficar aqui, sem celular seria o tédio. Ouvi barulho de passos e sabia que era ele, algumas horas perto, já sabia identificar o jeito que ele andava, arrastando os pés naquele chinelo barulhento. — Tá cheirosa, coisinha! — jogou a sacola na cama e me olhou. — Tá tudo aí, demora não que já tô brocado de fome. — Não vamos comer aqui? — perguntei tirando as roupas de dentro da sacola. — Vamos numa lanchonete ali embaixo, po. Se veste aí rapidao. Tô te esperando lá embaixo! — assenti com a cabeça e ele saiu. Tirei as peças olhando uma por uma, até que tem bom gosto. Optei pelo conjunto de tecido e minha cara queimou quando peguei aquela minúscula calcinha na mão. Maldito! Era mais pra um fio dental, como teve de comprar uma calcinha desse jeito? Isso só se usa pra t*****r, minha gente. Bufei colocando a roupa e me olhando no espelho mais uma vez. Saio do quarto indo em sua direção e ele me esperava sentado na sala com as pernas cruzadas e mexendo no celular, com um biquinho feito e a cata fechada, estava tão concentrado que nem percebeu que eu estava ali. — Vamos? — ele me fitou de cima a baixo balançando a cabeça. — Serviu tudo certinho? — O tudo foi em um tom mais alto do que o normal. — Você tá falando daquela minúscula calcinha que trouxe pra mim? — ele soltou uma risadinha safada e eu fechei a cara pra ele. — Mas serviu? — afirmei com a cabeça e ele sorriu — Bom saber! — Tu nunca vai me ver usando uma calcinha daquelas! — Eu sabia a intenção daquele sorrisinho no rosto. — Não? — neguei —Mas tu não comanda minha mente, por tanto posso imaginar! — É, fica só na imaginação mesmo, logo eu sumo daqui. — sai andando em direção à porta. — Eu não teria tanta certeza assim, coisinha. - virei pra trás olhando pra ele e levantando as sobrancelha — Se vacilar um dia eu viro teu marido.
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