Meu corpo inteiro tremia. O gosto de ferro do sangue na minha boca se misturava com o sal das lágrimas que eu não conseguia parar de chorar. Aquele velho maldito não teve um pingo de pena. Ele me jogou para fora da kitnet com um empurrão no corredor, deixando marcas roxas nos meus braços e dois cortes na minha boca que ainda ardiam e pingavam sangue no chão, além do corte na sobrancelha. Só tive tempo de catar uma sacola de mercado com algumas roupas íntimas e dois shortinhos velhos antes de correr dali, com medo de apanhar mais. Eu não tinha para onde ir, a não ser o endereço que o Marcos tinha me ditado pelo telefone. Caminhei pela Zona Norte abraçada àquela sacola de plástico, com a cabeça latejando e o medo de que o celular quebrado pelo dono do pensionato significasse que eu estava

