O silêncio da Galeria B depois da visita é de f***r com o psicológico de qualquer um. O pátio esvazia, os canas passam trancando tudo e o que sobra é o eco dos cadeados batendo e aquele mormaço abafado misturado com o cheiro de concreto úmido. Eu estava jogado no beliche da cela 14, de barriga para cima, com um braço servindo de travesseiro e os olhos fixos nas infiltrações do teto. O Marcos estava no outro canto, roncando baixo depois de ter limpado metade dos salgados que a Maju trouxe. Eu, por outro lado, não conseguia relaxar um músculo do corpo. Minha mente tinha ficado presa lá fora, descendo a ladeira do presídio junto com aquela garota debaixo do temporal. Minha mão desceu taticamente para o vão do tijolo oco atrás do meu colchão e puxei o rádio — um celular blindado que a gente

