O barulho do portão de ferro da galeria batendo atrás da gente é o som mais real do mundo. É o aviso de que o teatro acabou, as visitas foram embora e o que sobra é o concreto, o cheiro de fumaça e o silêncio pesado de quem ficou para trás. Eu e o Rodrigo caminhamos no ritmo da tranca, segurando as sacolas plásticas com os potes que a Maju trouxe como se fossem troféus. O pátio tinha ficado para trás, mas o cheiro da comida dela e o perfume que ela deixou impregnado na nossa roupa. Entramos na nossa cela, a 14. O espaço é pequeno, aquele quadrado de cimento com dois girais, uma pia encardida e o bojo no canto. Mas ali dentro, a gente manteve a disciplina. Joguei as sacolas em cima de uma cadiera e comecei a tirar os potes que a minha preta envelopou. O Rodrigo entrou logo atrás, tirou a

