16 - DG

2133 Words

Puxar cadeia na Galeria B te dá uma percepção diferente do tempo. Os dias são arrastados, cinzentos, mas a madrugada daquele sábado foi barulhenta. O céu do Rio de Janeiro parecia estar vindo abaixo; o estrondo dos trovões ecoava nas paredes de concreto e a água batia com tanta força no teto da cela que era quase impossível pegar no sono. Deitado no giral, minha mente só conseguia rodar em torno de uma certeza: a Maria Júlia não ia deixar de vir. Aquela garota tinha uma força que não combinava com o tamanho dela, e eu sabia que, mesmo com o mundo desabando lá fora, ela daria um jeito de subir a ladeira do presídio. Quando o pátio de visitas foi liberado, o vento frio entrou rasgando pelos corredores. O inverno na tranca não perdoa, então eu já tinha me agasalhado com duas camisetas: a cin

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