A madrugada de sábado no Rio de Janeiro não deu trégua. O céu parecia ter desabado sobre a cidade, um temporal daqueles que fazem a gente duvidar da própria sanidade. Eram três da manhã quando eu levantei da cama, o som da chuva batendo contra a vidraça da suíte era ensurdecedor. Meus planos eram inabaláveis: eu ia visitar o Marcos e o Rodrigo. Não importava se o mundo estivesse acabando lá fora, eles estavam esperando por mim e eu tinha uma missão. Passei horas na cozinha, focada. Organizei tudo com uma precisão cirúrgica. Peguei duas sacolas grandes, reforçadas, e embrulhei cada pacote, cada pote e cada fruta em sacos plásticos hermeticamente fechados. Passei fita adesiva em tudo para garantir que, mesmo que eu precisasse atravessar uma enchente, nada da comida molharia ou estragaria.

