O clima dentro da Galeria B muda de figura quando o assunto é liberdade. Naquela quarta-feira de manhã, o céu do Rio de Janeiro estava cinzento, com uma garoa fina que deixava o pátio de concreto do presídio ainda mais frio e úmido. Eu estava sentado na beirada da minha beliche, terminando de amarrar o cordão do meu tênis, quando o som metálico da chave batendo na grade da cela cortou o burburinho do corredor. — Alencar! Dos Santos! Visita do advogado. Bora, sem enrolação — o agente penitenciário bateu com o cassetete no ferro, anunciando a nossa saída. Olhei para o Piloto, que já deu um salto da beliche de cima com os olhos brilhando. A gente sabia muito bem quem tinha movimentado aquelas peças no tabuleiro da pista. A princesa tinha jogado na linha de frente na segunda-feira, e dois d

