Prólogo - Parte dois

472 Words
Letícia Pior do que ser uma adolescente e não ter dinheiro, é ser uma adulta lisa. Quando o meu pai saiu de casa, eu achei que as coisas iam melhorar para a nossa família, mas a minha mãe entrou em uma depressão profunda após perder o marido para a p*****a e acabou perdendo o emprego por justa causa após faltar inúmeras vezes, então eu comecei a trabalhar aos catorze anos para sustentá-las e não parei mais. O dinheiro só dava para pagar algumas contas e comprar um pouco de comida para não morrermos de fome e agora com a Isabella doente, estávamos comprando até ovo fiado no mercadinho do outro lado da rua. A nossa conta com o seu Zé já estava mais de mil reais e eu não tinha noção de como ia pagar essa dívida. Eu estou me esforçando ao máximo para conseguir vender mais na loja de roupas na qual eu trabalho para ganhar uma comissão maior, mas acho que não levo muito jeito para vendas. Eu não tenho jeito para convencer os clientes a comprarem as peças de roupas como as minhas outras colegas no emprego e acabo ganhando uma comissão bem menor do que elas. Suspiro fundo e tento afastar os problemas que rondam na minha cabeça. — Ei, Let! - Gabriela aparece ao meu lado enquanto estou arrumando a vitrine da loja. - Preciso falar com você. — Oi, amiga. O que aconteceu? - pergunto, forçando um sorriso. — Bom, eu sei que você tá precisando de um dinheiro extra no final do mês e tem um amigo meu lá da favela onde moro que tá precisando de um serviço. - ela morde o lábio tentando esconder o sorriso divertido. A encaro com olhos arregalados não acreditando que essa doida está me sugerindo vender drogas. — Amiga, sem querer te ofender, nem nada, mas eu realmente nunca vou topar fazer essas coisas que você faz para traficantes. Morro de medo de ser presa. - explico, arrancando uma gargalhada exagerada dela. Ainda bem que não abrimos a loja ainda ou nosso gerente ia nos brigar. — Relaxa! Não é isso, garota. — O que é então? — Ele tá precisando de uma mulher para fazer visita íntima para o chefe dele que tá preso e o dinheiro é bom, tipo muito bom mesmo. Dou uma gargalhada nervosa achando que era brincadeira, mas a Gabriela continua séria. — Meu Deus! É sério isso? Gabi, não! De jeito nenhum. Sem chance. - digo desesperada, balançando a cabeça de um lado para o outro. Será se ele é bonito? Se o cara for aperfeiçoado, eu poderia fazer um esforço, né? Tudo pela minha família. — Tá bom, Letícia. Se acalma. Não vou te forçar. Foi só uma sugestão. - ela toca meu braço com carinho e dá um sorriso amigável.
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