Medo

1067 Words
Um dia... Esse foi o tempo necessário para que eu me encantasse por Mel. Já fazem mais de três meses que moro nesse prédio e desde que nos conhecemos ela me visita todos os dias e passamos horas conversando e brincando juntas. Melanie é realmente um amor e eu me apeguei ao seu espirito jovem, extrovertido e sem filtro de ver o mundo. Quanto ao seu belo e introvertido pai, eu também o vejo todos os dias quando ele vem busca-la e apesar de não ser muito falante, Miguel é sempre muito educado e seu amor pela filha é visível. Eu descobri muito sobre esses dois nesses últimos meses e nossa convivência criou um laço de confiança que jamais pensei ser capaz de ter novamente. Mel me contou que sua mãe faleceu quando ela ainda era um bebê, mais o pai nunca disse qual o motivo da morte e eu posso imaginar como deve ser difícil para ele ter que criar uma criança sozinho, principalmente nesse tipo de situação, onde você tem que abrir mão da sua próprias dor para cuidar de quem depende exclusivamente de você. Eu perdi meu pai a seis meses e minha mãe morreu quando eu nasci, a dor nunca se foi. ▪️▪️▪️ Estou deitada em minha cama, apenas pensando nas voltas que a vida dá, enquanto Morfeu não resolve dar o ar da graça. Já passa das duas da manhã e eu não consigo dormir. O sono simplesmente não vem. Já tentei ver TV, ler, ouvir músicas e até chá de camomila eu bebi e nada. Minha campainha começa a tocar e eu me levanto meio alarmada, visto meu robe por cima do pijama e vou até a porta. Só existe uma pessoa que me incomodaria nesse horário e se ele está fazendo, deve ser importante. Assim que abro a porta, dou de cara com meu belo vizinho e como sempre, ele está lindo de morrer com sua roupa branca, mas suas feições preocupadas não me passam despercebidas. _ me desculpe ter te acordado Valentina, mas é uma emergência.- ele fala sem rodeios. _ aconteceu alguma coisa com a Mel? - Pergunto já preocupada e saindo do meu apartamento. _ sim, ela teve um pesadelo e está apavorada. Não consegue dormir, e para piorar eu fui chamado às pressas no hospital. Uma das minhas pacientes entrou em trabalho de parto, o bebe veio antes da hora e é uma gravidez de risco.- Vejo o dilema entre o amor e o dever estampados em seu rosto e sei que isso o fere profundamente.- Eu não posso deixar de ir, mas também não posso deixar minha filha assim. Vejo lágrimas em seus olhos lutando para sair e posso entender sua dificuldade em fazer o que se deve, por isso me proponho a ajudar como posso. _ eu fico com ela para você. _você faria mesmo isso? - Ele parece mais aliviado. _ pode ir despreocupado, eu cuido dela. _ obrigado mesmo Valentina, você é um anjo.- ele sorri e eu me derreto. O que está acontecendo comigo?! _ sem problemas Miguel. Ele sai apresado pelo corredor e eu tranco meu apartamento  antes de ir para o dele. A porta está aberta e eu entro sem maiores preocupações. Já estive aqui algumas vezes com Mel então me localizo fácil. Vou até seu quarto com agilidade e a encontro chorando encolhida em sua cama. Ela parece tão frágil... _ Mel...- Eu a chamo entrando no quarto e me sento em sua cama, passando uma mão em seu pequeno ombro para conforta-la. Mel não para de chorar e seu medo me parece muito compreensível. Eu a puxo para o meu colo e a abraço forte contra o meu peito, tentando tirar dela a dor que afastou seus sorriso e leveza, mas não parece ser suficiente. _ o que houve meu anjo?- Pergunto afagando seus cabelos. _ ele estava aqui.- diz ela ainda em prantos. _ ele quem meu amor? _ o homem do parque...- Ela está tremendo e meu corpo todo enrijece. Não pode ser ele. Não pode ser.... Meu cérebro funciona a mil por hora e a minima idéia de que aquele homem tenha me encontrado, me apavora e me desespera. Não pode ser.... _ que homem é esse Mel. Ele te fez alguma coisa?- Pergunto tentando controlar meus próprios temores e tentando pensar racionalmente. _ ele fica vigiando quando vamos ao parque, e ontem ele veio atrás da gente, aí o papai chegou e ele foi embora. Mais ele estava aqui Val, eu vi ele. Meu coração gela com a possibilidade cada vez mais evidente. Mel e eu vamos sempre ao parque porque é perto de onde moramos e tem um parquinho com brinquedos para crianças. Ontem nós estávamos lá e eu realmente tive a impressão de estar sendo observada, mas agora eu tenho certeza de que não foi apenas uma impressão. _ meu pai disse que foi um sonho, mais eu vi. - Olho envolta e tudo parece normal, a janela está trancada assim como o resto do apartamento e eu me certifiquei ainda, de trancar a porta quando entrei. Miguel está certo, provavelmente foi mesmo um pesadelo, mas não pretendo ficar aqui para descobrir. _Mel, vem comigo. Nós duas saímos do quarto dela e fomos para o meu apartamento. Reforcei as fechaduras quando vim morar aqui e ainda instalei um sistema de segurança no apartamento para garantir que eu estaria segura. Entramos e eu tranco a porta novamente. Vamos para o meu quarto nos deitamos em minha cama e Mel parece mais calma agora. Eu abraço a menina que já ocupa meu coração, e minha mente não para de pensar no que ela me disse. Não pode ser ele... _ Mel, como era o homem que você viu?- Pergunto. _ Ele era alto e tinha o cabelo meio cumprido e os olhos azuis, - o pânico me toma completamente, meu corpo treme e eu a espremo mais em direção ao meu corpo - ele me dá muito medo Val. - sua voz é baixa e apavorada.- os olhos dele parecem de gelo. _ vai ficar tudo bem meu amor, vai ficar tudo bem.- tento convencer a ela e a mim mesma de que meu pesadelo pessoal não é real, mas sei que não posso lutar contra o inevitável.... Logan está aqui e ele sabe onde eu estou.... 
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