Cineminha

1068 Words
Não acredito no que estou fazendo. Minha vida está um caos, meu marido maluco aparentemente me encontrou e está me perseguindo e ao invés de ir à polícia, eu estou procurando algo que ainda me sirva para ir ao cinema com minha vizinha fofa e o pai lindo de morrer dela. Só posso ter perdido o juízo. Mas o que eu poderia dizer, ele é muito lindo e aqueles olhos não me deixam pensar com clareza. "Claro porque homens lindos te fizeram muito bem". - Tudo bem consciência, já entendi o recado. A campainha toca e eu acabo pegando a primeira coisa que vejo pela frente, meu cabelo está calmo hoje e eu me maquiei primeiro, o que facilita bastante a minha vida. Termino de me vestir rapidamente e vou abrir a porta correndo, porque conhecendo os seres impacientes do outro lado, eles não vão parar de tocar enquanto eu não abrir e esse barulho muito me irrito. Sorrio ao ver Mel, linda com sua sobre legue estampada, sua legue vermelha e aquele sorriso infantil e sapeca que sempre está em seu rosto. Quase não olho para o deus grego ao lado da menina. Não posso me deixar cair em tentação e Miguel com toda a certeza é uma tentação. _ nooossa Val, você está linda. Ela não está linda papai? - Mel me elogia e eu dou uma voltinha para ela ver. _ sim meu amor, ela está belíssima.- tenho certeza que eu estou completamente vermelha agora, e o fato de sentir o olhar dele sobre mim, também não ajuda em nada. _não foi nada de mais, eu peguei a primeira roupa que encontrei, literalmente. Nada que eu tenho entra em mim, então... - faço um pouco de drama para tirar esse clima que se instalou entre nós. _ isso não faz de você menos bela.- Miguel me elogia mais uma vez e eu olho para ele, me arrependendo no mesmo instante porque ele está sorrindo. Senhor, faça esse homem parar de ser tão encantador.... _ vamos? -Digo para encerar o assunto e sair logo daqui. _ vamos.- Mel fala, pegando em minha mão e me puxando para fora, mas eu volto para pegar minha bolsa e saio já trancando meu apartamento. Estamos indo em direção ao elevador, quando somos interceptados por um rapaz que aparenta ter uns vinte anos, cabelos castanhos, olhos castanhos, alto e simplesmente lindo. _tio Heitooooor.-Mel se solta de minha mão e sai correndo e gritando em direção ao rapaz, que a pega no colo e a abraça. _ Heitor, o que faz aqui? - Pergunta Miguel surpreso, mas com um belo sorriso no rosto. _ essa baixinha me desafiou para uma partida de Guitar Hero, você sabe que eu adoro desafios. _ nossa, tio Heitor eu esqueci totalmente disso.- Mel coloca a mão na testa parecendo estar desolada e eu não aguento e começo a rir do drama que a pequena está fazendo. _ e essa bela dama, quem é? - Heitor foca sua atenção em mim e eu percebo que o sorriso cativante e algo de família.- Não acredito que você conseguiu que outra mulher te deixasse engravida-la. Eu não poderia estar mais sem graça e perplexa do que nesse momento. Onde eu encontro um buraco para colocar minha cabeça? _ nossa Heitor, como você é i****a. - Miguel se põe ao meu lado.- Essa é a Valentina, nossa vizinha. Valentina esse é meu irmão do meio i****a Heitor. _ muito prazer Valentina. - Ele me estende a mão e eu aperto, mesmo ainda me sentindo envergonhada com seu comentário anterior. _ o prazer é todo meu Heitor. E esclarecendo, o meu bebe não é filho do seu irmão. - minha vida seria muito mais fácil e feliz se ele fosse. _ exatamente, nós somos apenas amigos. - Miguel fala para o irmão e eu não sei por quê, mas essas palavras me doeram. Talvez seja ego ferido. Espero que sim.... " Nós sabemos que não"- minha consciência me alerta, mas eu prefiro ignorar. _ amigos, sei.- insinua Heitor para Mel que começa a rir baixinho. _ além do mais nós três estamos de saída, o que quer dizer que a disputa de vocês terá que ficar para outro dia. - Miguel ignora a indireta maldosa do irmão e eu agradeço mentalmente por ele ter mudado de assunto. _ de jeito nenhum papai, eu e o tio Heitor temos contas para acertar. Não é certo fazer ele esperar para apanhar de novo.- Mel fala como uma verdadeira adulta e as vezes me pergunto se ela tem realmente nove anos, ou se na verdade ela não é um anão disfarçado. _ mas e o nosso cinema? - Miguel tenta argumentar com a filha e é nessa hora que eu escuto o maior absurdo de todos os tempos. _ vai com a Val, ué. _ oi? - Pergunto incrédula. Ela não pode estar sugerindo que eu vá sozinha com o pai dela para o cinema, ou pode. _ isso mesmo, você e o papai vão para o cinema, enquanto eu dou outra surra no tio Heitor no Guitar Hiero.- diz ela como se fosse a coisa mais normal do mundo. _ não mesmo.- digo, obstinada a não ficar a sós com Miguel. _ por que não? - Pergunta ela com cara de cachorro que caiu da mudança e eu tento não olhar muito, ou serei convencida. _ é! Por que não. - Miguel pergunta com um sorriso tão sapeca quanto o da filha em seus lábios e eu sei que estou ferrada. - Eu não vejo nenhum problema nisso. Somos amigos e amigos saem juntos. É sério isso produção?! " Ele é bom."- Minha consciência traidora parabeniza Miguel e eu sei que sou voto vencido. _ tá legal! Então vamos logo.- faço uma careta e os três começaram a rir. _ então, bom filme para vocês. - Mel nos dá tchau e em seguida segura a mão do tio o puxando para sua casa, ou ao menos tentado.- vem tio Heitor, já estou louca para te ver chorando de novo.- Miguel e eu rimos dos dois que começam a discutir como se tivessem a mesma idade e assim que eles entram no apartamento, nós ficamos sozinhos. _ então vamos.- ele estende o braço e eu o seguro. Ainda estamos sorrindo. _ vamos. É... fugir da tentação será mais difícil do que eu pensei.
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