FELIPE
Ficar nesse hospital é puro tédio. Preciso voltar pra boca e ver o que tá rolando lá. Mas ninguém deixa.
Ainda
tem uma p**a de uma enfermeira que só me machuca.
— Cadê minha doutora bonita?
— Ela tá com outros pacientes. — respondeu puxando meus curativos.
Ela não tem dó.
— Porque ela só vem aqui um instante e vai embora?
— Porque o trabalho dela é assim. E ela tem muitos pacientes pra cuidar. Mas não fica chateado não. Ela veio ontem e vai vir hoje de novo. Daqui a pouco ela aparece. — ela sorriu.
— Ela tem namorado?
Ela sorriu de novo.
— Bom... Ela é nova aqui. Não a conheço bem. Mas acho que não. Pelo menos ainda. — ela me olhou com uma cara suspeita.
— Porquê?
— Segredo nosso. Não conta pra ninguém. — ela falou baixinho dando uma olhada pra porta fechada. — Tem um médico aqui, Doutor Renan. Ele é mais velho, e é até casado. Mas só vive de olho dela. Você precisa ver.
— E ela? — ergui a sobrancelha.
— Ela é muito ingênua pra perceber. Aquela menina é um doce. — ela balançou a cabeça em negação. — Mas quem sabe né? Tem cara de Santa mas ninguém sabe o coração. Vai que gosta de homem casado... — deu de ombros.
Duvido.
— Você é muito fofoqueira né? Nunca se meteu em encrenca com isso não? — franzi o cenho.
— Eu? Magina. Só tô comentando.
Algum tempo depois que ela se foi a minha doutora apareceu. Tinha um técnico de enfermagem no meu quarto e eu sinalizei pra ele sair.
— Minha doutora preferida. Finalmente. — sentei na cama sorrindo.
Ela ficou sem graça.
A mulher só anda bonita. Meu Deus.
— Só te atendi uma vez e já sou a preferida? — ela fechou a porta sorrindo.
— Não tem outra como você aqui. — sorri.
Ela pegou meu prontuário e ficou olhando. — Então, como vai?
— Melhor agora e você?
— Tô bem também. — ela continuou olhando o prontuário.
— Achei que você viria ontem a noite me ver... — aproveitei a deixa pra dar umas flertadas.
— Só posso visitar uma vez cada paciente.
— Tô ficando com ciúmes disso viu.
Ela ficou sem jeito de novo e riu.
— Você é assim com todo mundo? — deixou o prontuário encima de uma mesinha.
— Não. Só com quem eu me apaixono. — dei um sorriso m*l intencionado.
— Uou. Você não perde tempo. — ela ficou de novo sem graça e começou a fazer as coisas na minha perna.
Sério, ela é muito atraente. Tem uma cara de gente tranquila. E é tranquila.
Quero provar um pouco dela.
— Você tem namorado?
Ela
tava de cabeça baixa mexendo na minha perna e como se tivesse distraída, de
repente levantou a cabeça. — Oi?
— Já tentei te stalkear por esse hospital, mas parece que ninguém sabe me responder isso. Você tem namorado?
Ela ficou vermelha.
— Não. — falou baixinho e voltou a atenção pra minha perna.
— Ótimo. — sorri.
— Porque ótimo?
— Porque você não tem desculpa pra me rejeitar.
Pelo menos até descobrir sobre minha vida.
Ela balançou a cabeça em negação sorrindo.
— Você não tem jeito né?
— O único jeito é tu aceitar vir me visitar de noite. Eu não sou de desistir fácil, tá?
— Não posso. — falou a capricho.
— Mas quer. — mexi minha sobrancelha e ela abaixou a cabeça balançando de novo com um sorriso engraçado no rosto.
Antes que ela falasse alguma coisa minha irmã entrou na sala.
— Oiiiiii feioso. — ela veio até mim.
— Eaí feiosa? — ela me deu um abraço de lado.
— Como cê tá? — beijou minha cabeça.
— Tô querendo ir embora. Dor da p***a nessa perna. Ainda bem que tenho essa doutora pra cuidar de mim. Aliás, Essa é minha irmã doutora, Brenda.
Ela olhou pra Brenda e sorriu dando um oi.
— E essa aí, Brenda, é minha futura namorada. Doutora Gabriela. — já falei pra ela ficar esperta.
A doutora arregalou os olhos vermelha.
— Se assusta não. Ele é assim todo dia. — minha irmã falou a ela rindo. — Que dia tu volta pra casa?
— Não sei. Vão fazer uma cirurgia na minha perna. Tá quebrada.
— Mas volta logo?
Ela tava esquisita.
— Sim, porque?
— Tamo precisando de você lá. As coisas estão meio fora do trilho...
Eu sabia...
— Fala pro Davi vir cá. Pra eu trocar umas ideia com ele.
— Tá bom. Mas esse é o problema mesmo.
— Como assim? — comecei a esquentar.
Ela olhou pra doutora como se tivesse sem querer falar isso na frente dela.
Mas fazer o quê? Quando eu tô com problema nem ligo pra quem tá por perto.
— Ele tá torrando tudo na boca.
— Como assim Brenda? — minha cabeça começou a esquentar.
— Ele disse que como cê não tá lá o lucro é todo dele. Que ele é o chefe agora.
Eu dei uma gargalhada.
Esse cara tá querendo morrer mesmo.
— Cê tá zuano né?
— Não. Ele disse isso pra mim. Quando fui lá ver como as coisa tava. Ele falou que eu não sei de nada.
— Fala pra ele que o pé dele tá na cova. Se ele não passar tudo pra você a coisa vai ficar preta quando eu voltar. — passei o recado bem irritado.
— Tá bom.
— Bom, já terminei por aqui. — a doutora levantou guardando as coisas que tava usando.
— Já, meu bem? — sorri e ela ficou sorrindo sem jeito.
— Ele não vai parar. — minha irmã avisou rindo.
— Percebi. — ela abriu a porta. — Foi um prazer Brenda. Tchau pra os dois. — saiu do quarto.
Essa doutora vai ver quando eu pegar ela de jeito...
— Deixa a coitada em paz. Você sabe o problema que deixou lá no morro. — revirou os olhos sentando na poltrona.
— Que problema?
— A Ranyelle, é claro. Garota chata dos infernos! Toda hora vai perguntar onde é o hospital que você tá.
— Ela é minha namorada. Cê quer o quê?
— Você nem sabe escolher mulher velho... Eu odeio ela.
— Não tenho culpa se ela já te encheu de tapa na escola. Cê sabe que são negócios.
— Não vai mais ser se o Davi tomar o seu lado do morro.
— Davi tá morto, Brenda. É só eu sair daqui e ele não parar de gracinha. Eu mato ele. Pode anotar.