Cantando a doutora

1115 Words
FELIPE Ficar nesse hospital é puro tédio. Preciso voltar pra boca e ver o que tá rolando lá. Mas ninguém deixa. Ainda tem uma p**a de uma enfermeira que só me machuca. — Cadê minha doutora bonita? — Ela tá com outros pacientes. — respondeu puxando meus curativos. Ela não tem dó. — Porque ela só vem aqui um instante e vai embora? — Porque o trabalho dela é assim. E ela tem muitos pacientes pra cuidar. Mas não fica chateado não. Ela veio ontem e vai vir hoje de novo. Daqui a pouco ela aparece. — ela sorriu. — Ela tem namorado? Ela sorriu de novo. — Bom... Ela é nova aqui. Não a conheço bem. Mas acho que não. Pelo menos ainda. — ela me olhou com uma cara suspeita. — Porquê? — Segredo nosso. Não conta pra ninguém. — ela falou baixinho dando uma olhada pra porta fechada. — Tem um médico aqui, Doutor Renan. Ele é mais velho, e é até casado. Mas só vive de olho dela. Você precisa ver. — E ela? — ergui a sobrancelha. — Ela é muito ingênua pra perceber. Aquela menina é um doce. — ela balançou a cabeça em negação. — Mas quem sabe né? Tem cara de Santa mas ninguém sabe o coração. Vai que gosta de homem casado... — deu de ombros. Duvido. — Você é muito fofoqueira né? Nunca se meteu em encrenca com isso não? — franzi o cenho. — Eu? Magina. Só tô comentando. Algum tempo depois que ela se foi a minha doutora apareceu. Tinha um técnico de enfermagem no meu quarto e eu sinalizei pra ele sair. — Minha doutora preferida. Finalmente. — sentei na cama sorrindo. Ela ficou sem graça. A mulher só anda bonita. Meu Deus. — Só te atendi uma vez e já sou a preferida? — ela fechou a porta sorrindo. — Não tem outra como você aqui. — sorri. Ela pegou meu prontuário e ficou olhando. — Então, como vai? — Melhor agora e você? — Tô bem também. — ela continuou olhando o prontuário. — Achei que você viria ontem a noite me ver... — aproveitei a deixa pra dar umas flertadas. — Só posso visitar uma vez cada paciente. — Tô ficando com ciúmes disso viu. Ela ficou sem jeito de novo e riu. — Você é assim com todo mundo? — deixou o prontuário encima de uma mesinha. — Não. Só com quem eu me apaixono. — dei um sorriso m*l intencionado. — Uou. Você não perde tempo. — ela ficou de novo sem graça e começou a fazer as coisas na minha perna. Sério, ela é muito atraente. Tem uma cara de gente tranquila. E é tranquila. Quero provar um pouco dela. — Você tem namorado? Ela tava de cabeça baixa mexendo na minha perna e como se tivesse distraída, de repente levantou a cabeça. — Oi? — Já tentei te stalkear por esse hospital, mas parece que ninguém sabe me responder isso. Você tem namorado? Ela ficou vermelha. — Não. — falou baixinho e voltou a atenção pra minha perna. — Ótimo. — sorri. — Porque ótimo? — Porque você não tem desculpa pra me rejeitar. Pelo menos até descobrir sobre minha vida. Ela balançou a cabeça em negação sorrindo. — Você não tem jeito né? — O único jeito é tu aceitar vir me visitar de noite. Eu não sou de desistir fácil, tá? — Não posso. — falou a capricho. — Mas quer. — mexi minha sobrancelha e ela abaixou a cabeça balançando de novo com um sorriso engraçado no rosto. Antes que ela falasse alguma coisa minha irmã entrou na sala. — Oiiiiii feioso. — ela veio até mim. — Eaí feiosa? — ela me deu um abraço de lado. — Como cê tá? — beijou minha cabeça. — Tô querendo ir embora. Dor da p***a nessa perna. Ainda bem que tenho essa doutora pra cuidar de mim. Aliás, Essa é minha irmã doutora, Brenda. Ela olhou pra Brenda e sorriu dando um oi. — E essa aí, Brenda, é minha futura namorada. Doutora Gabriela. — já falei pra ela ficar esperta. A doutora arregalou os olhos vermelha. — Se assusta não. Ele é assim todo dia. — minha irmã falou a ela rindo. — Que dia tu volta pra casa? — Não sei. Vão fazer uma cirurgia na minha perna. Tá quebrada. — Mas volta logo? Ela tava esquisita. — Sim, porque? — Tamo precisando de você lá. As coisas estão meio fora do trilho... Eu sabia... — Fala pro Davi vir cá. Pra eu trocar umas ideia com ele. — Tá bom. Mas esse é o problema mesmo. — Como assim? — comecei a esquentar. Ela olhou pra doutora como se tivesse sem querer falar isso na frente dela. Mas fazer o quê? Quando eu tô com problema nem ligo pra quem tá por perto. — Ele tá torrando tudo na boca. — Como assim Brenda? — minha cabeça começou a esquentar. — Ele disse que como cê não tá lá o lucro é todo dele. Que ele é o chefe agora. Eu dei uma gargalhada. Esse cara tá querendo morrer mesmo. — Cê tá zuano né? — Não. Ele disse isso pra mim. Quando fui lá ver como as coisa tava. Ele falou que eu não sei de nada. — Fala pra ele que o pé dele tá na cova. Se ele não passar tudo pra você a coisa vai ficar preta quando eu voltar. — passei o recado bem irritado. — Tá bom. — Bom, já terminei por aqui. — a doutora levantou guardando as coisas que tava usando. — Já, meu bem? — sorri e ela ficou sorrindo sem jeito. — Ele não vai parar. — minha irmã avisou rindo. — Percebi. — ela abriu a porta. — Foi um prazer Brenda. Tchau pra os dois. — saiu do quarto. Essa doutora vai ver quando eu pegar ela de jeito... — Deixa a coitada em paz. Você sabe o problema que deixou lá no morro. — revirou os olhos sentando na poltrona. — Que problema? — A Ranyelle, é claro. Garota chata dos infernos! Toda hora vai perguntar onde é o hospital que você tá. — Ela é minha namorada. Cê quer o quê? — Você nem sabe escolher mulher velho... Eu odeio ela. — Não tenho culpa se ela já te encheu de tapa na escola. Cê sabe que são negócios. — Não vai mais ser se o Davi tomar o seu lado do morro. — Davi tá morto, Brenda. É só eu sair daqui e ele não parar de gracinha. Eu mato ele. Pode anotar.
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