Pode me chamar de Manu

1068 Words
Minha função é manter a ordem no morro. Só isso. Existe muitas pessoas que querem bagunçar no meu morro, e isso eu não admito. Infelizmente tenho que usar muitas vezes de coisas que não gosto. Mas fazer o que? Eu sou o rei... Merda de doutora! Dono do morro. — Gringo! — Um dos meus parceiros gritou na porta do barraco/escritório do topo do morro. — Chega aí. — tentei ver quem era. Biel. Meu amigo de infância e braço direito. Ele sentou na cadeira com cara de preocupado. — O que foi? — O Mau, cara. Me contaram que ele tá querendo pegar uma parte da leste pra ele. Pegaram um dos parças dele entregando droga lá naquela banda. Filho da p**a. Maurício, mais conhecido como Mau. Ele quer tomar o morro de mim. Sonhador... — E o rolinha? Não tá veno isso não? — minha preocupação aumentou. Já não basta o problema de minha mãe. — Ele tava focado no negócio de trazer a doutora pra cá... Aí eles aproveitaram. Isso me deixa putasso. — Uma tarde Biel, uma tarde eles saíram pra pegar ela. Como é que esse cara sabia que a área ía tá limpa? E porque o rolinha não deixou alguém tomando conta? — Sei lá. Talvez tenha alguém aqui do lado deles. Um X9. Um X9? No meu morro? Esse cara não tem amor a vida não? Tem grandes chances de ser verdade. — Um X9, Biel? Tem alguma ideia? Alguém suspeito? — Não. Mas eu posso dar uma investigada se você quiser. — Pra ontem. Quero os cara tudo naquele lado do morro. Pega as metralhadora. Qualquer sinal daqueles filho da p**a pode descer a bala. — ordenei com raiva. — Aquele o****o não vai brincar comigo de novo. Da última vez levei um tiro no braço e acertei o ombro dele. Mas da próxima vez eu não erro. Eu mato aquele o****o. — E a doutora? Ela tá ficando na sua casa? — Tá. Porque? — fiquei balançando os dedos encima da mesa. Essas coisas me deixa nervoso. — Os cara tão tudo falando que a é gostosona, toda bonita, cara de rica. — contou sorrindo. Ela é tudo isso mesmo. — Ela é bonita. Mas é chata pra caramba e fica me chamando de "rei do morro". Ele tá escutando e rindo. — E não deu bola pra tu ainda não? — Ainda não. Mas deve tá se fazendo de difícil. Tá aqui só a um dia. Não deu tempo ainda. — ri. — Sandrielly foi afrontar ela. — contei rindo. — Sério? — ele riu também. — Tô falando. E a loira é brava viu. Não abaixou a cabeça pra Sandrinha não. Tava escutano na frente do barraco. Ela toda cheia de resposta. — Só na marra. — É, só na marra. Ela disse que eu não fazia o tipo dela não. Que de onde ela vem tem de monte. Cê acredita? — A mulher é braba. Deve ser pra não arranjar briga com a Sandrinha. Cê sabe que aquela doida pra matar uma é só chegar perto de você. — E como sei. Acho que ela nem sabe da Bruninha. — Bruninha? Tu tá pegando a Bruninha?! Os rolos que me meto. — Ela fica se jogando pra cima de mim. O que eu vou fazer? Me passar por viado? — Cê é doido. — ele tá em negação, mas sorrindo. — Tem mais? Pensei em não contar, mas já que estamos na conversa. — A Paty. Só e acabou. Ele tá de queixo caído. — Filho da mãe! Três! Cê já pensou na enrascada? Paty é cheia das paranoia. Logo ela vai querer ser sua dona. — Ela nem venha com isso pra cima de mim. Só peguei ela uma vez. É boa, mas tô fora. Já basta as outras. — E a doutora vai entrar na lista? A doutora? — Não. É muita marra pra eu aguentar. Prefiro aturar a Sandrinha e a Bruninha juntas. Mas quem sabe um dia... [...] No caminho de volta ao meu barraco, ouvi a doutora falando com um moleque. — Pede pra sua mãe te levar no posto de saúde que eles vão fazer você ficar bem de novo. — orientava toda carinhosa. Quem vê assim até pensa. — Valeu doutora. — Pode me chamar de Manu. E qualquer coisa é só me procurar na casa do rei do morro. — Rei do morro? É o gringo? — É esse cão mesmo. — ela saiu andando na direção do meu barraco. Me chamou de cão?! Que abusada!! Cheguei em casa logo depois dela. Ela tá olhando as sacolas das roupas. — Encontrou as roupas, Manu? — fechei a porta. — Emanuelle pra você. Manu é pros íntimos. Cheia de marra. — Ata, então você é íntima de um moleque de 8 anos que conheceu dois minutos atrás? — perguntei com sarcasmo. Ela revirou os olhos e riu. — Vai tomar no cu. É Emmanuelle e acabou. — Tá bom Manuela. Achou as roupas? — sentei na cadeira. Ela ficou me encarando por um instante e depois abriu a bolsa e tirou uns jeans rasgado e umas camisetas. — Isso é camisa de homem, doida! — Eu sei. Mas fica super lindo com um jeans. — Sim, roupa de homem... Tendo de mulher lá? Será? — Sim, e você acha mesmo que eu vou usar um body cheio de cadarços? Me poupe Ricky. Ela sabe meu nome. ? — Tá. E você vai pro baile de roupa de homem? — Que baile? — O baile da quebrada. Só Mc f**a. No fim de semana. — Você não tem medo de eu tentar fugir não? — Você tem amor a sua vida? — cheguei perto dela e a encarei. Ela ficou calada. — Não tenho ânimo pra isso. Eu fui sequestrada. Lembra? — Eu dei dinheiro pra você sair e comprar roupa! Nenhum sequestrador faz isso! Complicadinha.... — Ah, eu devo te agradecer? Dizer que te amo? Eu não tenho síndrome de Estocolmo querido. — Síndrome de quê? Boiei. — Estocolmo. Quando o sequestrado se apaixona pelo sequestrador. Tem até isso. — Ah é. — fingi que sabia. — Você tá ficando com essa síndrome aí viu. Não fica me encarando muito. — Ata. Engraçadinho. — ela deu as costas e foi pro banheiro. Pior que tô me acostumando com ela.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD