Capítulo 7

1950 Words
Garrett Ele estava sentado, encarando a mãe, que segurava meia dúzia de fotos de lobas e as estendia para ele. Sabia que no verso de cada uma delas haveria uma ficha: nome, idade, posto e matilha, além de vários outros detalhes que ela achava que ele precisaria saber para tomar uma decisão. “Por favor, filho, só olhe para elas.” Ela lhe deu um meio sorriso. “Todas estão procurando um companheiro e estão dispostas a ser uma Companheira Escolhida. Algumas perderam seus companheiros, outras os rejeitaram, ou foram rejeitadas por algum motivo.” Ele ergueu uma sobrancelha, exatamente como fizera da última vez que ela viera falar com ele sobre aceitar uma companheira. Naquela ocasião, ele havia deixado claro que nunca aceitaria uma Companheira Escolhida que não tivesse sido marcada e unida antes. Não era certo considerar lobas que nunca haviam encontrado o presente da Deusa destinado a elas. Parece que ela havia realmente prestado atenção e levado isso em conta, encontrando lobas que se encaixavam em todos os critérios dele. Ele havia esperado que isso a desanimasse de procurar uma companheira para ele, mas aparentemente não. Garrett pegou as fotos. O coração de sua mãe estava no lugar certo — ele sabia que tudo o que ela queria era vê-lo feliz e unido a alguém. Ela também nunca lhe mostrava nenhuma loba que se parecesse com sua ex. Ele jamais aceitaria alguém com cabelo ruivo ou avermelhado. Não conseguia nem olhar para esse tipo de cor sem que alguma lembrança voltasse à mente. Uma mulher — ou melhor, uma garota — que não se importara com ele e que, mesmo depois de terem se reconhecido pelo cheiro, antes que pudessem se marcar e se unir, havia ido e dormido com outro homem. O nome dela era Evellyn. Ela sabia quem ele era e o que ele representava. Inclusive, um acordo de aliança entre suas famílias estava sendo preparado. Ele estudava na Academia Alfa, assim como ela. Ela havia acabado de chegar, e ele já estava lá havia nove meses. Suas famílias foram chamadas assim que eles se reconheceram como companheiros destinados. Mas, apesar de serem dons da Deusa um para o outro, e apesar de ela ter dito a ele, aos pais e aos membros do conselho que administravam a academia, que o aceitaria como companheiro, Evellyn havia declarado: “Não haverá nada entre mim e ele até que o acordo esteja finalizado.” E simplesmente se afastou. Ele deveria ter percebido naquele instante que algo estava errado. Eles passaram um tempo juntos tentando se conhecer melhor, mas ela nunca pareceu realmente interessada nele. Dois dias depois, quando ele estava a caminho do quarto dela após as aulas, decidido a convidá-la para jantar e tentar conquistá-la, foi atingido pelas dores da traição. Caminhava pelo corredor em direção ao dormitório dela quando, de repente, cambaleou, ofegante de dor, levando as mãos ao peito. A princípio, não quis acreditar no que estava sentindo. Mesmo assim, seguiu em frente até o quarto dela — apenas para cair de joelhos ao sentir cada estocada de dor que o cortava por dentro como mil facas. Conseguiu alcançar a porta e empurrá-la — nem sequer estava trancada. Ela estava lá dentro, transando com outro lobo. Nem mesmo um Alfa da academia, mas um lobo de posto Beta — da própria matilha dela. O futuro Beta de sua matilha natal, que havia ido até lá para tratar da aliança. Aquilo o destruiu. Destruiu o vínculo deles. As dores da traição atraíram todos os Alfas da academia até ele, e todos viram a cena: Evellyn montando aquele Beta, arfando e gemendo o nome dele, sem o menor cuidado com o fato de Garrett estar ali, dilacerado de dor. Depois disso, ele teve permissão para emitir sua rejeição, e Evellyn apenas assentiu e a aceitou — parecia não se importar nem um pouco em perder o companheiro que a Deusa lhe havia concedido. Sua justificativa, diante dele, dos pais de ambos e dos Alfas da academia, foi simples e fria: ela estava apaixonada por seu futuro Beta, e ele por ela. Que os dois queriam apenas “ficar juntos uma última vez”. As palavras exatas dela foram: “Eu queria uma última f**a realmente prazerosa antes de ser unida a um lobo que eu nem conheço.” Ela não o conhecia porque nunca quis conhecê-lo. Garrett acreditava que ela havia arruinado o vínculo de propósito, justamente para que ele a rejeitasse e, assim, ela pudesse ficar com aquele Beta — com quem acabou se unindo depois que deixou a Academia Alfa. Mas nem isso tinha dado certo. Ele soube, anos mais tarde, que aquele Beta encontrara sua verdadeira companheira — o presente da Deusa — e a rejeitara, cerca de seis ou sete anos depois. Garrett sabia porque havia cruzado com aquele mesmo Beta em outra matilha. Ele havia sido expulso de sua matilha depois de rejeitar Evellyn por causa de sua companheira destinada pela Deusa. Garrett não dissera nada — não queria saber —, mas o homem insistiu em se desculpar por aquele episódio na Academia Alfa. Disse que havia sido errado, que fora jovem e e******o. Agora que encontrara sua companheira destinada, percebia o erro que cometera. Garrett apenas se afastou. Não queria ouvir o homem contar que Evellyn gritara com ele, dizendo que nunca deveria ter rejeitado Garrett, durante uma das inúmeras discussões que tiveram antes de ele deixá-la por sua verdadeira companheira. Garrett se livrou das lembranças e balançou a cabeça, voltando a si. Olhou para as seis fotos que agora segurava nas mãos. Todas eram loiras ou morenas — uma delas tinha o cabelo preto como a noite. Ele as espalhou sobre a mesa, observando uma por uma. “Elas são todas lindas, meu filho.” A mãe se inclinou sobre a mesa e bateu levemente com o dedo em uma das fotos, de uma bela mulher loira. “Cardamon Craven é a minha escolha”, disse. “Tem trinta e um anos, é gerente de logística em uma das empresas humanas do pai — uma empresa de cosméticos. Possui excelentes habilidades de comunicação, é excepcional em planejamento e organização. Tem qualidades de liderança que fariam dela uma ótima Luna. Não tem companheiro e é a quarta herdeira da Matilha Dark Huntress. Pelo que entendi, ela é um pouco como você — tinha um companheiro destinado, mas o rejeitou. Então, se encaixa perfeitamente em todos os seus critérios para uma Luna.” Ele observou a loba. Tinha cabelos loiros e macios e olhos azul-avelã. Não sorria na foto, mas ele pôde ver que não havia nenhuma cicatriz de marca em seu pescoço. Era bonita, tinha que admitir. Virou a foto para ler a ficha. As informações de Cardamon estavam todas ali — sua mãe, como sempre, fora minuciosa. Altura, peso, tipo físico, todos os diplomas, além de hobbies e interesses pessoais. Na parte onde se lia “namorado”, estava escrito “zero”. Ele apontou isso para a mãe, arqueando uma sobrancelha em questionamento. “Ah, isso…” ela respondeu. “Ouvi dizer que ela nunca teve um namorado, nem mesmo um amante. Perguntei à própria Cardamon sobre isso, para ter certeza. As palavras dela foram: ‘Deidre, eu não tenho tempo para isso, estou muito ocupada com o trabalho.’” O tom dela havia sido bastante displicente. Garrett devolveu a foto para ela. “Então é não. Não vou aceitar uma mãe virgem. Risque da sua lista qualquer uma assim — dessa lista que você gosta de manter, tentando me arrumar uma companheira.” Ela bufou, irritada. “Garrett, meu filho, você está tornando isso impossível, sabia? Toda vez que venho aqui, você acrescenta mais alguma coisa à lista de restrições, antes mesmo que eu possa apresentar alguma loba para você. Nada de mulheres ruivas, de nenhum tom. Já disse que abaixo dos vinte e cinco é muito nova, acima dos cinquenta é muito velha. Nenhuma que nunca tenha recebido um companheiro destinado. E agora, nenhuma virgem!” Ela parecia exasperada. “O que exatamente você quer em uma companheira?” “Eu não sei, mãe”, respondeu simplesmente. “Não penso muito nisso. Mas... uma virgem, mãe, sério? Por que você acha que isso seria apropriado? Qualquer mulher que eu aceite como Luna precisa ter saído por aí e experimentado a vida por conta própria. Saber o que gosta, ter vivido pelo menos um relacionamento saudável em algum momento da vida.” “Um relacionamento saudável?” ela rebateu, arqueando as sobrancelhas. “Isso é um pouco hipócrita, não acha, Garrett? Nem você fez isso. Só casos passageiros — nunca o vi namorar uma garota por mais de uma semana. E isso não é um relacionamento. É apenas o tempo que você leva para colocá-la na cama ou decidir se quer dormir com ela quando ela mesma se oferece.” “Exatamente por isso é importante, mãe. Um de nós precisa saber o que é estar em um relacionamento de verdade, entender como funciona, para que o outro — no caso, eu — possa aprender com ela como fazer isso.” “Bobagem, Garrett! Você vai marcá-la e se unir a ela, e o vínculo entre vocês vai se formar. Então vocês aprenderão um sobre o outro, e uma harmonia natural surgirá. A partir disso, terão um vínculo forte entre Alfa e Luna. Vai florescer, porque vocês se escolheram e vão acabar se amando rapidamente. É só isso que precisa.” Ele ficou olhando para ela — a palavra harmonia havia feito seus pensamentos desviarem para sua nova secretária. “Mãe, você já entrou em contato com Harmony Preston sobre a proposta de emprego?” perguntou, agora completamente com a atenção voltada para outro assunto. Ele observou enquanto ela jogava as mãos para o alto. “E lá vamos nós de novo... já voltou a pensar em trabalho.” Ela resmungou, parecendo à beira de arrancar os cabelos. “Você disse o nome dela, isso me lembrou de te perguntar.” Ele comentou, esboçando meio sorriso para a mãe. “Filho, quando estiver dentro desta matilha, devia relaxar e parar de pensar em trabalho. Está se tornando um viciado em trabalho, sabia disso?” “Harmony Preston, mãe?” ele a pressionou, e sim, ele sabia que trabalhava muitas horas — mas isso o mantinha ocupado. E lá no mundo humano, dentro do escritório, cercado por humanos, a mãe não podia tocar nesse tipo de assunto. Ela agora o encarava com irritação. “Sim, eu liguei para ela antes de sair do escritório. Ela começa amanhã, às oito da manhã... Agora, voltando às lobas.” Disse, batendo nas fotos sobre a mesa. Ele sorriu para ela. “Sabe, mãe, você está se tornando uma Luna obcecada em me arrumar uma companheira.” “Hmm, bem, eu não precisaria ser, se tivesse um filho que aceitasse uma Luna e me desse netos para ocupar o meu tempo, não acha? Você não está ficando mais jovem, Garrett. Vai fazer quarenta em breve.” “Vou, sim. E talvez eu ainda tenha uma segunda chance de encontrar uma companheira por aí — que talvez nem tenha nascido ainda.” Ele respondeu, recostando-se na cadeira. “Então, não seria melhor esperar por isso, só por precaução?” Ela bufou novamente. “Espero, Garrett, que olhe para essas fotos. E quero um relatório sobre cada uma delas explicando por que você as rejeitou sem sequer conhecê-las — por que é um não. Um maldito encontro é tudo o que estou te pedindo. Será que é pedir demais?” resmungou, antes de sair pisando firme do escritório.
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