Nunca havia passado tanta vergonha em minha vida. Se tivesse cagado nas calças no meio na escola inteira, poderia inventar uma doença. Assim as pessoas ficariam com pena de mim e dariam risada com a consciência pesada, entretanto, como explicar os pais que eu tinha? Estava sentado no banco de trás, olhando para o tapete sujo de lama, com o banco do meu pai na minha frente. Queria por o máximo de espaço entre mim e Carmen, como se ela fosse algum tipo de zumbi altamente contagioso. Estava com os nossos boletins entre os dedos, rasgando as bordas das folhas. Graças a algum poder do universo, eles não estavam brigando dentro do carro. Juro pela minha vida que, se começassem, iria abrir a porta e me jogaria do carro. Faria o possível para cair debaixo dele, mais precisamente: cair com a cabe

