O sol nascia lento, tingindo o céu de laranja e rosa, como se a própria manhã hesitasse em romper a escuridão. A fazenda despertava em sons costumeiros: o mugido dos bois, o cantar dos galos, o ranger dos portões de ferro. Mas, dentro da casa de Felipe, o tempo parecia suspenso. Ali, cada segundo era mais pesado, mais denso, como se carregasse uma revelação que ainda não tinha rosto. Rosa estava sentada perto da janela, o corpo envolto em uma manta leve, como quem tenta proteger-se do frio que não é só da pele, mas da alma. Os olhos percorriam o horizonte, mas não viam o campo. Viagem silenciosa para dentro de si mesma. Felipe entrou devagar, trazendo uma xícara de chá fumegante, o aroma de ervas enchendo o quarto com calor suave. Colocou-o sobre a mesa ao lado dela, sem dizer nada. Apen

