O ar da fazenda naquela noite parecia mais pesado que nunca. Um vento seco atravessava as janelas, trazendo consigo o cheiro metálico da terra que anunciava chuva, mas não havia nuvem no céu. Era como se o campo inteiro pressentisse que algo estava prestes a se romper. Rosa estava no quarto, penteando os cabelos diante do espelho quando ouviu a porta bater com violência. O reflexo de Antenor surgiu atrás dela — olhos vermelhos, veias saltadas no pescoço, a respiração arfante como a de um animal ferido. — Você voltou pra ele… — a voz era mais um rugido que uma acusação. — Eu vi no seu olhar, Rosa. Você me traiu no silêncio, me traiu no corpo que não é meu. Antes que ela pudesse reagir, a primeira bofetada veio como um trovão, lançando-a contra a penteadeira. O espelho rachou em linhas qu

