Os dias seguintes passaram como quem caminha sobre cristais: cada passo exigia cuidado, cada gesto era medido. A casa, agora guardada por seguranças e silêncios, parecia respirar com eles. Felipe organizava reuniões na biblioteca, dava ordens a Jonas, ajustava contratos, mas sempre com um ouvido atento ao andar de cima, onde Rosa repousava. Ele não invadia. Nunca. Cumpria à risca a orientação do médico: não trazer lembranças dolorosas, não forçar conversas, não pressionar uma ferida que ainda latejava aberta. Mas seu corpo, sua alma inteira, estavam sempre à disposição dela. Bastava um chamado, um olhar, e ele surgia. Rosa, por sua vez, se movia como alguém que ainda aprendia a andar no novo chão. Cada vez que abria os olhos e o via ali, à porta, à mesa, ao lado da cama, um misto de sent

